Pesquisar neste blogue

Traduzir para outras idiomas

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Ética na gestão escolar


A sociedade brasileira é intrinsecamente complexa e pluralista, tendo em vista a heterogeneidade do comportamento social, político e educacional. Isso implica, nomeadamente, que os aspectos próprios de cada contexto e suas diferenciações, estejam presentes de forma fundamentada e planejada na educação formal, que se pretende implementar nas escolas.

Atualmente a escola enfrenta o desafio em realizar um trabalho, não somente de formação acadêmica dos alunos, mas principalmente definir qual o seu objetivo central a nível de conduta ética e moral perante toda comunidade escolar e para a vida. 

 Nesse contexto, onde a cidadania é uma pedra basilar e a formação integral do indivíduo uma meta a atingir, gerenciar uma instituição escolar, vai além de cumprimento inescrupuloso de meros protocolos administrativos de forma centralizada e individualizada. A instituição escolar abrange um universo heterogêneo, no qual estão indivíduos com origens, caraterísticas e personalidades distintas que precisam ser atendidas e respeitadas na sua individualidade, por isso, ressalto Paro (2008, p. 130):
O gestor escolar tem de se conscientizar de que ele, sozinho, não pode administrar todos os problemas da escola. O caminho é a descentralização, isto é, o compartilhamento de responsabilidades com alunos, pais, professores e funcionários. Isso na maioria das vezes decorre do fato de o gestor centralizar tudo, não compartilhar as responsabilidades com os diversos atores da comunidade escolar. Na prática, entretanto, o que se dá é a mera rotinização e burocratização das atividades no interior da escola, e que nada contribui para a busca de maior eficiência na realização de seu fim educativo.

  Há um grande desafio, para o gestor escolar em realizar um trabalho que de fato seja construtivo para comunidade escolar da qual faz parte. Sendo assim, os princípios éticos de um gestor na comunidade escolar são fundamentais, para o êxito de todos que estão participando do ambiente escolar. Ser ético enquanto gestor escolar significa organizar ações que visem harmonizar o convívio entre os indivíduos do universo escolar.

 Ética na gestão escolar, esta pautada não somente em princípios pessoais do gestor, mas principalmente, na importância destes, na condução do trabalho de todos os envolvidos na comunidade escolar, qual a contribuição de fato para o reconhecimento de que todos que ali estão, são responsáveis direto, para o desenvolvimento e execução de um trabalho eficaz que permita o reconhecimento da importância de ser sujeito efetivo, da construção de um trabalho em conjunto.
O ato ético dificilmente é captado em sua totalidade pelo discurso ético, portanto estabelecer uma universalidade ou objetividade é extremamente difícil. Tal ato implica em conflitos que se manifestam nas relações cotidianas intersubjetivas, e a eticidade se qualifica tanto mais por sua problematização do que por outras formas de ser.

Os desafios do mundo da prática provocam, por vezes, conflitos entre aquilo a que o discurso se propõe e o que a prática constitui. Expressa a tática dos diferentes atores e as estratégias que adotam para a resolução desses conflitos, inclusive na construção de uma ética pessoal, constituindo as dimensões reflexivas sobre uma ética aplicada em seu poder exploratório. Assim, pensar nos contextos éticos não é simplesmente estabelecer a ética ou regras de conduta específicas para cada tipo de atividade, em vez disso, é iluminar os aspectos práticos da decisão de propor novos instrumentos para nova reflexão e ação.

A ética, então, não é separável da teoria da ação. Ela deriva sua significação a partir da aplicação prática dos princípios para o bem dos outros ou da equidade coletiva. Ela pressupõe a consciência de suas nascentes e seus efeitos reais, objetivando adquirir ou inventar formas de ser ético sem perder de vista a necessidade de reflexão aprofundada sobre as motivações e os meios para construir e desenvolver a humanidade.

Dessa forma, se não houver um esforço para estimular à prática da conduta ética, valorizando a credibilidade, a reputação, a transparência e a correção na condução e execução de rotinas, e, principalmente, no relacionamento pessoal com os colegas, professores, alunos, pais, a imagem da escola, pode estar sob constante ameaça.

Por isso, desenvolver a consciência ética é um objetivo que exige dedicação permanente através do acompanhamento e da avaliação das atitudes de todos os colaboradores, é uma atividade que exige o comprometimento de cada um dos gestores. Além disso, gestores que usam a fantasia de "chefe", costumam desmotivar os professores mais qualificados e talentosos, que se sentem oprimidos diante da ineficiência e das consequentes injustiças.

 Todo esse quadro interfere diretamente na manutenção de um ambiente de trabalho pouco saudável. Nesse cenário, os resultados até podem aparecer, mas, provavelmente, não serão consistentes.

Como se sabe, o mundo, como sempre, está mudando. Mas há uma diferença. Os avanços e as mudanças sociais, políticas e educacionais dos últimos anos atingiram a sociedade com velocidade impressionante. Este impacto se traduz numa crescente crise de valores, exigindo que posições e opiniões anteriormente imutáveis sejam revistas. Há uma necessidade de aprender, de descobrir e de, principalmente, desenvolver uma sensibilidade adequada a estes novos tempos.

