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segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Críticas à religião - Marilena Chauí

 


As primeiras críticas à religião feitas no pensamento ocidental vieram dos filósofos pré-socráticos, que criticaram o politeísmo e o antropomorfismo. Em outras palavras, afirmaram que, do ponto de vista da razão, a pluralidade dos deuses é absurda, pois a essência da divindade é a plenitude infinita, não podendo haver senão uma potência divina.

Declararam também absurdo o antropomorfismo, uma vez que este reduz os deuses à condição de seres super-humanos, isto é, as qualidades da essência divina não podem confundir-se com as da natureza humana. Essas críticas foram retomadas e sistematizadas por Platão, Aristóteles e pelos estOicos.

Uma outra crítica à religião foi feita pelo grego Epicuro e retomada pelo latino Lucrécio. A religião, dizem eles, é fabulação ilusória, nascida do medo da morte e da Natureza. É superstição. No século XVII, o filósofo Espinosa retoma essa crítica, mas em lugar de começar pela religião, começa pela superstição. Os homens, diz ele, têm medo dos males e esperança de bens. Movidos pelas paixões (medo e esperança), não confiam em si mesmos nem nos conhecimentos racionais para evitar males e conseguir bens.

Passional ou irracionalmente, depositam males e bens em forças caprichosas, como a sorte e a fortuna, e as transformam em poderes que os governam arbitrariamente, instaurando a superstição. Para alimentá-la, criam a religião e esta, para conservar seu domínio sobre eles, institui o poder teológico-político. 

Nascida do medo supersticioso, a religião está a serviço da tirania, tanto mais forte quanto mais os homens forem deixados na ignorância da verdadeira natureza de Deus e das causas de todas as coisas. 

Essa diferença entre religião e verdadeiro conhecimento de Deus levou, no século XVIII, à idia de religião natural ou deísmo. Voltando-se contra a religião institucionalizada como poder eclesiástico e poder teológico-político, os filósofos da Ilustração afirmaram a existência de um Deus que é força e energia inteligente, imanente à Natureza, conhecido pela razão e contrário à superstição. 

Observamos, portanto, que as críticas à religião voltam-se contra dois de seus aspectos: o encantamento do mundo, considerado superstição; e o poder teológico-político institucional, considerado tirânico. 

No século XIX, o filósofo Feuerbach criticou a religião como alienação. Os seres humanos vivem, desde sempre, numa relação com a Natureza e, desde muito cedo, sentem necessidade de explicá-la, e o fazem analisando a origem das coisas, a regularidade dos acontecimentos naturais, a origem da vida, a causa da dor e da morte, a conservação do tempo passado na memória e a esperança de um tempo futuro. Para isso, criam os deuses. Dão-lhes forças e poderes que exprimem desejos humanos. Fazem-nos criadores da realidade. Pouco a pouco, passam a concebê-los como governantes da realidade, dotados de forças e poderes maiores do que os humanos. 

Nesse movimento, gradualmente, de geração a geração, os seres humanos se esquecem de que foram os criadores da divindade, invertem as posições e julgam-se criaturas dos deuses. Estes, cada vez mais, tornam-se seres onipotentes, oniscientes e distantes dos humanos, exigindo destes, culto, rito e obediência. Tornam-se transcendentes e passam a dominar a imaginação e a vida dos seres humanos. 

A alienação religiosa é esse longo processo pelo qual os homens não se reconhecem no produto de sua própria criação, transformando-o num outro (alienus), estranho, distante, poderoso e dominador. O domínio da criatura (deuses) sobre seus criadores (homens) é a alienação. 

A análise de Feuerbach foi retomada por Marx, de quem conhecemos a célebre expressão: “A religião é o ópio do povo”. Com essa afirmação, Marx pretende mostrar que a religião – referindo-se ao judaísmo, ao cristianismo e ao islamismo, isto é, às religiões da salvação – amortece a combatividade dos oprimidos e explorados, porque lhes promete uma vida futura feliz. Na esperança de felicidade e justiça no outro mundo, os despossuídos, explorados e humilhados deixam de combater as causas de suas misérias neste mundo. 

