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segunda-feira, 29 de abril de 2019

Importância da FILOSOFIA em múltiplas acepções



Por: Elton Luiz Leite de Souza*


1. A filosofia não nasceu na Grécia. Ela foi deixada lá ainda criança, tal como aqueles bebês deixados à porta de alguém que inspira confiança. Inclusive, a tez da filosofia é mais escura e mestiça do que a branca pele grega. Há quem diga que seus pais eram Egípcios; outros afirmam que foram os Assírios que a conceberam; e há quem defenda ainda que os pais da filosofia foram os nômades povos do deserto que se guiavam pelas estrelas e que nenhum império, por mais que tentasse, conseguiu prender e escravizar. A porta em que a filosofia foi deixada para ser cuidada pertencia à casa de um homem digno chamado Tales, que deu o nome de Sofia à criança. Ele a criou e a ensinou a ficar de pé. Com Heráclito Sofia aprendeu a brincar; com Nietzsche, a dançar; e a fazer-se mais viva Sofia aprendeu com Espinosa, diante dos obscurantistas que a querem morta.

2. Quando alguém cobra honestidade dos políticos, este alguém está a filosofar, pois está exigindo uma virtude ética: a honestidade. E Ética é uma disciplina da filosofia. Quando alguém diz: “o que esse cara fala não tem lógica!”, também está a filosofar, pois Lógica é uma disciplina filosófica. Quando alguém sente: “Gosto dessa música!”, também filosofa, pois o “gosto” (assim como o belo, o feio, o cômico, o grotesco, o sublime, etc) é uma categoria da Estética, uma disciplina filosófica. Quando alguém diz: “Sou pragmático, odeio teorias”, também está a filosofar, pois “Pragmatismo” (assim como “Utilitarismo”) é uma corrente da filosofia. E mesmo quando alguém questiona : “para que estudar filosofia?”, também está a filosofar, pois questiona sobre a Teoria do Conhecimento (ou Epistemologia), uma disciplina da filosofia. Enfim, é impossível alguém estar vivo e não se colocar questões como: “O que é a vida ? O que é Deus? O que é o tempo? O que é a liberdade? O que é o amor? O que é a política? Quem eu sou?...” Não apenas para formular as perguntas, mas também para vislumbrar sentidos para elas, quem assim indaga também está a filosofar, mesmo que não tenha frequentado escola ou lido livros de filosofia, pois essas são questões de uma disciplina da filosofia chamada “Metafísica”. Uma coisa é a filosofia, esta se encontra registrada em livros escritos pelos filósofos; outra é o filosofar, cujo sinônimo é pensar. Os tiranos de toda ordem sempre temem o pensar, e fazem o máximo que podem para impedir que as pessoas, sobretudo os jovens, façam essa descoberta do pensar, ou se já o descobriram, não o exerçam (não importando a faculdade que tenham escolhido cursar). Descobrir o pensar é governar a si mesmo. E apenas os tolos e obedientes, os mortos em vida, dizem “amém” a essa “cicuta” que esses fascistas querem impor a todos (e não apenas aos filósofos e sociólogos)."

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* Possui Mestrado em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1997), Mestrado em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1995) e Doutorado em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2004). É professor adjunto da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro e professor adjunto da Faculdade de Filosofia de São Bento.

sábado, 27 de abril de 2019

Por que e para que estudar filosofia nos dias de hoje?

Publicado em 10 de Março de 2014. Texto na íntegra em[1] 


“A mente que se abre a uma nova ideia, jamais volta ao original”. 
[Albert Einstein]



Arlindo Nascimento Rocha


A filosofia exige um estudo contínuo, um ‘investimento a longo prazo’ que depende do nosso empenho e das nossas reais motivações, uma vez que ela configura-se como um saber eminentemente teórico. É um empreendimento pessoal que exige muitas horas de leitura, o domínio da exegese textual e de certos conceitos que nos permite acessar progressivamente e em grau cada vez mais exigente em termos de abstração e de formulação de ideias novas a partir do acervo filosófico universal, e, até mesmo tentar ser original nas nossas colocações.