Restam poucas dúvidas que o exercício profissional marca a existência de cada um de nós, mexendo com a inteligência, a afetividade, os princípios e os valores. No caso da educação escolarizada é relevante destacar que a profissão docente é ética por excelência; é um ato de “professar”, ou seja, exercer pública e socialmente o ato ético de contribuir na formação de pessoas (conduzindo e influenciando ações), no qual é constante a necessidade de decidir, de agir prudentemente, enfim, de fazer escolhas conscientes e valorações. Portanto, destacamos o conceito de ética, disponível em[1].
A eticidade consiste em um dos princípios fundamentais do Código Civil de 2002. Este princípio tem como consequência necessária o princípio da boa-fé objetiva, e significa que os indivíduos devem agir em boa-fé nas relações de caráter civil. Juntamente com os princípios de operabilidade e sociabilidade, o princípio da eticidade constitui um pilar importante do Código Civil Brasileiro, porque atribui valor à dignidade do ser humano. De acordo com esse princípio, um indivíduo deve ser íntegro, leal, honesto e justo. Isso significa que qualquer atitude que vá contra o princípio da eticidade deverá ser punida. A eticidade, sendo uma das características do código civil, garante que ele tem "sustentação ética", porque reconhece e valoriza a probidade, a solidariedade social e outras qualidades do ser humano.

Assim, no exercício da gestão educacional há reflexões pertinentes a serem procedidas constantemente, uma vez que ela implica em posturas e ações de decisão, escolha e valorações. A complexidade das inter-relações e interações na contemporaneidade, na qual um conjunto unitário e universal de valores não abarca todas as suas implicações, exige a presentificação da diversidade, da multiplicidade, da diferença que se impõe ao olhar ao interagir com os outros.

É preciso que o gestor esteja informado e consciente de que, na gestão de “sujeitos” e instituições educativas é central a necessidade de enfrentar os diversos desafios cotidianos com a ousadia da inovação, do diálogo e da prática de princípios e valores incontestáveis como a solidariedade, a justiça, o respeito mútuo, a tolerância, a participação coletiva, entre outros. Por si só, isso leva a interligação entre a reflexibilidade ética e o exercício de uma gestão educacional competente e prudente, garantindo assim a sustentabilidade do sistema e uma maior integração e sucesso no ensino e aprendizagem dos alunos.

In: SILVA, Magda Cristiane Elias. Poder Institucional e a Prática do Gestor Escolar: “A necessidade de se refletir sobre a prática gestora na escola”. Monografia de Pós-Graduação, UCP/IPETEC, 2015.




[1] Dicionário de Significados.com.br. Disponível em: http://www.significados.com.br/eticidade/. Acessado 14/05/2015

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Limites epistemológicos da gestão/administração e da gestão democrática

 


Tendo em conta a natureza do trabalho, e por uma questão de rigor metodológico, teremos como primeira tarefa estabelecer um diálogo que visa esclarecer alguns conceitos, que poderão posteriormente causar mal entendidos. Por isso, tentaremos delimitar epistemologicamente, os conceitos de gestão como administração (gestão/administração) e a gestão democrática participativa, numa tentativa de estabelecer a natureza e os limites epistemológicos de cada conceito, sistematizando as semelhanças e diferenças dentro do nosso campo de estudo.

Iniciaremos o diálogo entre os conceitos fazendo a clarificação do conceito de gestão e administração, para depois nos atermos detalhadamente no objeto de estudo, ou seja, a gestão democrática e participativa nas escolas públicas.

Os conceitos gestão/administração[1] têm origem latina (gerere e administrare). Assim, subjacente ao primeiro conceito, (gestão) está subentendido as ações de governar, conduzir, dirigir. E, subjacente ao segundo conceito (administração) estão às ações de gerir um bem, defendendo os interesses daquele que o possui – constituindo-se em uma aplicação do gerir. De acordo com Andrade (2001), a palavra portuguesa, gestão, em seu sentido original, vem do termo latino “gestio”, que expressa à ação de dirigir, de administrar e de gerir a vida, os destinos, as capacidades das pessoas e as próprias coisas que lhes pertencem ou que delas fazem uso. Segundo o que foi visto, podemos compreender a gestão como sendo um conjunto de funções burocráticas, destituídas de uma visão humanística e participativa e corporativa, onde as ações estão voltadas para a orientação do planejamento e distribuição de bens e da produção desses bens.

 Fica fácil entender que, a visão tradicional do paradigma da gestão/administração foi ultrapassada tendo em conta os novos desafios que a sociedade contemporânea exige dos sistemas educativos.
Para Heloísa Lück, a mudança mais significativa que se pode registrar é a do modo como enxergamos a realidade e de como dela participamos, estabelecendo sua construção. No geral, em toda a sociedade, observa-se o desenvolvimento da consciência de que o autoritarismo, a centralização, a fragmentação, o conservadorismo e a ótica do dividir para conquistar, do perde-ganha, estão ultrapassados, por conduzirem ao desperdício, ao imobilismo, ao ativismo inconsequente, à irresponsabilidade por atos e seus resultados e, em última instância, à estagnação social e ao fracasso de suas instituições. (Lück, Heloísa, 2000)

Sendo assim, surgiu um novo paradigma de gestão dos estabelecimentos de ensino, onde o foco é a participação efetiva de todos os integrantes, ou seja, a gestão democrática e participativa[2], como fator de transformação de concepções e ideias ultrapassadas e enraizadas no sistema educacional que apesar do legado, já não satisfaz os desejos e as ambições de todos os que estão direta ou indiretamente ligados à educação, principalmente à rede pública. 