Todavia, Marx fez uma outra afirmação que, em geral, não é lembrada. Disse ele que “a religião é lógica e enciclopédia popular, espírito de um mundo sem espírito”. Que significam essas palavras? 

Com elas, Marx procurou mostrar que a religião é uma forma de conhecimento e de explicação da realidade, usadas pelas classes populares – lógica e enciclopédia – para dar sentido às coisas, às relações sociais e políticas, encontrando significações – o espírito no mundo sem espírito -, que lhes permitem, periodicamente, lutar contra os poderes tirânicos. 

Marx tinha na lembrança as revoltas camponesas e populares durante a Reforma Protestante, bem como na Revolução Inglesa de 1644, na Revolução Francesa de 1789, e nos movimentos milenaristas que exprimiram, na Idade Média, e no início dos movimentos socialistas, a luta popular contra a injustiça social e política. 

Se por um lado na religião há a face opiácea do conformismo, há, por outro lado, a face combativa dos que usam o saber religioso contra as instituições legitimadas pelo poder teológico-político. 

Fonte:

CHAUI, Marilena. Convite a filosofia. 12ª ed. – São Paulo: Editora Ática, 2002.

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

O que fazer antes da submissão de um artigo acadêmico?


Antes da submissão de um artigo acadêmico para uma Revista especializada é preciso levar em conta uma série de normas e procedimentos que devem ser seguidas ao pé da letra.

Portanto antes de submeter o artigo, leia as diretrizes para autores e para submissão de trabalhos da Revista, verifique absolutamente tudo antes de qualquer submissão, pois acredita-se que grande parte das reprovações deriva-se da não observância das diretrizes. 

Confira os seguintes itens antes da submissão:

Ortografia correta de título e nomes dos autores e filiação;

Uso correto da gramática. Erros comuns: uso de crase, excesso/falta de vírgulas, concordância, paralelismo;

Numeração das seções e subseções;

Numeração no texto concorda com a numeração usada em figuras e tabelas;

Imprima o artigo (no formato final de submissão) pelo menos uma vez para se certificar que texto, tabelas e figuras estão legíveis.

Verificar se referências cruzadas não foram perdidas dentro do editor. Uma boa ideia é fechar o editor de texto, abri-lo novamente, abrir o arquivo do artigo, e então verificar as referências cruzadas.

E finalmente, tenha certeza absoluta da data e do horário limites para submissão de trabalhos. Várias conferências estabelecem hora com o devido fuso horário. Cuidado para não se perder com horário de verão (outros países como os Estados Unidos também possuem horário de verão).

 FONTE: CLIQUE AQUI

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Não, ela não é louca

 Um homem rico entrou num bar em Miami. Assim que ele entrou, ele notou uma mulher africana (negra), sentada em um canto.

Ele foi até ao balcão, tirou a carteira e gritou: "Barman! Estou a comprar bebidas para todos neste bar, exceto para aquela mulher negra ali!"

O empregado do bar recolheu o dinheiro e começou a servir bebidas grátis a todos no bar, exceto para a mulher africana. Em vez de ficar chateada, a mulher negra simplesmente olhou para o tipo e gritou: "Obrigada!"Isto enfureceu o homem rico. 

Então, mais uma vez, ele tirou a carteira e gritou: "Empregado! Desta vez eu estou comprando garrafas de vinho e comida adicional para todos neste bar, exceto para aquela africana sentada ali no canto!" O garçom recolheu o dinheiro do homem e começou a servir comida grátis e vinho para todos no bar exceto para a africana. 

Quando o empregado acabou de servir a comida e as bebidas, a mulher africana simplesmente sorriu para o homem e disse: "Obrigada!" O que o deixou furioso. 

Então, ele inclinou-se sobre o balcão e perguntou ao barman: "O que há de errado com aquela mulher negra? Comprei comida e bebidas para todos neste bar, exceto para ela, e em vez de ficar zangada, ela senta-se ali, sorri para mim e grita: "Obrigada!" "Ela está louca?" 

O barman sorriu para o homem rico e disse: "Não, ela não é louca. Ela é a dona deste estabelecimento."  

Que os nossos inimigos trabalhem, sem saber. a nosso favor.