Portanto, o estudo da Filosofia exige compreensão e não memorização dos conceitos, dado que os elementos essenciais da Filosofia são: os problemas, as teorias e os argumentos e os contra argumentos o que implica uma compreensão com vista à tomada de uma posição autónoma, radical e de conjunto, por forma a criarmos as condições necessárias, e, de modo racional, fazermos uma crítica a uma determinada realidade, sistema, objeto ou situação. É nesse âmbito que reside à atitude crítica do homem, fazendo o bom uso da razão, isto é, procurando descobrir o que está velado pelas aparências do cotidiano e ancorados no conhecimento empírico do senso comum ou pelas dogmas existenciais. O estudo da Filosofia exige coragem para ir, a fundo, quebrar paradigmas, ser original, atento e perseverante na busca da verdade e aceitar o desafio da mudança e do crescimento dialético e intelectual. 

Para o senso comum, argumentar é vencer alguém, forçá-lo a aceitar a nossa verdade. Esta definição é errada! Seja na escola, na política, no trabalho ou numa simples conversa saber argumentar é, primeiramente, saber compreender o raciocínio do outro. Argumentar é também conseguir o que desejamos, mas de uma forma construtiva e num sistema de conversa, onde devemos sempre ouvir o que o outro tem para dizer. O principal objetivo da argumentação é passar a nossa verdade para a verdade do outro.

Devido a grande complexidade e o grau de reflexão e abstração, a grande maioria das pessoas que começam a estudar filosofia desiste facilmente por considerarem a disciplina cansativa, abstrata e sem valor prático. No entanto, se analisarmos as razões que nos levam a estudar e tentar perceber esta antiga disciplina, será mais fácil e menos duro fazê-lo. Por isso, antes de abordar questões específicas da filosofia, enfatizarei algumas razões pela qual se considera fundamental para que o estudo da filosofia seja pelo puro prazer de aprender ou visando fins acadêmicos, políticos, religioso etc. Assim, analisarei alguns motivos que podem ser estímulos ao estudo da filosofia, uma vez que o estudo filosófico faculta o desenvolvimento da capacidade de argumentar, a capacidade crítica, o raciocínio lógico e melhora o desempenho profissional em qualquer área.

 Naturalmente, os seres humanos sempre valorizaram e cada vez mais a importância da argumentação na vida cotidiana bem como na vida profissional, seja na academia, na politica ou no dia-a-dia. Com o estudo sistemático da filosofia aumentamos consideravelmente a nossa capacidade de reflexão crítica e o nosso poder de argumentação, sobre vários assuntos, embora saibamos que carregamos um arsenal epistemológico limitado, por isso, a filosofia nos dá essa responsabilidade questionadora que nos leva numa aventura ao desconhecido mediante uma investigação profunda, metódica e isenta através de questões, ou seja, precisamos questionar o mundo, as pessoas e a nós mesmos para que possamos adequar nossas argumentações.

A procura do aprimoramento dessa competência remonta os primórdios da filosofia Grega em que os sofistas, considerados os mestres da retórica, já faziam o uso desse recurso para convencer os seus interlocutores sobre a relatividade da verdade factos em contraponto com o mestre Sócrates que defendia e acreditava numa verdade universal. Por outro lado, como se sabe, a filosofia não constitui um conjunto de saberes dogmatizadas e estanques, ela é uma área aberta a novas ideias, novos conceitos, novos desafios. Assim, essa abertura se traduz numa enormidade de diferentes formas de pensamento que consequentemente nos proporcionam as ideias e soluções para os problemas que se nos impõem.

Portanto, para o estudante de filosofia é necessário uma atitude de investigação, reflexão crítica incessante valorizando a realidade, pois os filósofos  procuram resolver os problemas que surgem da experiência do dia-a-dia, para depois se aventurar na procura de soluções cada vez mais abstratas e difíceis de compreender. Isto acontece porque, se o filósofo não for além dos conceitos que foram deturpadas pelo senso comum e dos preconceitos presentes na sociedade, então ele não conseguirá elevar-se a novas ideias ou novas formas de pensamento.