É nesse âmbito de quebra de paradigma[3], que surge então o conceito de gestão democrática e participativa, cujo termo encerra em si o caráter democrático e participativo. Pode parecer redundante a utilização das expressões citadas, mas é uma redundância importante, uma vez que, reforça as dimensões mais importantes da gestão democrática, sem a qual esta não se efetiva de forma coerente. Essa forma de gestão (democrática) valoriza a participação da comunidade escolar no processo de tomada de decisões, apostando na construção coletiva dos objetivos e do funcionamento da escola através do diálogo e do consenso (LIBÂNEO, 2005).

Assim, contrariamente a gestão/administração, a gestão democrática permite superar a limitação da fragmentação e da descontextualizarão e construir ações articuladas frutos de uma participação efetiva e de um trabalho feito em equipe. Portanto, ela pressupõe que o processo educacional se transforma e se torna mais competente na medida em que seus participantes tenham consciência de que são responsáveis pelo mesmo, buscando ações coordenadas e horizontalizadas (Lück, 2006).

A gestão democrática participativa exige inexoravelmente, uma “mudança de mentalidade” de todos os membros da comunidade escolar, com vista a efetivação de políticas educacionais coerentes com a realidade e as demandas da sociedade e das escolas públicas, apesar das barreiras inerentes a esse processo. Assim, segundo Gadotti: 
A democratização da gestão da escola constitui-se numa das tendências atuais mais fortes do sistema educacional, apesar da resistência oferecida pelo corporativismo das organizações de educadores e pela burocracia instalada nos aparelhos de estado, muitas vezes associados na luta contra a inovação educacional (GADOTTI, Moacir 1994, p.6).

A participação de todos, nos diferentes níveis de decisão, é um imperativo essencial para assegurar o eficiente desempenho da escola e dos seus membros e consequentemente atingir a autonomia[4] da unidade escolar, suas condições internas e externas. Assim, a medida que a coexistência e a consciência social se desenvolve e se materialize, o dever vai se transformando em vontade coletiva, capaz de unir opiniões divergentes e incongruentes na consecução de objetivos e metas comuns, possíveis de serem alcançados, mediante a entrega e a participação de todos.

Conforme Lück (2001), os diretores participativos baseiam-se no conceito da autoridade compartilhada, cujo poder é delegado aos representantes da comunidade escolar e as responsabilidades são assumidas por todos.

Por isso, a gestão democrática implica novos processos de organização baseados numa dinâmica que favoreça os processos coletivos e participativos de decisão[5]. No entanto, para que a participação seja realidade, são necessários meios e condições favoráveis, para repensar a cultura escolar e os processos, autoritários, de distribuição do poder no seu interior. Nessa direção, é fundamental ressaltar que a participação não se decreta não se impõe e, portanto, não pode ser entendida apenas como mecanismo formal/legal (BRASIL, 2005, p.15).


Referência: 
IN: ROCHA, Arlindo Nascimento.Desafios da Gestão Democrática na Escola Pública:“Emergência de um novo paradigma para responder os desafios da educação atual” Monografia de Pós-Graduação, UCP/IPETEC, 2015, 70p.


[1] Segundo o Dicionário Interativo da Educação Brasileira a expressão “Gestão” está relacionada à atuação que objetiva promover a organização, a mobilização e a articulação de todas as condições materiais e humanas necessárias para garantir o avanço dos processos socioeducacionais dos estabelecimentos de ensino orientadas para a promoção efetiva da aprendizagem pelos alunos. O conceito de gestão escolar foi criado para superar um possível enfoque limitado do termo administração escolar. Foi constituído a partir dos movimentos de abertura política do país, que começaram a promover novos conceitos e valores, associados, sobretudo à ideia de autonomia escolar, à participação da sociedade e da comunidade, à criação de escolas comunitárias, cooperativas e associativas e ao fomento às associações de pais. Assim, no âmbito da gestão escolar, o estabelecimento de ensino passou a ser entendido como um sistema aberto, com uma cultura e identidade própria, capaz de reagir com eficácia às solicitações dos contextos locais em que se inserem [...]; relativamente a administração, de acordo com FERREIRA et al. (2000), ela se divide em três blocos históricos: a) Teorias tradicionais de gestão; b) Teorias modernas de gestão; c) Teorias emergentes de gestão. A primeira tem o engenheiro norte-americano, Frederick Winslow Taylor, como o seu idealizador principal, com a criação da escola de Administração Científica, e o francês Henri Fayol, criador da Escola Clássica de administração. Além desses, podemos citar ainda Elton Mayo e a Escola de Relações Humanas, as teorias X e Y de MecGregor e a Teoria Sistêmica, defendida pelo alemão Ludwig von Bertalalanffy. No segundo bloco de teorias, as modernas, destacam a Administração Por Objetivos (APO), defendida por Peter Drucker, em 1954, com a célebre obra “A Prática da Administração das Empresas” [...]. MENEZES, Ebenezer Takuno de; SANTOS, Thais Helena dos. "Gestão escolar" (verbete). Dicionário Interativo da Educação Brasileira - EducaBrasil. São Paulo: Midiamix Editora, 2002.  