Fonte: CLIQUE AQUI 

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Bloqueio na escrita...


A escrita de qualquer trabalho acadêmico (Monografia, Dissertação ou Tese) é um processo muitas vezes solitário e desgastante. Muitas vezes levamos horas a frente de um computador e não conseguimos produzir absolutamente nada. Isso pode prolongar por dias, semanas, [...] pois, nossa mente 'para de funcionar'. Essa falta de produtividade, pode muitas vezes, estar associado ao que é chamado de "bloqueio"...

Há muitos fatores que determinam o bloqueio na escrita. Os fatores internos dizem respeito às condições psicológicas em geral do(a) aluno (a); os externos compreendem notadamente as situações verificadas no processo de aprendizagem e no respetivo domínio do que se está pesquisando.

Para fazer uma boa escrita, o(a) aluno(a) deve estar em boas condições psicológicas, pedagógicas e materiais favoráveis. Caso contrário, o insucesso pode bater à porta...


Se esse é o seu caso, procure ajuda!

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

O ESTOICISMO E O CETICISMO: AS DUAS VIAS FILOSÓFICAS PARA A CONSTRUÇÃO DO PARADOXO ENTRE GRANDEZA E MISÉRIA EM BLAISE PASCAL

Resumo 

Blaise Pascal é o filósofo do paradoxo, pois, para ele, a verdade é a reunião dos contrários. Em sua antropologia, o homem é analisado como um ser paradoxal, ao mesmo tempo grande e pequeno, fraco e forte, grande e mísero. Essas contradições estão presentes em todos os homens, mas, a maior parte dos filósofos ao longo da história do pensamento Ocidental enxergou apenas um dos lados, ou seja, baseou-se numa visão unilateral e limitada do homem. Este artigo tem como objetivo analisar as duas vias filosóficas, pelas quais Pascal constrói o paradoxo entre grandeza e miséria, como aspecto fundamental para o estudo e compreensão do homem. Para isso, ele se apoia especialmente em dois filósofos, Epiteto e Montaigne, mostrando que, a ‘verdade’ de cada corrente filosófica opera como desqualificadora da ‘verdade’ da outra. Mas, para Pascal a verdadeira compreensão do homem, está na reunião dessas duas dimensões contraditórias, ou seja, paradoxais. 

Palavras-chave: ser paradoxal; estoicismo e ceticismo; grandeza e miséria; paradoxo, compreensão do homem.

Para acessar o o artigo na íntegra, CLIQUE AQUI

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Sobre o racismo e como quebrar paradigmas com educação e amor



Após a abolição da escravatura, a liberdade não significou igualdade. Sou branca e nunca tinha sofrido racismo, sempre procurei estudar para entender e ir além, lutar e fazer a diferença. Me apaixonei e casei por um preto e africano. O “e” é importante, pois soma, para o positivo e; também negativo, quando falamos ou escancaramos os preconceitos. 

Desse amor nasceu a linda Cecília Milagros, e antes mesmo dela nascer eu já tinha sentido e sofrido o racismo...Olhares, encaradas. Passei a reconhecer os seguranças das lojas, bancos, farmácias que para mim antes eram invisíveis, mas com meu marido ao lado, eles brotavam do chão. Cecília Milagros nasceu, e não só o amor materno aflorou, mas todos os medos que um dia nunca pensei que sentiria. Ela não era branca e o mundo não estava preparado para Ela. Não tive pânico, e sim muito amor como guia, e num átimo pensei: “Se o mundo não está preparado para Cecília Milagros, ela sim estará preparada para o mundo, e sua base será o amor” (Ao pensar isso JAMAIS IMAGINEI quantos pretos fossem morrer ao longo desses 5 anos, e de formas tão truculentas, hipócritas, cruéis, bárbaras). 

Não existem bons ou maus racismos- todo tipo de racismo é ruim – é preciso pensar nas especificidades da história que faz da desigualdade uma etiqueta internalizada e da discriminação um espaço não formalizado. 

Podemos achar que não somos racistas, mas um fenômeno do cérebro chamado “viés inconsciente” ou “viés cognitivo” (termo mais utilizado por neurocientistas) ou, preconceito implícito, é o que faz as pessoas disseminarem o racismo sem perceber. 