O estudante de filosofia necessita de ser uma pessoa aberta a novas ideias e formas de pensar, pois isso aumentará significativamente o seu capital intelectual. Nesse aspecto a filosofia é essencial, pois, almeja contribuir para estimular o desenvolvimento de cidadãos pensantes, reflexivos e críticos. Ao apostar no estudo sistemático da filosofia independentemente do tema ou assunto, as capacidades críticas de raciocínio vão sendo treinadas e aprimoradas. Isto acontece porque, ao analisar cada vez mais questões filosóficas ou enigmas lógicos, o nosso cérebro vai progressivamente aumentando a sua capacidade crítica. Ou seja, ao longo do tempo cada indivíduo será bem capaz de colocar questões e encontrar respostas mais eficazes aos problemas ao invés de se contentar apenas com uma simples solução baseado no senso comum e em soluções triviais para problemas inquietantes.

Por outro lado a filosofia também é uma ferramenta essencial a qualquer profissional que queira desenvolver as suas habilidades e competências intelectuais e alcançar o sucesso na sua área profissional. Ao dominar alguns conhecimentos do foro filosófico adquire-se e melhora-se como orador para grandes públicos que possam, eventualmente, colocar-lhe questões que não tinha nos seus planos. Com a ajuda da filosofia e da lógica aprende-se a argumentar corretamente, expressando e justificando nossas opiniões, bem como provocar a livre adesão dos nossos interlocutores às nossas ideias mediante argumentos sólidos e válidos.  Assim, podemos organizar racionalmente de forma coerente e congruente nossos pensamentos e  avaliar a validade dos argumentos que nos são apresentados, contribuindo assim para desenvolver a emancipação, a autonomia do espírito crítico e reflexivo uma vez que, vivemos em sociedade, precisamos de comunicar, expor as nossas ideias e defender os nossos pontos de vista.  Se o fizermos com rigor e clareza, tudo se torna mais fácil e conseguimos fazer com que as nossas ideias sejam melhores compreendidas e aceites intelectualmente pelos nossos interlocutores. 


REFERÊNCIAS

ABRÃO, Bernardette Siqueira. História da Filosofia. - São Paulo: Nova Cultural, 1999. (Col. Os Pensadores)
ALVES, Maurício Martins. Lógica: uma introdução. - Taubaté: Edição Própria, 2000.
CHAUÍ, M. Convite à Filosofia. - 13ª ed. - São Paulo: Ática, 2005.
MARTINS, Maria Helena; ARANHA, Maria Lúcia de Aaaruda. Filosofando: introdução à filosofia. - 3ª ed. - São Paulo: Moderna, 2004.
TELES, António Xavier. Introdução à Filosofia. 21ª ed. - São Paulo: Ática, 1984.
WEBER, Max. Ética protestante e o espírito do capitalismo. 4ª ed. - São Paulo: Martin Claret, 2001.






sexta-feira, 8 de março de 2019

O que é necessário para que haja uma educação de qualidade?




Alcançar uma educação de qualidade não é uma tarefa fácil, porém, não é impossível, diria mais, é possível desde que haja investimentos necessários para tal. É uma tarefa que requer tempo e investimento em ações concretas e integradas, desde a formação continuada dos professores, investimento na melhoria e na adequação das infraestruturas, aposta nas novas tecnologias de formação e informação, utilização de metodologias ativas e participativas, em que os alunos sejam autores e construtores da sua própria aprendizagem, sem esquecer a questão salarial de todos os profissionais da educação e a aposta numa gestão escolar integrada, democrática e construtiva.


É preciso que o ensino de qualidade tenha como desafio situar o ensino e a aprendizagem de forma ampla, partindo da história individual e coletiva dos alunos, proporcionando assim novas experiências com a finalidade de aperfeiçoar suas habilidades e competências, frente às suas inseguranças e de entender melhor os acontecimentos sociais atuais.

Uma educação de qualidade passa necessariamente pela transformação social, contudo, nada disso é possível se as sementes da autonomia, da criatividade, da criticidade e da reflexão não forem depositadas em terreno fértil desde a tenra idade, ou seja, é preciso não só transmitir conteúdos, mas, ensinar os nossos alunos a pensar e agir de forma consciente.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

A ROLHA PEDAGÓGICA


[Adaptado]



Um Supervisor visitou uma escola fundamental. Em seu trajeto observou algo que lhe chamou a atenção: Uma professora estava entrincheirada atrás de seu escritório, os alunos faziam a maior bagunça; o quadro era caótico. Decidiu, então, se apresentar:

- Com licença, sou o Supervisor... Algum problema?
- Estou completamente perdida senhor, não sei o quê fazer com estas crianças... Não tenho lâminas de apresentações, não tenho livros, o ministério não envia sequer o mínimo material didático, não tenho recursos eletrônicos, não tenho nada novo para lhes mostrar, nem o que lhes dizer!