[2] Ultrapassada o paradigma da gestão/administração, tradicionais, era preciso respaldar legalmente o novo paradigma emergente, ou seja, a gestão democrática e participativa. Assim, esforços foram realizados para que fossem consagrados na constituição brasileira e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, alguns artigos que defendessem e incentivassem a generalização da gestão democrática participativa em todas as instituições educativas brasileiras. Assim, a Constituição Federal de 1988, disponível em:  <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>, acessado em20/02/2015, estabelece, no seu artigo 206, <http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10650554/artigo-206-da-constituicao-federal-de-1988>, que a forma de gestão da educação brasileira deve ser a democrática e participativa, como atesta o inciso VI do referido artigo: “gestão democrática do ensino público, na forma da lei”. Já no artigo 3º, inciso VIII, da (LDB) Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 9394/ 96, disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm>, acessado em20/02/2015, diz que a gestão do ensino público deve ser democrática, respeitando a forma da lei e da legislação dos sistemas de ensino. No artigo 14 dessa mesma lei estabelece que os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público, na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: I – participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola; II – participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. (BRASIL, 1996). Nesse sentido, evidencia-se a forma democrática e participativa que deve assumir a gestão escolar, ensejando que os sistemas de ensino possam organizar e adaptar a gestão pública escolar, conforme o contexto em que ela está inserida. Por isso, a democracia, em boa parte do mundo e, em particular, no nosso país, vem propiciando maior liberdade e autonomia de expressão e participação nas tomadas de decisões para as políticas sociais, apesar de merecer uma reflexão mais profunda a respeito [...]  

[3] [...] um paradigma significa um tipo de relação muito forte, que pode ser de conjunção ou disjunção, que possui natureza lógica entre um conjunto de conceitos-mestre. É um tipo de relação dominadora é que determinaria o curso de todas as teorias, de todos os discursos controlados pelo paradigma. Segundo Perrenoud, o paradigma resultante a prática pedagógica, como afirma, tem que assumir o desafio de superação da reprodução e fragmentação do conhecimento, promovendo o resgate do ser humano em sua totalidade, considerando as suas inteligências múltiplas contemplando os trabalhos coletivos e a participação crítica e reflexiva dos alunos, tornando-os pesquisadores e produtores autônomos do seu próprio conhecimento. PERRENOUD (2000); para Moacyr Xavier Filho, a mudança de paradigma nos possibilita acompanhar as transformações, aumentar nossa percepção do mundo, desenvolver uma nova mentalidade.   as mudanças são aceleradas e precisamos nos adaptar a elas, mudar nossos padrões interiores, mudar para um novo jogo, com um conjunto de regras, o que envolve tanto coragem quanto intuição. (XAVIER Filho, 1995, p.2).

[4] De acordo com o Dicionário Aurélio, autonomia é a faculdade de se governar por si mesmo; direito ou faculdade de um país se reger por leis próprias; emancipação; independência; sistema ético segundo o qual as normas de conduta provêm da própria organização humana. (HOLLANDA, Aurélio 1983, p. 136)
[5] Para pensar a relação entre os sujeitos e as instâncias de participação, é preciso dar especial atenção aos CEE, CME e CNE. A organização dos conselhos necessita, pois: superar a fragmentação comumente existente nos órgãos colegiados, articulando suas diferentes funções em um conselho de educação fortalecido; equilibrar a função normativa com a de acompanhamento e avaliação da sociedade; trazer a discussão de políticas para os conselhos; instituir uma composição que reconheça a pluralidade de saberes e contribuições, de modo a refletir a diversidade dos agentes e sujeitos políticos do campo educacional e para além deles; estabelecer que os mandatos dos conselheiros e das conselheiras não sejam coincidentes com os dos gestores; proibir que o exercício da presidência do conselho seja exercido por integrantes do poder executivo; ampliar iniciativas comprometidas com o desenvolvimento da capacidade e o fortalecimento da função de conselheiro; e, na medida do possível, vincular a representação da sociedade a um fórum permanente (municipal, estadual ou nacional) de educação. CONAE (2010), Constituição do Sistema Nacional Articulado de Educação: O Plano Nacional da Educação, Diretrizes e Estratégias de Ação, p. 29. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/conae/documento_referencia.pdf>, acessado em 19/03/2015.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Saiba mais: Filosofia (aula 5)

Aula de Filosofia 5 
Platão: Política/dialética 

Platão (427 – 347 a.C.)

Platão é um dos nomes fundamentais da História da Filosofia, tendo desenvolvido seu pensamento na sua Academia, onde teve como discípulo, dentre muitos outros, Aristóteles. Diferentemente dos seus predecessores, tivemos acesso a todas as suas obras escritas, seus Diálogos, ricos não somente do ponto de vista da perspicácia e apuro filosófico, mas também pelo fato de serem peças literárias notáveis, a despeito da discussão se suas doutrinas principais aparecem indelevelmente na obra escrita, ou, ao contrário, na sua doutrina não escrita, como veremos imediatamente.

Há algumas décadas, uma nova perspectiva acerca da compreensão da obra de Platão começou a ser proposta a partir de investigações levadas a termo pela conhecida Escola de Tübingen, sobretudo por Hans Krämer e Konrad Gaiser, aos quais se juntou especialmente Giovanni Reale da Universidade Católica de Milão, que começaram a chamar a atenção para as hoje denominadas doutrinas não escritas de Platão, contrariando o paradigma instaurado por Schleiermacher, que havia estabelecido sua notável tradução das obras platônicas dando especial relevo ao texto escrito.

Esses autores chamaram a atenção para alguns sinais provenientes de alguns diálogos platônicos, sobretudo o Fedro e a Carta VII, que apontariam as limitações das doutrinas escritas, salientando que a oralidade oferece mais benefícios diante da imperfeição da obra escrita, devido ao fato desta última constituir apenas “imagens” dos discursos orais.

FONTE: 
HOBUSS, João Francisco Nascimento. Introdução à história da filosofia antiga [recurso eletrônico] / João Francisco Nascimento Hobuss - Pelotas: NEPFIL online, 2014. 172 p. – (Série issertatio-Filosofia).