O viés inconsciente é um conjunto de estereótipos sociais, sutis e acidentais que todas as pessoas mantêm sobre diferentes grupos de pessoas. 

É o olhar automático para responder a situações e contextos para os quais você é treinado culturalmente, como uma programação do cérebro. Então se você tem um cérebro, tem viés inconsciente! E o racismo que imaginamos não é simplesmente o que vemos. 

Ele se reproduz também no invisível, no cotidiano, no que se faz e não se percebe, no viés inconsciente. Depois da abolição, o estado sofisticou mecanismos de exclusão, o que vivenciamos até hoje, e o pior aceitamos! E é por isso, que hoje resolvi escrever pois, o racismo se reproduz nessa estrutura de privilégios porque é dentro dela que o preconceito de cor exerce seu poder, criando obstáculos, por vezes ultrapassáveis, infelizmente. 

Mamie Phipps Clark em 1939 entregou sua dissertação de mestrado, intitulada “O desenvolvimento da consciência em crianças negras de idade pré-escolar” (alguns anos depois, ela se tornaria a primeira mulher negra a obter um doutorado em psicologia na Universidade Columbia). Depois, expandiu esse trabalho com experimentos mais sofisticados ao longo da década de 1940, que até os dias de hoje é reproduzido, e hoje realizamos com nossa filha Cecília Milagros.Clique aqui

O racismo do experimento mostra como o viés inconsciente é “ensinado” e “assimilado” mesmo antes de as crianças criarem juízo crítico sobre aspectos da vida e da sociedade, ou seja, antes mesmo de adquirirem a autonomia. 

VOCÊS QUE DIZEM QUE NÃO SÃO RACISTAS já pararam para pensar o que acontece com essas meninas(os) que crescem se identificando com “a boneca mais feia”? São excluídas, oportunidades são tiradas, angústias constantes e uma vida de autoproteção e autodefesa contínua, por medo. 

Os pretos têm medo, pelo simples fato de serem pretos. Eu tenho medo, medo de um dia Cecília Milagros sofrer racismo. Eu tenho medo! E tenho além do medo angústias por tantas vezes meu marido ter sofrido racismo, e nojo por todos meus amigos pretos que sofreram racismo. 

A formação da mentalidade das pessoas se dá com o que elas vêem, ouvem , sentem. VOCÊ QUE ESTÁ ME LENDO PODE DIZER QUE NÃO É RACISTA, NEM EM PENSAMENTO? Hoje eu sou antirracista, e para ser, falar e escrever isso eu tive que sentir o racismo (e cabe dizer que eu já me dizia não racista), não em mim, mas nas pessoas que mais amo nesse mundo! Lutem, façam a diferença! 

Ensinem seus filhos todos os dias que eles podem ser seres humanos melhores! Fazer a vida valer a pena e lutar por dias melhores não só para mim, meu marido ou filha, mas para todos! Mais vidas! 

Mais Amor!O segredo de tudo é a educação com amor, respeito e comprometimento! 

E para terminar além do medo, tenho orgulho, muito orgulho de Cecília Milagros, do meu marido e orgulho de ser antirracista! Vamos à luta, mindelevelmente! 

Dessa forma deixo Mandela: “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele ou por sua origem, ou sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender. 

E se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto. A bondade humana é uma chama que pode ser oculta, jamais extinta.” 

Priscilla Lundstedt Rocha - 07/06/2020






segunda-feira, 9 de março de 2020

O saber não ocupa espaço

Fui professor do Ensino Básico Integrado durante vários anos [1999-2012], e, durante esse período eu me contentava em pesquisar apenas os conteúdos para as minhas aulas. Hoje, vejo que poderia ter feito mais, pesquisado e lido muito mais. Tenho a plena consciência que no exercício da docência, a pesquisa é fundamental para quem escolheu essa profissão.

Aos que ainda não têm essa consciência está na hora de mudar. Pesquisar vai além do exigido para a elaboração de planos e ministração de aulas, pois, além de contribuir para melhorar a qualidade do nosso trabalho, também podemos contribuir para a divulgação do conhecimento, seja através de grupos de pesquisa, participação em eventos acadêmicos, resenhas, artigos acadêmicos/opinião, coautoria de livros e livros autorais.