O Supervisor, que era um docente de alma, viu uma rolha sobre o escritório, a tomou, e com serenidade oriental falou com as crianças:

- Alguém sabe o que é isto? –
- Uma rolha! - gritaram os alunos surpresos.
- Muito bem. E de onde vem a rolha? -
- Da garrafa. Uma máquina a coloca. De uma árvore. Da cortiça. Da madeira. – respondiam as crianças animadas.
- E o que dá para fazer com madeira? – continuava entusiasta o docente.
- Cadeiras. Uma mesa. Um barco! -
- Muito bem, Então teremos um barco. Quem se anima a desenhá-lo? Quem faz um mapa na lousa e indica o porto mais próximo para o nosso barquinho? Escrevam a qual Estado brasileiro corresponde. E qual é o outro porto mais próximo que não é brasileiro? A qual país corresponde? Alguém lembra que personagens famosos nasceram ali? Alguém lembra o que produz esse país? Por acaso, alguém conhece alguma canção desse lugar?

E assim, começou uma aula variadíssima de desenho, geografia, historia, economia, música, etc. A professora ficou muito impressionada. Quando a aula terminou, comovida, disse ao Supervisor:


- Senhor, nunca esquecerei a valiosa lição que hoje me ensinou. Muitíssimo obrigada!!! 

O tempo passou. O Supervisor voltou à escola e procurou pela professora. A encontrou novamente encolhida atrás de seu escritório, os alunos, outra vez, em desordem total.

- Mas, professora, o que houve? Lembra de mim? -

- Mas é claro, como poderia esquecê-lo? Que sorte que o senhor voltou! Não encontro a rolha. Onde a deixou? 


Quando alguém não tem formação e atenção a experiência para o que deve realizar, nunca vai achar a "rolha"!

[ Autor(a) desconhecido(a)]

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Modelos e práticas do ensino religioso e diversidade religiosa em sala de aula



[...] "Arlindo Nascimento Rocha, mergulha neste campo de estudos que merece maior atenção e reflexão. O autor faz uma discussão teórica a respeito do comportamento social e religioso dos cidadãos. A intenção é a multiplicação dos conceitos bases deste estudo em que, quebrando barreiras, é possível que seja integrada ao processo educativo. Salienta, porém, que é preciso cultivar “a liberdade, o respeito e a tolerância religiosa”.


FONTE: 
A aprendizagem na atualidade: dos saberes às práticas. Leia Mayer Eyng, Patricia Bieging, Raul Inácio Busarello, Vania Ribas Ulbricht - organizadores. São Paulo: Pimenta Cultural, 2018. 127p.

E-Book disponível em: 

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

EDUCADOR

Reflexões sobre práticas pedagógicas diversas do educador 

ANTUNES, Celso. Professores e professauros: reflexões sobre a aula e práticas pedagógicas diversas. Petrópolis: Editora Vozes, 2012[1]

EDUCADOR 

E – “Empatia” sou capaz de sentir o aluno em mim, percebendo não como cliente, mas como um ser em construção que precisa do meu auxílio para aprender a aprender, descobrir-se e aprender a ser?

D – “Didática” estou seriamente empenhado em descobrir meios para fazer a minha aula, um afetivo instrumento de construção de saberes que aflora a competências? Ensino, realmente, meu aluno a fazer?

U – “União” constitui ferramenta essencial para um ensino eficiente. Não apenas ajudo os meus alunos, mas me aprimoro sempre na busca mais de cada vez mais aprender a viver juntos?

C - “Confiança em meu aluno” sou capaz de perceber que as suas dificuldades e as suas limitações decorrem não da sua, mas da minha condição de educador? Se algum aluno não aprende como o meu jeito de ensinar, sou criativo para ajudá-lo em seu jeito de aprender?

