Luciana Martins
Maia[1]
Vemos atualmente em
várias escolas a antecipação da escrita com letra cursiva em crianças muito
pequenas. Com a desculpa de estarem apenas estimulando os pequenos, sem
cobrança, os professores vão mostrando as letras e seus traçados. Acontece que
crianças na faixa de três, quatro anos ainda não possuem maturidade intelectual
para assimilarem tais conceitos. Porém, estão ávidos por aprender, copiam tudo
o que os professores fazem, repetem seus gestos e tentam escrever "do seu
jeitinho".
É fato que as
crianças de hoje estão bem mais espertas, mais ligadas e "antenadas"
com o mundo, mas ainda são crianças e agem como tal. Ao ver o traçado de uma
vogal cursiva, por exemplo, vão tentar copiá-la. Vão fazê-lo como copiam um
desenho. Através da sua sensibilidade, do seu olhar para a figura. Acontece que
as letras tem um traçado preestabelecido, um lugar para começar e terminar. Uma
sequencia que a maioria das crianças nessa idade ainda não é capaz de perceber.
Os professores podem até dizer que ensinam o movimento correto, ou até que não
ensinam porque essa etapa é apenas de visualização, de identificação, mas as
crianças vão tentar escrever. Algumas vão se sentir fascinadas por escrever com
a letra cursiva, mas podem acabar fazendo o movimento errado das letras.
O traçado realizado
de modo incorreto pode ser levado adiante para os anos seguintes e todo o
trabalho da professora do primeiro ano, que é quem é realmente responsável por
ensinar o movimento das letras cusivas, pode ser tornar mais complicado, pois a
criança já vai estar escrevendo com o traçado errado há muito tempo, o que
torna bastante difícil a sua correção.
Enquanto professora do primeiro ano eu já havia percebido isso, mas ainda continuo escutando de outras colegas que lecionam nessa fase, de que já fizeram de tudo para que a criança fizesse o traçado das letras a, q, f, entre outras cursivas, corretamente, mas que não tiveram sucesso e, com isso, o aluno seguiu para a série posterior com o traçado errado, agravando a situação nas séries seguintes.Ocorre que o traçado das letras cursivas realizado de maneira incorreta torna a escrita cada vez mais cansativa, difícil e, em alguns casos, até ilegível.
Enquanto professora do primeiro ano eu já havia percebido isso, mas ainda continuo escutando de outras colegas que lecionam nessa fase, de que já fizeram de tudo para que a criança fizesse o traçado das letras a, q, f, entre outras cursivas, corretamente, mas que não tiveram sucesso e, com isso, o aluno seguiu para a série posterior com o traçado errado, agravando a situação nas séries seguintes.Ocorre que o traçado das letras cursivas realizado de maneira incorreta torna a escrita cada vez mais cansativa, difícil e, em alguns casos, até ilegível.
Além de professora
alfabetizadora há mais de vinte anos, sou mãe de três filhos. O mais velho, na
época da educação infantil fazia uma confusão enorme com as letras "do seu
jeitinho". A escola utilizava a letra script (bastão minúscula) e ele, ao
identificá-las quando escrevia, confundia muitas delas, pois tinham o traçado
parecido (n/h – a/d – d/q...). Isso fez com que ele desistisse de tentar. Dizia
que não sabia. Não queria escrever, nem tentava ler. Ainda bem que não o
fizeram escrever o nome completo na educação infantil, pois tratava-se de um
nome composto, grande, cheio de fonemas complexos para ele (br, h, qu, l e n
invertidos). Na alfabetização, em outra escola, utilizaram a letra bastão
maiúscula (caixa alta) e foi ótimo. As letras de fácil identificação o
estimularam a escrever e, paralelo a isso, foram trabalhados os diversos
traçados, ou seja, os movimentos necessários para a escrita das letras
cursivas. Ele foi mudando aos poucos, no seu ritmo e, na metado de ano letivo
já escrevia corretamente todo o alfabeto cursivo, maiúsculo e minúsculo, bem
como conseguia se expressar com autonomia utilizando essas letras.