O desafio é sair da mesmice, arriscar, romper paradigmas, crescer sempre...

segunda-feira, 2 de março de 2020

A ÁFRICA ESTÁ NA MODA?



Nos últimos anos, principalmente depois da Lei 10.639/03, o ensino da história e da cultura afro-brasileira tornou-se obrigatório. Além disso, tema Cult., bastante debatido em jantares inteligentes "frequentados por psicanalistas, artistas plásticos, músicos, atores, jornalistas, publicitários, médicos, produtores, 'videomakers', antropólogos, sociólogos, historiadores, filósofos". Essa passagem do Pondé, é uma crítica explícita aos que se julgam entendedores de 'tudo' inclusive da cultura Africana, sem nunca terem pisado em suas terras ou lido um autor que seja (exceções a parte).


Nas redes sociais, abundam ofertas de cursos de graduação e pós-graduação presencial e à distância. Quanto a isso, ainda que, com algumas ressalvas pode-se dizer que é um aspeto positivo, embora seja preciso ter algumas cautelas, pois, a sabedoria popular já nos alerta que, 'nem tudo o que bilha é ouro' e "nem todos os que vagueiam estão perdidos" [Baggins].

Paralelamente, cresce o número exacerbado de 'facebookianos' especialistas em cultura africana ávidos por comentar, defender, acusar, partilhar informações, fatos e acontecimentos que muitas vezes carecem de uma apuração além dos meros títulos, por vezes sensacionalistas. Estes últimos são os que rendem comoções generalizadas, de fatos e acontecimentos [por vezes, verdadeiros], mas, que de forma alguma representam a realidade do continente como um todo.

Esses autoproclamados especialistas e participantes assíduos de 'jantares inteligentes' cometem principalmente QUATRO tipos de erros:

1. Confundir a África como um país;[Obs:. O continente é formado por 54 países,com mais de 30 milhões de km2, mais de 1300 idiomas. É o terceiro continente mais extenso, e segundo mais populoso do planeta].

2. Basear em informações de pessoas que estão 'demasiadamente envolvidas' com questões políticas, ideológicas, econômicas, religiosas, morais etc. A estes falta o devido distanciamento.

3. Basear em informações de pessoas que estão demasiadamente longe, e que por vezes não fazem a mínima ideia da realidade dos fatos e acontecimentos narrados. A estes falta o sentido da realidade.

OBS: Para os que estão tão próximos ou tão longe é preciso que saibam que "demasiada distância ou demasiada proximidade impede-nos de ver, demasiada longitude ou demasiada concisão obscurece" [Pascal].

4. Basear em informações provenientes de fontes duvidosas e manipuladas por pessoas e entidades que muito têm a lucrar com a ignorância dos que sem exercitar sua capacidade crítica, passam para frente tudo o que a primeira vista lhes causa repulsa...

VAMOS TODOS TENTAR CONHECER A ÁFRICA LIVRE DE PRÉ-CONCEITOS!?

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Universidade de Aveiro disponibiliza acervo online com 2500 livros sobre África e Oriente

A biblioteca digital da Universidade de Aveiro já permite ler através da internet obras digitalizadas de Angola, Cabo Verde, Goa, Guiné, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor.


O Portal das Memórias de África e do Oriente é um projeto da Fundação Portugal-África desenvolvido e mantido pela Universidade de Aveiro e pelo Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento desde 1997. É um instrumento fundamental e pioneiro na tentativa de potenciar a memória histórica dos laços que unem Portugal e a Lusofonia, sendo deste modo uma ponte com o nosso passado comum na construção de uma identidade coletiva aos povos de todos esses países.

O projeto “Memória de África e do Oriente“ já tem online mais de 2500 obras, referentes à história dos países de Língua Portuguesa, durante a administração colonial. O projeto é executado pela Universidade de Aveiro e pelo Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento (CESA) de Lisboa e tem contado com a participação de instituições de Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Goa.