A – “Administrador de competências” efetivamente a minha aula ensina o meu aluno a perguntar, investigar, pesquisar, comparar, analisar, sintetizar, classificar, aplicar. Enfim, a exercer capacidade em aprender?

D - “Domínio” sobre os saberes que envolvem as matérias transmitidas em minhas aulas. Se não apenas o que informo, mas descubro estratégias para transformar informações em conhecimentos em informação?

O - “Optimista” creio que não existe educação sem transformação, mas acredito no poder transformador de meus alunos, não apenas pelos sabres da disciplina que aprendem a contextualizar, mas pelos valores que exercitam?

R – “Relações interpessoais” o educador jamais pode abdicar da sua responsabilidade de ajudar seus alunos a fazerem-se amigos de si mesmo e a construírem relações de amizade com outros e, para que isso ocorra, não basta a intenção, é essencial saber “quando” e saber “como fazer”, e esse fazer implica conhecer procedimentos para promover relações sólidas e significativo entre o aluno. O educador não nasce pronto. Forma-se ao logo da sua própria caminhada de professor, observando em sua experiência, esta ou aquela ação, este ou aquele cuidado. É por essa razão que esse acróstico serve mesmo como ilustração e mais como proposta de início de uma autoavaliação. Ao repensar sua prática pedagógica espera-se que o professor pontue cada uma das letras que forma esse acróstico, descobrindo em quais está pronto e em quais é necessário evoluir. Como esta intenção, descobrirá que o acróstico é incompleto e que um verdadeiro educador agrega a sua ação ainda outros procedimentos. Mas com serenidade saberá identifica-los e incorporá-los, distanciando-se cada vez mais as rotinas de professauros.




[1] Currículo: Celso Antunes – nascido em São Paulo, 1937
formação:  bacharelado e licenciatura: geografia – especialista em inteligência e cognição – mestre em ciências humanas, universidade de Pão Paulo, 1968/1972 . 
Atuação:
ü  Membro da associação internacional pelos direito da criança brincar (UNESCO); Embajador de la educacion – organización de estados americanos; Membro fundador da entidade “todos pela educação”; Consultor educacional da fundação roberto marinho (canal futura); Exército brasileiro – colaborador emérito
Produção intelectual:
ü  Autor de mais de 180 livros didáticos – ed. Do brasil, ed. Scipione. Ed ao livro técnico e outras; Autor de cerca de 100 livros sobre temas de educação – ed. Vozes. Ed. Papirus. Editora paulus, editora loyola, ed. Artmed. Ed. Rovelle ed. Ciranda cultural e outras; Obras traduzidas: argentina, méxico, peru, colômbia, espanha, portugal e outros países.
Palestras e cursos:
ü  Ministrou palestras e cursos em todos os estados do país, mais de 500 municípios;
ü  Ministrou palestras e cursos na argentina, uruguai, peru, méxico, portugal, espanha e outros países.

Fonte: http://www.celsoantunes.com.br/biografia/

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

VI Simpósio Luso-Brasileiro de Filosofia da Religião e Ciência da Religião:

Experiências Religiosas e Mídias Sociais no Contexto da Sociedade da Pós-Verdade




Coordenação

Prof. Dr. José J. Queiroz

Ementa:
A temática Experiências Religiosas e Mídias Sociais no Contexto da Sociedade da presumida Pós-Verdade assume como perspectiva basilar investigar as múltiplas possibilidades de experiências religiosas mediadas pelas mídias sociais, em um contexto marcado pela pós-verdade. As mídias sociais configuram-se, no contemporâneo, como locus privilegiado de comunicação e difusão de ideias e valores. Têm sido assumidas como campo fértil para a propagação de mensagens religiosas. No ambiente virtual viceja a interpretação solta, subjetiva, descompromissada com a noção de uma verdade objetiva. É importante analisar quais os impactos para a experiência religiosa de interpretações que abrem mão de uma concepção objetiva de verdade, amplamente replicadas via mídias sociais.

Mesa de Abertura
Prof. Dr. Frank Usarski / Prof. Dr. José J. Queiroz / Prof. Dr. João Duque
Definicio Terminorio.