Minha filha do meio aprendeu a ler aos quatro anos, observando as atividades do irmão mais velho que se alfabetizava. Sempre foi muito esperta e copiava tudo o que via. Mas era uma criança de quatro anos que, como todas as outras, gostava de brincar, de desenhar... A escola utilizava a letra bastão maiúscula e ela nessa época já escrevia muito bem com essas letras. Porém, ainda não tinha domínio total do espaço gráfico quando este se tornava mais restrito (como a pauta de um caderno) nem fazia ainda os traçados curvos corretamente nesses espaços. Na fase anterior a alfabetização, aos cinco anos, como ela já lia fluentemente e escrevia de forma alfabética, a professora a estimulou a escrever com a letra cursiva, que ela aprendeu com rapidez, pois estava ávida por isso e queria saber cada vez mais. Porém, a professora não se preocupou em ensinar-lá os traçados independente das letras cursivas, um a um, movimento a movimento, volta por volta. Mostrou as letras, mostrou como são escritas, o como fazer, mas uma letra já emendada na outra. As noções matemáticas foram bem trabalhadas, bem como todas as outras habilidades necessárias para que minha filha se tornasse uma leitura competente.
Atualmente meu filho já está na segunda etapa do ensino fundamental. Ótimo, organizado, caprichoso. Sua letra é perfeitamente legível e seu traçado é rápido e correto. Não apresenta nenhum problema para registrar suas produções. Escreve e lê com muita facilidade. Minha filha do meio, que termina a primeira etapa do ensino fundamental, continua bastante esperta, suas notas são boas, mas sua escrita cursiva não é de todo correta. Algumas letras são escritas ainda com o movimento errado e provavelmente continuarão, pois não há mais tempo para a correção desses traçados.
Minha filha do meio aprendeu a ler aos quatro anos, observando as atividades do irmão mais velho que se alfabetizava. Sempre foi muito esperta e copiava tudo o que via. Mas era uma criança de quatro anos que, como todas as outras, gostava de brincar, de desenhar... A escola utilizava a letra bastão maiúscula e ela nessa época já escrevia muito bem com essas letras. Porém, ainda não tinha domínio total do espaço gráfico quando este se tornava mais restrito (como a pauta de um caderno) nem fazia ainda os traçados curvos corretamente nesses espaços. Na fase anterior a alfabetização, aos cinco anos, como ela já lia fluentemente e escrevia de forma alfabética, a professora a estimulou a escrever com a letra cursiva, que ela aprendeu com rapidez, pois estava ávida por isso e queria saber cada vez mais. Porém, a professora não se preocupou em ensinar-lá os traçados independente das letras cursivas, um a um, movimento a movimento, volta por volta. Mostrou as letras, mostrou como são escritas, o como fazer, mas uma letra já emendada na outra. As noções matemáticas foram bem trabalhadas, bem como todas as outras habilidades necessárias para que minha filha se tornasse uma leitura competente.
Atualmente meu filho já está na segunda etapa do ensino fundamental. Ótimo, organizado, caprichoso. Sua letra é perfeitamente legível e seu traçado é rápido e correto. Não apresenta nenhum problema para registrar suas produções. Escreve e lê com muita facilidade. Minha filha do meio, que termina a primeira etapa do ensino fundamental, continua bastante esperta, suas notas são boas, mas sua escrita cursiva não é de todo correta. Algumas letras são escritas ainda com o movimento errado e provavelmente continuarão, pois não há mais tempo para a correção desses traçados.
Minha filha caçula
está ainda na educação infantil. Também bastante esperta, já começa a se
interessar pela leitura e pela escrita. Aos quatro anos, adora desenhar, pintar
e "escrever". Usa a letra bastão maiúscula e tenta hipóteses para a
escrita que segue ora silábica, ora silábico-alfabética. Minha preocupação com
os traçados continua. Outro dia ela resolveu fazer as vogais e meu espanto foi
enorme. Estavam corretas no sentido de que ela sabia associar o som a letra,
bem como a figura correspondente, porém, o traçado estava totalmente errado,
pois ela fez de maneira independente, só de olhar.