TEXTOS PARA PESQUISA: 

FILOSOFIA E POLITICA EM PLATÃO:

O PENSAMENTO POLÍTICO DE PLATÃO:




segunda-feira, 30 de maio de 2016

Saiba mais: Filosofia (aula 4)

Aula 4 - Filosofia 
Sócrates 

TEXTO COMPLEMETAR

Sócrates (c.470-399 a.C.) nada deixou escrito, e teve suas idéias divulgadas por dois de seus principais discípulos, Xenofonte e Platão. Evidentemente, devido ao brilho deles, é de se supor que nem sempre fossem realmente fiéis ao pensamento do mestre. Nos diálogos que Platão escreveu, Sócrates figura sempre como o principal interlocutor.

Mesmo tendo sido incluído muitas vezes entre os sofistas, Sócrates recusava tal classificação, e opunha-se a eles de forma crítica. Sócrates se indispôs com os poderosos do seu tempo, sendo acusado de não crer nos deuses da cidade e corromper a mocidade. Por isso foi condenado e morto.

Costumava conversar com todos, fossem velhos ou moços, nobres ou escravos, preocupado com o método do conhecimento. Sócrates parte do pressuposto "só sei que nada sei", que consiste justamente na sabedoria de reconhecer a própria ignorância, ponto de partida para a procura do saber.

Por isso seu método começa pela parte considerada "destrutiva", chamada ironia (em grego, perguntar"). Nas discussões afirma inicialmente nada saber, diante do oponente que se diz conhecedor de determinado assunto. Com hábeis perguntas, desmonta as certezas até o outro reconhecer a ignorância. Parte então para a segunda etapa do método, a maiêutica (em grego, "parto"). Dá esse nome em homenagem a sua mãe, que era parteira, acrescentando que, se ela fazia parto de corpos, ele "dava à luz" idéias novas.

Sócrates, por meio de perguntas, destrói o saber constituído para reconstruí-lo na procura da definição do conceito. Esse processo aparece bem ilustrado nos diálogos relatados por Platão, e é bom lembrar que, no final, nem sempre Sócrates tem a resposta: ele também se põe em busca do conceito e às vezes as discussões não chegam a conclusões definitivas.

As questões que Sócrates privilegia são as referentes à moral, daí perguntar em que consiste a coragem, a covardia, a piedade, a justiça e assim por diante.

Diante de diversas manifestações de coragem, quer saber o que é a "coragem em si", o universal que a representa. Ora, enquanto a filosofia ainda é nascente, precisa inventar palavras novas, ou usar as antigas dandolhes sentido diferente. Por isso Sócrates utiliza o termo logos, que na linguagem comum significava "palavra", "conversa", e que no sentido filosófico passa a significar "a razão que se dá de algo", ou mais propriamente, conceito.

Assim explica García Morente: "O que os geômetras dizem de uma figura, do circulo, por exemplo, para defini-lo, é o logos do circulo, é a razão dada do círculo.

Do mesmo modo, o que Sócrates pede com afã aos cidadãos de Atenas é que lhes dêem o logos da justiça, o logos da coragem. (...) Pois que é este logos senão o que hoje denominamos conceito"? Quando Sócrates pede o logos, quando pede que indiquem qual é o logos da justiça, que é a justiça, o que pede é o conceito da justiça, a definição da justiça".

ARANHA, Maria Lúcia Arruda de. Filosofando: Introdução á filosofia. São Paulo 1993.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Saiba mais: Filosofia e Sociologia (Aula 3)

Aula 3 de Filosofia 
Os Filósofos Pré-Socráticos 

TEXTOS COMPLEMENTARES


FONTE: 
Os Filósofos Pré-Socrátcos: (Gerd A. Bornhein). 15a Edição. Editora Cultrix.- Aãp Paulo, S.P. 2000. 128p. 
AULA 3: Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=XrdTNJkupiY, acesso em 25/05/2016.



terça-feira, 24 de maio de 2016

Saiba Mais: Filosofia e Sociologia (Aula 2)

Aula 02 de Filosofia 
Causa do surgimento da Filosofia na Grécia Antiga

TEXTO COMPLEMENTAR


O nascimento da Filosofia


Os historiadores da Filosofia dizem que ela possui data e local de nascimento: final do século VII e início do século VI antes de Cristo, nas colônias gregas da Ásia Menor (particularmente as que formavam uma região denominada Jônia), na cidade de Mileto. E o primeiro filósofo foi Tales de Mileto.

Além de possuir data e local de nascimento e de possuir seu primeiro autor, a Filosofia também possui um conteúdo preciso ao nascer: é uma cosmologia. A palavra cosmologia é composta de duas outras: cosmos, que significa mundo ordenado e organizado e logia, que vem da palavra logos, que significa pensamento racional, discurso racional, conhecimento. Assim, a Filosofia nasce como conhecimento racional da ordem do mundo ou da Natureza, donde, cosmologia. Apesar da segurança desses dados, existe um problema que, durante séculos, vem ocupando os historiadores da Filosofia: 

o de saber se a Filosofia - que é um fato especificamente grego - nasceu por si mesma ou dependeu de contribuições da sabedoria oriental (egípcios, assírios, persas, caldeus, babilônios) e da sabedoria de civilizações que antecederam à grega, na região que, antes de ser a Grécia ou a Hélade, abrigara as civilizações de Creta, Minos, Tirento e Micenas. Durante muito tempo, considerou-se que a Filosofia nascera por transformações que os gregos operaram na sabedoria oriental (egípcia, persa, caldéia e babilônica). Assim, filósofos como Platão e Aristóteles afirmavam a origem oriental da Filosofia.