Além de registos bibliográficos para orientação de investigadores e curiosos, estão agora disponíveis e com livre acesso obras digitalizadas que vão desde livros da escola primária do tempo colonial, a relatórios de antigos governadores das então colônias e outros documentos oficiais. Entre outras “preciosidades” já digitalizadas contam-se os três volumes da “História Geral de Cabo Verde”, várias obras do cientista e poeta cabo-verdiano João Vário, toda a coleção do Boletim Geral das Colônias, a revista do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa de Bissau Soronda (1986-2009), o Boletim Cultural do Huambo em Angola, e “O Oriente Português”, da responsabilidade da Comissão de Arqueologia da Índia Portuguesa, publicado entre 1905 e 1920 e retomado entre 1931 e 1940.

De acordo com Carlos Sangreman, da Universidade de Aveiro, o projeto “Memória de África e do Oriente” em dezembro atingiu 353.991 registos bibliográficos e 343.819 páginas digitalizadas e a base de dados já vai ser acrescentada. “Temos trabalhado com muitas instituições portuguesas, sendo a última a Biblioteca Nacional que nos disponibilizou 67 mil registos que irão ser colocados na base à medida que formos conseguindo compatibilizar o formato”, esclarece aquele responsável.


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

O REI IMBATÍVEL: CAMINHOS ÁRDUOS DE JUJU

"O rei imbatível: caminhos árduos de Juju", é o título do novo livro de Eliseu Banori publicado no Brasil pela Editora Autografia.


Este livro, segundo o autor, é um relato biográfico do cantor Justino delgado , carinhosamente tratado por "Juju" o rei. Juju é natural da Guiné Bissau , país africano de Língua Portuguesa. Considerado o principal artista da Guiné de todos os tempos, Juju "trouxe a afirmação da carreira a solo e da música vibrante de animação em palco." Com mais de 40 anos de carreira, ele marcou o rumo e a trajetória da música e da cultura do país natal...   

Com este livro de Eliseu é possível descobrir o homem e o artista que aquece os corações de todos os Guineenses.


"As músicas de Justino Delgado retratam a vida cotidiana dos guineenses de uma forma simples e singular, muitas vezes, também, são complexas para o entendimento. Porém, são nessas complexidades que residem o prazer de ouvi-las cada vez mais. Por mais que suas músicas sejam complexas, de certa forma, não nos confundem tampouco, mas sim, nos dá a direção para entendermos melhor a trajetória da vida. Tudo isso, na verdade, é genial e enriquece a nossa memória. Também podemos perceber que as músicas do Jujú vencem todas as tristezas, preenchendo os vazios existentes no homem enquanto ser social. As palavras trazidas em suas canções, na maioria das vezes, nascem em busca de uma alma: a alma perdida e a alma presa, por isso que as linguagens usadas nelas vencem os tempos." [Eliseu Banori]. 



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Sobre o autor:


Eliseu José Pereira Ié [Eliseu Banori] "Fez os seus estudos primários e secundários em Bandim Bilá e Amizade Guiné-Bissau Suécia (Peré), respectivamente. Formou-se na Escola de formação de professores “17 de Fevereiro”, como professor do ensino básico unificado. Em 2003 na Igreja evangélica de Belém foi presidente e fundador do clube de poetas de Divina. Em 2005-6 foi vice-presidente da referida juventude. Foi secretário da juventude evangélica do sector Autônomo de Bissau (2006-9). Em 2008 no primeiro e segundo período foi professor estagiário do ensino básico unificado na Escola “Belém B” e “António José de Sousa” Atualmente Eliseu é "Mestre em Literatura Africanas de Língua Portuguesa, na UFRJ, Pós-Graduado - Lato senso, Especialização em Literaturas Africanas e Portuguesa pela UFRJ 2015/2016; graduado em Letras: Português-Literaturas pela UFRJ." Além dessa obra, Eliseu já publicou  Em busca do espaço Verde (Poesia), Ed. Magnífica-2011; O vento Ainda Sopra, Ed. Multifoco-2012; Memórias fascinantes: relatos que traduzem o silêncio (sociologia), Ed. Multifoco-2014; As Almas em Agonia (romance), Ed. Pod,2015; e, Cantar do Galo (contos), Gramma Ed. 2017." 


                                            
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