Fica aqui o meu alerta! Professoras, respeitem as etapas de desenvolvimento das crianças. A Educação Infantil é uma fase de desenvolvimento de HABILIDADES. Habilidades estas necessárias para a aquisição dos conteúdos a serem trabalhados no Ensino Fundamental. Não cobrem uma letra perfeita nem entupam as crianças com conteúdos na Educação Infantil! Informem-se, conheçam os Parâmetros Curriculares da Educação Infantil e vejam quais são as necessidades das crianças nessa fase!
Fica aqui o meu alerta! Professoras, respeitem as etapas de desenvolvimento das crianças. A Educação Infantil é uma fase de desenvolvimento de HABILIDADES. Habilidades estas necessárias para a aquisição dos conteúdos a serem trabalhados no Ensino Fundamental. Não cobrem uma letra perfeita nem entupam as crianças com conteúdos na Educação Infantil! Informem-se, conheçam os Parâmetros Curriculares da Educação Infantil e vejam quais são as necessidades das crianças nessa fase!
Não acredito que a
coordenação motora fina deva ser desenvolvida através do treino de escrita com
letra cursiva. Existem muitas atividades mais divertidas que estimulam a
coordenação: brincar com massinha, cortar e recortar papel, desenhar e colorir.
Utilizar o mouse no computador, fazer atividades utilizando o paint, tudo isso
trabalha a coordenação motora fina, pois o cérebro se adapta às necessidades do
corpo!
Não sou contra o
ensino da letra cursiva, muito pelo contrário, só não acho que ele deva ser
antecipado ou cobrado antes da criança estar realmente alfabetizada. Primeiro
temos que formar leitores e escritores, para depois formarmos bons calígrafos.
Alguns alunos são
capazes de escrever o próprio nome com letra cursiva desde bem pequenos, mas
não são regra. Não devemos impedir a aprendizagem desses alunos, mas tudo deve
se dar de maneira bem natural, ensinado de forma correta, aceitando cada
tentativa de aprendizagem, sem cobranças.
A educação Infantil é momento de cortar, colar, rasgar, pintar, pular, correr, trabalhar o movimento de pinça, a coordenação motora fina e ampla, a percepção visual e auditiva, a observação, a consciência fonológica, a oralidade, o domínio do esquema corporal, a memorização, a concentração, a atenção e tantas outras habilidades que lhe serão muito úteis e necessárias na continuidade da sua escolarização. Queimar etapas é privar a criança de experiências realmente necessárias e prazerozas que só trarão benefícios para essa mesma criança mais tarde.
A educação Infantil é momento de cortar, colar, rasgar, pintar, pular, correr, trabalhar o movimento de pinça, a coordenação motora fina e ampla, a percepção visual e auditiva, a observação, a consciência fonológica, a oralidade, o domínio do esquema corporal, a memorização, a concentração, a atenção e tantas outras habilidades que lhe serão muito úteis e necessárias na continuidade da sua escolarização. Queimar etapas é privar a criança de experiências realmente necessárias e prazerozas que só trarão benefícios para essa mesma criança mais tarde.
IDCP - Instituto de
desenvolvimento e Capacitação Profissional
Transformando nossos sonhos de educação em realidade
Transformando nossos sonhos de educação em realidade
[1] Luciana
Martins Maia - Professora, jornalista, pedagoga, especialista em
Alfabetização, pós graduada em Avaliação Educacional e Gestão Integrada da
Educação (Gestão / Supervisão / Orientação Educacional), MBA em Gestão
Estratégica da Educação. Palestrante nas áreas de Alfabetização, Avaliação
Educacional e Gestão da Qualidade na Educação. Possui mais de 20 anos de
experiência como professora alfabetizadora, coordenadora pedagógica, além
de atuação na formação de docentes. Atualmente está a frente do IDCP (Instituto
de Desenvolvimento e Capacitação Profissional), dirigindo e ministrando cursos.
Também realiza consultoria para diversas instituições educacionais. contato:luciana@idcpro.com.br /
site: www.idcpro.com.br)
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