Os gregos, diziam eles, povo comerciante e navegante, descobriram, através das viagens, a agrimensura dos egípcios, a astrologia dos caldeus e dos babilônios, as genealogias dos persas, os mistérios religiosos orientais referentes aos rituais de purificação da alma, etc. A Filosofia teria nascido pelas transformações que os gregos impuseram a esses conhecimentos.

Dessa forma, da agrimensura, os gregos fizeram nascer duas ciências: 
  • A aritmética e a geometria; 
Da astrologia, fizeram surgir também duas ciências: 
  • A astronomia e a meteorologia; 
      Das genealogias, fizeram surgir mais uma outra ciência: 
  • A história; dos mistérios religiosos de purificação da alma, fizeram surgir as teorias filosóficas sobre a natureza e o destino da alma humana.
Todos esses conhecimentos teriam propiciado o aparecimento da Filosofia, isto é, da cosmologia, de sorte que a Filosofia só teria podido nascer graças as saber oriental. Essa idéia de uma filiação oriental da Filosofia foi muito defendida oito séculos depois de seu nascimento (durante os séculos II e III depois de Cristo), no período do Império Romano. Quem a defendia? Os pensadores judaicos, como Filo de Alexandria, e os Padres da Igreja, como Eusébio de Cesaréia e Clemente de Alexandria.

Por que defendiam a origem oriental da Filosofia grega? Pelo seguinte motivo: a Filosofia grega tornara-se, em toda a Antigüidade clássica, e para os poderosos da época, os romanos, a forma superior ou mais elevada do pensamento e da moral.

Os judeus, para valorizar seu pensamento, desejavam que a Filosofia tivesse uma origem oriental, dizendo que o pensamento de filósofos importantes, como Platão, tinha surgido no Egito, onde se originara o pensamento de Moisés, de modo que havia uma ligação entre a Filosofia grega e a Bíblia.

Os Padres da Igreja, por sua vez, queriam mostrar que os ensinamentos de Jesus eram elevados e perfeitos, não eram superstição, nem primitivos e incultos, e por isso mostravam que os filósofos gregos estavam filiados a correntes de pensamento místico e oriental e, dessa maneira, estariam próximos do cristianismo, que é uma religião oriental.

No entanto, nem todos aceitaram a tese chamada “orientalista”, e muitos, sobretudo no século XIX da nossa era, passaram a falar na Filosofia como sendo o “milagre grego”.

Com a palavra “milagre” queriam dizer várias coisas:
  • Que a Filosofia surgiu inesperada e espantosamente na Grécia, sem que nada anterior a preparasse;
  • Que a Filosofia grega foi um acontecimento espontâneo, único e sem par, como é próprio de um milagre;
  • Que os gregos foram um povo excepcional, sem nenhum outro semelhante a eles, nem antes e nem depois deles, e por isso somente eles poderiam ter sido capazes de criar a Filosofia, como foram os únicos a criar as ciências e a dar às artes uma elevação que nenhum outro povo conseguiu, nem antes e nem depois deles.

Referências: 
CHAUÍ, Maria Helena. Covite à Filosofia. E. Ática, São Paulo, 2000.  



segunda-feira, 23 de maio de 2016

Saiba Mais: Filosofia e Sociologia (Aulas 1)

Aula 1 - Filosofia - 
Da Mitologia à Filosofia: Rupturas e Continuidades


TEXTO COMPLEMENTAR

Mito e Filosofia
O homem pode ser identificado e caracterizado como um ser que pensa e cria explicações. Criando explicações, cria pensamentos. Na criação do pensamento, estão presentes tanto o mito como a racionalidade, ou seja, a base mitológica, enquanto pensamento por figuras, e a base racional, enquanto pensamento por conceitos. Esses elementos são constituintes do processo de formação do conhecimento filosófico. Este fato não pode deixar de ser considerado, pois é a partir dele que o homem desenvolve suas ideias, cria sistemas, elabora leis, códigos, práticas.

Compreender que o surgimento do pensamento racional, conceitual, entre os gregos, foi decisivo no desenvolvimento da cultura da civilização ocidental é condição para que se entenda a conquista da autonomia da razão (lógos) diante do mito. Isso marca o advento de uma etapa fundamental na história do pensamento e do desenvolvimento de todas as concepções científicas produzidas ao longo da história humana.

O conhecimento de como isso se deu e quais foram as condições que permitiram a passagem do mito à filosofia elucidam uma das questões fundamentais para a compreensão das grandes linhas de pensamento que dominam todas as nossas tradições culturais. Deste modo, é de fundamental importância que o estudante do Ensino Médio conheça o contexto histórico e político do surgimento da filosofia e o que ela significou para a cultura. Esta passagem do pensamento mítico ao pensamento racional no contexto grego é importante para que o estudante perceba que os mesmos conflitos entre mito e razão, vividos pelos gregos, são problemas presentes, ainda hoje, em nossa sociedade, na qual a própria ciência depara-se com o elemento da crença mitológica ao apresentar-se como neutra, escondendo interesses políticos ou econômicos em sua roupagem sistemática, por exemplo.