Mesa Temática 1
Mediador Prof. Dr. Adelino Francisco de Oliveira
A Verdade da Experiência Religiosa na Internet e nas Mídias Sociais.
Partindo da analise do conceito de experiência religiosa, debater como tal experiência se faz presente no universo da Internet e das mídias sociais.

Mesa Temática 2
Mediadora Prof.ª Dra. Maria Luiza Guedes
A Mensagem Religiosa diante da Cultura da Pós-Verdade.
Analisar como a experiência religiosa que se articula a verdade dialoga com a cultura da pós-verdade.

Mesa Temática 3
Mediador Mestrando Victor Aversa
Experiência Religiosa e Transformação Social entre o Senso Comum e a Pós-Verdade.
Avaliar e perspectivar possibilidades de transformação social a partir das experiências religiosas que demarcam o contemporâneo.

Conferência de Encerramento
Autoridades e lideranças religiosas no tempo das mídias digitais.

Para mais informações, clique em: 




terça-feira, 14 de agosto de 2018

A descentralização e democratização da gestão escolar



Muito embora as concepções de descentralização, democratização da gestão escolar e autonomia da escola sejam parte de um mesmo corolário, encontramos certos sistemas que buscam o desenvolvimento da democratização da gestão escolar, sem pensar na autonomia do estabelecimento de ensino e sem descentralizar o poder para a mesma. Por outro lado, ainda, observa-se o esforço de alguns sistemas de ensino, no sentido de desenvolver nas escolas os conceitos de democratização e autonomia, de modo centralizado, o que implica uma contradição paradigmática muito comum, que faz com que os esforços se anulem.

Em consequência, é possível identificar certa diversidade de orientações e expressões que manifestam graus de intensidade diferentes em relação ao seguimento dos paradigmas. Isso porque o grau de maturidade de diferentes grupos e segmentos varia. É em função disso que podemos afirmar que vivemos em uma condição de transição entre um paradigma e outro, de que resultam algumas tensões e contradições próprias do processo.

Por que hoje há tendência à descentralização? Conforme Ana Luiza,

[...] é porque o mundo passa por mudanças muito rápidas. Na verdade, a globalização coloca cada dia um dado novo, cada dia, uma coisa nova. Há necessidade de adaptação e de constante revisão do que está acontecendo. Então, isso gera a necessidade de que o poder decisório esteja exatamente onde a coisa acontece. Porque, até que ele chegue aonde é necessário, já houve a mudança, as coisas estão diferentes, e aí aquela decisão já não tem mais sentido (MACHADO,1999, p. 86).

O movimento de descentralização na educação está relacionado com o entendimento de que apenas localmente é possível promover a gestão da escola e do processo educacional pelo qual é responsável, tendo em vista que, sendo a escola uma organização social e o processo educacional que promove altamente dinâmico, qualquer esforço centralizado e distante estaria fadado ao fracasso.

É preciso reconhecer que a descentralização tem sido praticada tendo como pano de fundo não apenas essa perspectiva de democratização da sociedade, mas também a de promover melhor gestão de processos e recursos e, ainda, como condição de aliviar os organismos centrais que se tornam sobrecarregados com o crescimento exponencial do sistema educativo e a complexidade das situações geradas, que inviabilizam o controle central.

De qualquer modo, esse processo, como todo movimento social, é sujeito a contradições. A contradição evidenciada na educação brasileira não invalida o movimento, apenas registra um aspecto natural do mesmo. É importante registrar o que comumente se descentralizam são recursos e espaços para a tomada de decisão, mas que, como a cultura escolar não está criada e estabelecida para fazê-lo, adequadamente, centralizam-se ações no sentido de criar mecanismos de influência sobre a escola para fazê-lo e prestar contas do processo.

A descentralização da educação é, por certo, um processo extremamente complexo e, quando se considera o caso do Brasil, a questão se complexifica ainda mais, por tratar-se de um País continente, com diversidades regionais muito grandes, com distâncias imensas que caracterizam, também, grande dificuldade de comunicação, apesar de vivermos na era da comunicação mundial em tempo real.

Desse modo, a descentralização educacional não é um processo homogêneo e praticado com uma única direção. Como se trata de um processo que se refere à transferência de competências para outros níveis de governo e de gestão, do poder de decisão sobre os seus próprios processos sociais e os recursos necessários para sua efetivação, implica existência ou construção de competência, daí a impossibilidade da homogeneidade apontada.

É em decorrência de tal situação que, em muitos casos, pratica-se muito mais a desconcentração, do que propriamente a descentralização, isto é, realiza-se a delegação regulamentada da autoridade, tutelada ainda pelo poder central, mediante o estabelecimento de diretrizes e normas centrais, controle na prestação de contas e a subordinação administrativa das unidades escolares aos poderes centrais, em vez de delegação de poderes de autogestão e autodeterminação na gestão dos processos necessários para a realização das políticas educacionais.

A desconcentração, parece ser mais o caso praticado no Brasil, em nome da descentralização, estando, no entanto, esse movimento se conduzindo para uma descentralização mais plena. Conforme, ainda, apontado por Parente e Lück (1999, p. 13),

o que vem ocorrendo na prática educacional brasileira (...) é o deslocamento do processo decisório, do centro do sistema, para os níveis executivos mais próximos aos seus usuários, ou seja, a descentralização do governo federal para as instâncias subnacionais, onde a União deixa de executar diretamente programas educacionais e estabelece e reforça suas relações com os Estados e os municípios, chegando até ao âmbito da unidade escolar. Da mesma forma, os sistemas estaduais vêm adotando política similar, ou seja, transferem recursos e responsabilidades com a oferta de serviços educacionais, tanto para o município, quanto diretamente para a escola.

A municipalização do ensino e a escolarização da merenda são práticas bem-sucedidas, nesse sentido. A descentralização é um processo que se delineia, à medida que vai sendo praticado, constituindo uma ação dinâmica de implantação de política social, que visa estabelecer, conforme indicado por Malpica (1994), mudanças nas relações entre o sistema central, pela redistribuição de poder, passando, em consequência, as ações centrais, de comando e controle, para coordenação e orientação (descentralização política); pela abertura à autodeterminação no estabelecimento de processos e mecanismos de gestão do cotidiano escolar, de seus recursos e de suas relações com a comunidade (gestão administrativa e financeira).

Conforme apontado por Parente e Lück (1999), conduz a escola à construção de sua identidade institucional, constituída pela formação da capacidade organizacional para elaborar seu projeto educacional (descentralização pedagógica), mediante a gestão compartilhada e a gestão direta de recursos necessários à manutenção do ensino. Portanto, construindo sua autonomia.

REFERÊNCIAS

MACHADO, Ana Luiza. Formação de gestores educacionais. In: CENTRO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM EDUCAÇÃO, CULTURA E AÇÃO COMUNITÁRIA. Gestão educacional: tendências e perspectivas. São Paulo: Cenpec, 1999.

PARENTE, Marta, LÜCK, Heloísa. Mapeamento da descentralização da educação brasileira nas redes estaduais do ensino fundamental. Brasília: Ipea/Consed, 1999.
MALPICA, Carlos N. F. Descentralización y planificación de la educación : experiencias recientes en países de América Latina. - Paris: Unesco/IIPE, 1994. 

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Nelson Rolihlahla Mandela (1918-2013)



Nelson Rolihlahla Mandela (1918-2013) 



1918 - Nasce na localidade de Mvezo, atual província do Cabo Oriental;
1944 - Ingressa no Congresso Nacional Africano (CNA); 
1952 - É processado de acordo com a Lei para a Supressão do Comunismo do governo do Apartheid Sul africano. Recebe sentença de prisão, depois suspensa;
1962 - Deixa o país secretamente e recebe treinamento militar na Argélia. de volta ao país, é condenado a cinco anos por incentivar revoltas;
1964 - É condenado a prisão perpétua, escapando por pouco da pena de morte;
1985- Rejeita a oferta de Pieter Botha, então presidente da África do Sul, de ser libertado em troca de renunciar à violência;
1990 - É libertado da prisão. No mesmo ano Frederik De Klerk, o último presidente branco do país, acaba com a proibição do CNA, que teve inicio em 1960;
1993 - Ganha o prémio Nobel da Paz, junto com De Klerk;
1994 - É eleito o primeiro presidente negro da África do Sul; 
2013 - Morre ao 95 anos em Joanesburg.   

Nelson Mandela, no dia de seu casamento com Winnie Mandela, em maio de 1958.



No dia 16 de junho de 1964,  Mandela, foi sentenciado à prisão perpétua no julgamento de Rivonia.



 Mandela, junto a sua esposa Winnie, abandona a prisão depois de ser libertado após 27 anos na cadeia, em 1990.



 Mandela, investido 'Doutor Honoris Causa' pela Universidade Complutense, em Madri, durante a visita que realiza em Espanha para agradecer o apoio contra o apartheid.




 Mandela  ergue o punho após a atuação da banda sul-africana Ladysmith Black Mombasa, durante a cerimônia de entrega do Prêmio Nobel da Paz em Oslo, em 1993.




Mandela, regressa à cela que ocupou durante 27 anos, no quarto aniversário de sua saída da prisão, em 1994.




 Mandela, faz o juramento durante a cerimônia de posse em Pretória, depois das primeiras eleições multirraciais no país, no dia 10 de maio de 1994




 Mandela, em um ato durante seu primeiro mandato, na Cidade do Cabo, África do Sul, em 1995.





 Mandela entrega o troféu ao capitão da equipe de rugby, Francois Pienaar, após a vitória contra a Nova Zelândia  na final da Copa do Mundo de Rugby de 1995.




 Mandela aperta a mão da rainha Elizabeth II da Inglaterra, durante uma parada da Guarda à cavalo em Londres, em sua primeira visita oficial ao Reino Unido, em 1996. 



 Mandela, se casa com a namorada Graça Machel, viúva do ex-presidente moçambicano Samora Machel, na residência presidencial de Pretória, no dia de seu 80º aniversário. Ele se divorciou de Winnie Mandela em 1996.


 Mandela, cumprimenta Diana, princesa de Gales, durante uma visita de Lady Di à Cidade do Cabo, no dia 17 de março de 1997. 


O papa João Paulo II recebe  Nelson Mandela, em audiência privada no Vaticano, em junho do 1998.


O presidente  Bill Clinton, aplaude   Mandela, após condecorá-lo com a Medalha de Honra do Congresso dos Estados Unidos, no Capitólio em Setembro de 1998.


 Mandela na praça Trafalgar durante o show pela democracia sul-africana, celebrado em Londres  para enfatizar os sete anos de democracia no país, em 2001.


Em junho de 1999,  Mandela deixa a política. Cede seu lugar no Parlamento a Thabo Mbeki, durante a sessão na que este foi eleito novo presidente do país, depois das segundas eleições legislativas.  Em 2004, um ano após ser diagnosticado com câncer de próstata, Mandela anunciou sua retirada definitiva da vida pública.


 Mandela, cumprimenta o líder cubano, Fidel Castro, durante uma visita na casa de Mandela em Houghton, Johannesburgo, no dia 2 de setembro de 2001.


 Mandera posa com o troféu da Copa do Mundo após ser anunciado que África do Sul sediaria a Copa do Mundo de 2010 em Zurique (Suíça), no dia 15 de maio de 2004.


 Mandela em sua fundação em Johannesburgo (África do Sul), antes de receber um grupo de estudantes, em 2 de junho de 2009.


 Mandela, junto a sua esposa, Graça Machel, durante a cerimônia de encerramento da Copa do Mundo de Futebol da África do Sul 2010, no estádio Soccer City de Johanesburgo. Esta seria sua última aparição pública.


 Mandela na casa de sua família em Qunu (África do Sul), durante seu aniversário, no dia 18 de julho de 2012.


O caixão de Mandela chega ao aeroporto de Mthata, na província de Eastern Cape, para o funeral celebrado na casa de sua família, em Qunu (África do Sul), no dia 15 de dezembro de 2013.




Fontes


100 anos de Nelson Mandela, o líder da luta contra o apartheid (22 fotos) . Disponível em: < https://brasil.elpais.com/brasil/2018/07/17/album/1531828042_969782.html#foto_gal_1>. Acesso em 18/07/2018.

Folha de São Paulo. Legado de Nelson Mandela nem sempre é respeitado, afirma ex-secretária. Disponível e: < https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2018/07/legado-de-nelson-mandela-nem-sempre-e-respeitado-afirma-ex-secretaria.shtml>. Acesso em18/07/2018.