Ao escrever sobre o conteúdo estruturante Mito e Filosofia, os autores preocupam-se em desenvolver textos que permitam aos estudantes de filosofia fazerem a experiência filosófica a partir de três recortes, que são: Mito e Filosofia; O Deserto do Real; Ironia e Filosofia. Além destes, muitos outros recortes são possíveis dentro deste Conteú­do Estruturante.
  • Mito e Filosofia: trata do problema da ordem e da desordem no mundo. O homem, ao procurar a ordem do mundo, cria tanto o mito como a filosofia. Muitos povos da antiguidade experimentaram o mito, que é um pensamento por imagens. Os gregos também fizeram a experiência de ordenar o mundo por meio do Mito. Estes perceberam que o Mito era um jeito de ordenar o mundo. A experiência política grega, ao longo dos anos, trouxe a possibilidade do pensamento como logos (razão), pois a vida na pólis impôs exigências que o mito já não satisfazia. Mas será que com a filosofia o mito desaparece? Será que em nossa sociedade ainda nos orientamos pelo pensamento mítico? Além dessas e outras questões, esse conteúdo procurará as conexões sociológicas e históricas para entender o mito e o nascimento da filosofia na Grécia. 
  • O Deserto do Real: trata do problema da distinção entre pensamento crítico e não crítico. O que é real, o que parece ser real? É proposto que se pense na realidade virtual, tão presente em nosso cotidiano. Quais as consequências disso para a constituição do nosso pensamento? Além disso, trata-se da condição histórica do surgimento da Filosofia, o que nos permite perceber a importância da Filosofia para a constituição da democracia e do pensamento político. O texto propõe interdisciplinaridade com a Sociologia e a História.
  • Ironia e Filosofia: propõe a ironia como experiência do método filosófico. Basta olhar para nosso dia-a-dia para perceber a ironia. O mundo é irônico, enquanto alguns se fecham em suas casas outros estão presos em sua condição social. É neste contexto que a ironia torna-se uma possibilidade de exercício do pensamento filosófico. Sócrates é apresentado como o primeiro filósofo a utilizar a ironia para levar seus discípulos rumo à aporia para que melhor se apropriassem do pensamento, a maiêutica. Além de Sócrates, Marx é um filósofo que mostra a sociedade capitalista como sendo uma grande ironia, com seus ideais de liberdade e democracia, mas que de fato não dá a todos esse direito. A música e a literatura são possibilidades de se desenvolver a ironia, seja para lutar contra o poder político autoritário, seja para questionar e criticar a sociedade burguesa falso moralista e conservadora.
 Os autores apresentam propostas de atividades que podem possibilitar o exercício do pensamento, do estudo e da criação de conceitos. Essas atividades levam estudantes e professores a filosofar por meio dos conteúdos da História da Filosofia.

Esse exercício do filosofar ocorrerá por meio da leitura, do debate, da argumentação, da exposição e análise do pensamento. A escrita constitui-se como elemento importante de registro e sistematização, sem a qual o discurso pode perder-se no vazio. É importante lembrar que o processo do filosofar se dá por meio da investigação na qual estudantes e professores descobrem problemas, mobilizam-se na obten- ção de soluções filosóficas, estudam a História da Filosofia buscando no trabalho com os conceitos o caminho do filosofar e recriar conceitos.


FONTES: 
Filosofia / vários autores. – Curitiba: SEED-PR, 2006. – 336 p
ASSISTIR MAIS EM: 
https://www.youtube.com/playlist?list=PLGEYBxymOsE523yp54yrjvaJmv3PsEjF6





sexta-feira, 20 de maio de 2016

A REFLEXÃO PEDAGÓGICA

Qualquer atividade educacional que se queira intencional e eficaz tem claros os pressupostos teóricos que orientam a ação. Ao elaborar leis, fundar uma escola, preparar o planejamento escolar ou enfrentar dificuldades específicas em sala de aula, é preciso ter clareza a respeito da teoria que permeia as decisões. No entanto, é comum observarmos o "espontaneismo", resultado da devida dicotomia entre teoria e prática, porque o professor não foi adequadamente informado a respeito da teoria ou porque não sabe como integrá´lo à prática efetiva. 

Vejamos alguns exemplos: uma escola de ensino médio que oferece, a cada semana, dez aulas de química, uma de história e nenhuma de filosofia; uma sala de aula para crianças em que as carteiras estão fixadas no chão; um professor que prefere estimular pesquisas em grupo e outro que privilegia a exposição oral; alguém que lamenta o fato de não se ensinar mais em latim no colégio; um professor que exige leitura extra-classe, uma que faz a chamada oral com frequência e outro que dá pouca ênfase às avaliações.

Todos esses aspetos resultam de concepções -tematizadas ou não- que colocam primeiramente, as seguintes questões: Que tipo de pessoa se quer formar? Para qual sociedade? A partir da da elucidação da base antropológica, passamos para a seleção de conteúdos a serem transmitidos: O que ensinar? Só então se colocam questões metodológicas: como ensinar? Podemos concluir que a escolha e - quer o professor saiba, quer não, depende de determinada concepção de ser humano e de sociedade, concepção esta que não é neutra, por estar impregnada da visão política que a anima. 

Desse modo, os procedimentos específicos usados em sala de aula adquirem sentido a partir do esclarecimento dos pressupostos antropológicos e axiológicos bem como da sua coerência ou incoerência com o método e com o conteúdo escolhidos. 

Dependendo das respostas dadas a essas questões teóricas, podemos compreender as diversas propostas pedagógicas e as consequências delas para a práxis educativa, sejam da escola tradicional, sejam da escola renovada, da tecnicista, da libertária, e assim por diante. 

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia da Educação. 3 ed. rev. e ampl. - São Paulo; Moderna 2006.  

sábado, 14 de maio de 2016

FORMAÇÃO CONTINUADA DO PROFESSOR


“A educação está em constante movimento e não combina com repouso”. A observação é do filósofo, mestre e doutor em Educação, Mario Sergio Cortella, que defende que “as pessoas não são resistentes à mudança, mas não têm a formação necessária para chegar a esse processo”. Ele diz acreditar que, “para se aproximar do êxito, é preciso estar mais atento às oportunidades e aproveitá-las. Essa busca exige a capacidade de ser audacioso, sem cair na postura do aventureiro”.

Os pontos que cada professor deve buscar refletir em sua formação são:

Comprometimento: estar atento às mudanças políticas e sociais, bem como às mudanças que acontecem dentro do seu ambiente de trabalho;
Competência: ser um profissional que se interesse pelo novo e que busque sempre outras metodologias visando à melhoria na aprendizagem;
Crítica: ter valores bem resolvidos, fazendo com que seus alunos obtenham direção para transformar-se em pessoas melhores e, consequentemente, formar uma sociedade pensante;
Abertura a mudanças: em se tratando de inserir novas tecnologias dentro de sala de aula, é necessário que o docente esteja apto a aceitar tais novidades.
Exigência: que busque de seus alunos sempre mais, instigando e incentivando a aquisição contínua de conhecimento.
Interatividade: que consiga trocar informações e experiências com todo o corpo docente, os alunos e até mesmo os pais, resultando em uma educação em que todos têm voz ativa para expor suas ideias.


In: Formação Continuada de Professores e Especialistas em Educação: UNESCO.
 ::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

Nos vídeos que seguem, fiz uma seleção de vídeos curtos onde Mário Sérgio Cortella reflete sobre vários assuntos ligada à educação, disciplina, formação de professores, relação professores/pais, convivência e ética...
confirem:   
COMO SER UM BOM PROFESSOR?


SER UM BOM PROFESSOR 


DISCIPLINA NA EDUCAÇÃO DOS FILHOS 

O PAPEL DOS PAIS E DOS PROFESSORES NA EDUCAÇÃO DOS FILHOS

EDUCAÇÃO, CONVIVÊNCIA E ÉTICA 

MODERNIZAR A EDUCAÇÃO 

QUAL A POSTURA IDEAL DO PROFESSOR? 

segunda-feira, 2 de maio de 2016

FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO

O mundo, hoje, precisa de ideias! Está envolvido com dilemas éticos gravíssimos, no campo político, econômico e moral, e para solucionar seus problemas precisa da reflexão filosófica.  Reflexões sobre o mistério da natureza humana e do universo o destino da humanidade, a maturidade e  a plenitude do ser estão por trás desses dilemas,  e ainda é, e sempre foi,  a essência da filosofia, o pensar e discutir idéias e conceitos sobre os quais a ciência pode apenas especular.  É importante lembrar que a própria Ciência foi criação dos filósofos empiristas, que propuseram os métodos que todos nós ainda usamos hoje para separar a verdade das teorias sem fundamento, que é o assim chamado método científico [...] [http://www.cobra.pages.nom.br/ecp-filoeduc.html]

A Univesp TV, apresenta nos vídeos seguintes, uma síntese da contribuição e a influência de alguns filósofos na educação atual.    

ARISTÓTELES 
Aluno da Academia de Platão e crítico da "Teoria das Ideias", Aristóteles foi um grande sistematizador. Fundou sua própria escola baseada nas ciências naturais e acreditava que todos os seres do mundo tem semelhanças entre si (vivo ou não-vivo). O programa mostra a vida e as idéias desse importante filósofo.
Ver mais em: http://docenteinovador.blogspot.com.br/p/aristoteles.html


PLATÃO 
O significado do mito da caverna, a teoria política e a teoria das idéias. A vida de Platão e seu impacto na filosofia.
Ver mais em: http://docenteinovador.blogspot.com.br/p/platao.html


SÓCRATES 
Programa sobre as ideias de Sócrates, um dos mais importantes filósofos da história da humanidade.
ver mais em: http://docenteinovador.blogspot.com.br/p/socrates.html


DESCARTES 
Como o filósofo francês René Descartes desenvolveu o método investigativo e como ele revolucionou o pensamento filosófico e cientifico. Foi considerado o Pai da Filosofia Moderna.

ROUSSEAU 
Vídeo sobre as ideias de Rousseau, o primeiro filósofo a entender a infância como um momento importante da vida. 


PRAGMATISMO 
O programa explica o que é pragmatismo -- considerado uma corrente filosófica original - e como os filósofos William James e Charles Peirce desenvolveram este método.

JOHN DEWEY 
As idéias mais importantes do pragmatista norte-americano John Dewey, que teve grande influência sobre a filosofia da educação no século XX.
Ver mais em: http://docenteinovador.blogspot.com.br/p/john-dewey.html


LEV VIGOTSKY 
O programa conta quem foi Lev Vigotski e quais são as idéias que influenciaram o pensamento sobre educação, principalmente sobre o desenvolvimento da linguagem.


POR QUE E PARA QUE ESTUDAR FILOSOFIA NOS DIAS DE HOJE? “Uma reflexão inquietante em torno de um assunto pelo qual se fala e se escreve muito, mas pouco lê”. Leia mais em: http://www.webartigos.com/artigos/por-que-e-para-que-estudar-filosofia-nos-dias-de-hoje-uma-reflexao-inquietante-em-torno-de-um-assunto-pelo-qual-se-fala-e-se-escreve-muito-mas-pouco-le/119349/#ixzz47VeCbBll


FONTE: TV UNIVESP: