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quarta-feira, 18 de julho de 2018

Nelson Rolihlahla Mandela (1918-2013)



Nelson Rolihlahla Mandela (1918-2013) 



1918 - Nasce na localidade de Mvezo, atual província do Cabo Oriental;
1944 - Ingressa no Congresso Nacional Africano (CNA); 
1952 - É processado de acordo com a Lei para a Supressão do Comunismo do governo do Apartheid Sul africano. Recebe sentença de prisão, depois suspensa;
1962 - Deixa o país secretamente e recebe treinamento militar na Argélia. de volta ao país, é condenado a cinco anos por incentivar revoltas;
1964 - É condenado a prisão perpétua, escapando por pouco da pena de morte;
1985- Rejeita a oferta de Pieter Botha, então presidente da África do Sul, de ser libertado em troca de renunciar à violência;
1990 - É libertado da prisão. No mesmo ano Frederik De Klerk, o último presidente branco do país, acaba com a proibição do CNA, que teve inicio em 1960;
1993 - Ganha o prémio Nobel da Paz, junto com De Klerk;
1994 - É eleito o primeiro presidente negro da África do Sul; 
2013 - Morre ao 95 anos em Joanesburg.   

Nelson Mandela, no dia de seu casamento com Winnie Mandela, em maio de 1958.



No dia 16 de junho de 1964,  Mandela, foi sentenciado à prisão perpétua no julgamento de Rivonia.



 Mandela, junto a sua esposa Winnie, abandona a prisão depois de ser libertado após 27 anos na cadeia, em 1990.



 Mandela, investido 'Doutor Honoris Causa' pela Universidade Complutense, em Madri, durante a visita que realiza em Espanha para agradecer o apoio contra o apartheid.




 Mandela  ergue o punho após a atuação da banda sul-africana Ladysmith Black Mombasa, durante a cerimônia de entrega do Prêmio Nobel da Paz em Oslo, em 1993.




Mandela, regressa à cela que ocupou durante 27 anos, no quarto aniversário de sua saída da prisão, em 1994.




 Mandela, faz o juramento durante a cerimônia de posse em Pretória, depois das primeiras eleições multirraciais no país, no dia 10 de maio de 1994




 Mandela, em um ato durante seu primeiro mandato, na Cidade do Cabo, África do Sul, em 1995.





 Mandela entrega o troféu ao capitão da equipe de rugby, Francois Pienaar, após a vitória contra a Nova Zelândia  na final da Copa do Mundo de Rugby de 1995.




 Mandela aperta a mão da rainha Elizabeth II da Inglaterra, durante uma parada da Guarda à cavalo em Londres, em sua primeira visita oficial ao Reino Unido, em 1996. 



 Mandela, se casa com a namorada Graça Machel, viúva do ex-presidente moçambicano Samora Machel, na residência presidencial de Pretória, no dia de seu 80º aniversário. Ele se divorciou de Winnie Mandela em 1996.


 Mandela, cumprimenta Diana, princesa de Gales, durante uma visita de Lady Di à Cidade do Cabo, no dia 17 de março de 1997. 


O papa João Paulo II recebe  Nelson Mandela, em audiência privada no Vaticano, em junho do 1998.


O presidente  Bill Clinton, aplaude   Mandela, após condecorá-lo com a Medalha de Honra do Congresso dos Estados Unidos, no Capitólio em Setembro de 1998.


 Mandela na praça Trafalgar durante o show pela democracia sul-africana, celebrado em Londres  para enfatizar os sete anos de democracia no país, em 2001.


Em junho de 1999,  Mandela deixa a política. Cede seu lugar no Parlamento a Thabo Mbeki, durante a sessão na que este foi eleito novo presidente do país, depois das segundas eleições legislativas.  Em 2004, um ano após ser diagnosticado com câncer de próstata, Mandela anunciou sua retirada definitiva da vida pública.


 Mandela, cumprimenta o líder cubano, Fidel Castro, durante uma visita na casa de Mandela em Houghton, Johannesburgo, no dia 2 de setembro de 2001.


 Mandera posa com o troféu da Copa do Mundo após ser anunciado que África do Sul sediaria a Copa do Mundo de 2010 em Zurique (Suíça), no dia 15 de maio de 2004.


 Mandela em sua fundação em Johannesburgo (África do Sul), antes de receber um grupo de estudantes, em 2 de junho de 2009.


 Mandela, junto a sua esposa, Graça Machel, durante a cerimônia de encerramento da Copa do Mundo de Futebol da África do Sul 2010, no estádio Soccer City de Johanesburgo. Esta seria sua última aparição pública.


 Mandela na casa de sua família em Qunu (África do Sul), durante seu aniversário, no dia 18 de julho de 2012.


O caixão de Mandela chega ao aeroporto de Mthata, na província de Eastern Cape, para o funeral celebrado na casa de sua família, em Qunu (África do Sul), no dia 15 de dezembro de 2013.




Fontes


100 anos de Nelson Mandela, o líder da luta contra o apartheid (22 fotos) . Disponível em: < https://brasil.elpais.com/brasil/2018/07/17/album/1531828042_969782.html#foto_gal_1>. Acesso em 18/07/2018.

Folha de São Paulo. Legado de Nelson Mandela nem sempre é respeitado, afirma ex-secretária. Disponível e: < https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2018/07/legado-de-nelson-mandela-nem-sempre-e-respeitado-afirma-ex-secretaria.shtml>. Acesso em18/07/2018.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Educação Especial: breve histórico



Para contextualizar historicamente o conceito de Educação Especial[1], precisamos inicialmente conhecer um pouco sobre o tratamento que durante muito tempo foi dado às crianças/alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE), ao longo da história da humanidade, e, especialmente no Brasil. Porém, antes, precisamos definir e refletir criticamente sobre o que venha o conceito de NEE.

Uma questão importante e ao mesmo tempo problemática sobre a questão do uso do termo Necessidades Educativas Especiais é quanto a sua generalidade, pois, segundo Libório et al (2005, p. 77), ele pode ser usado tanto para designar crianças/alunos com necessidade permanentes assim como aquelas que possuem dificuldades de aprendizagem, nas mais diversas formas e intensidades. Essas dificuldades segundo o mesmo autor podem ser: atrasos em diferentes matérias, dificuldade da compreensão da leitura, problemas de linguagem [...]. Entretanto, Brennan observa que:

Há uma Necessidade Educativa Especial quando um problema (físico, sensorial, intelectual, emocional, social, ou qualquer combinação destas problemáticas) afeta a aprendizagem ao ponto de serem necessários acessos especiais ao currículo especial ou modificado, ou a condições de aprendizagem especialmente adaptadas para que o aluno possa receber uma educação apropriada. Tal necessidade educativa pode classificar-se de ligeira a severa e pode ser permanente ou manifestar-se durante uma fase do desenvolvimento do aluno (BRENNAN, 1988, p. 36). 

Voltando ao contexto histórico, constatamos que durante muito tempo, as crianças/alunos com Necessidades Educativas Especiais foram tratados como diferentes e eram, por vezes, visto como aberrações. Tanto é que, na Grécia Antiga, essas crianças eram sacrificadas ou escondidas. Já na Idade Média essas crianças eram categorizadas junto com os ‘loucos’, com os criminosos e aqueles que eram considerados como sendo ‘possuídos por demônios’. Entretanto, segundo Campos, “a história da Educação Especial, começa a ser tratada apenas no século XVI, já na Idade Moderna, com a colaboração de médicos que desafiam os conceitos vigentes sobre o que se entendia por educação especial até então” (CAMPOS, 2014, p. 45).

Apesar dessa colaboração dos médicos, os diferentes, ou seja, os portadores de alguma deficiência  continuaram abandonados por muito tempo à  sua própria sorte, isolados e com pouca atenção dos pais, dos familiares, e, principalmente das instituições educativas e dos governos. Atualmente, quase todo mundo partilha da opinião de que ninguém que seja portadora de uma deficiência possa ser deixada à sua sorte, principalmente as crianças com NEE, pois, segundo Pessotti:   

Já não se pode,  justificadamente, delegar  à divindade o cuidado de suas  criaturas  deficitárias,  nem se pode,  em nome da fé e da moral, levá-las  à fogueira. Não há mais lugar  para a irresponsabilidade social e política,  diante da deficiência [...], não há vantagens para o poder público, para o comodismo da família, em não assumir a tarefa [...] (PESSOTTI, 1984, p.  24).

Mrech (1998) nos informa que, a proposta de Educação Especial surgiu nos Estados Unidos em 1975, com a Lei pública nº 94.142, que abriu possibilidades para a entrada de alunos com deficiência na escola comum, que estabelece a modificação dos currículos e a criação de uma rede de informação entre escolas, bibliotecas, hospitais e clínicas. Assim: 

A denominada Educação Inclusive nasceu nos Estados Unidos, pelas mãos d a Lei pública nº 94.142 de 1975 e, hoje, já está em sua terceira década de implementação. Em todo o território desse país, foram estabelecidos programas e projetos dedicados a Educação Inclusiva (NOGUEIRA, et al. 2009, p. 26).  

A legislação Federal que foi criada nessa altura visava proteger a educação pública gratuita para todas as crianças elegíveis com deficiência nos Estados Unidos, garantindo-lhes assim, as mesmas oportunidades oferecidas às crianças ditas normais. No Brasil, segundo Campos (2014), nas primeiras décadas do século XX houve um período que se caracterizou pelas vertentes assistencialistas preocupados com a proteção e cuidados dos indivíduos especiais em instituições especializadas. Porém, atualmente, é possível perceber políticas mobilizadoras para a inclusão de crianças com NEE, pois, muitos são os benefícios para as crianças e seus familiares, principalmente as mais carentes e muitas são as que, direta ou indiretamente beneficiam dos programas sociais por terem filhos com NEE em idade escolar.

Portanto, é visível nos últimos anos, mudanças significativas relativamente à educação inclusiva. Mas, um dos fatores mais discutidos pelos especialistas, professores e toda a comunidade educativa é a inclusão de alunos portadores de NEE, em escolas públicas e privadas no nosso país. Entretanto, ainda é possível encontrar algumas resistências isoladas, relativamente a esse assunto, pois, existem duas posições sobre as quais geralmente as pessoas acabam aderindo: 

Alguns acreditam que o aluno com deficiência é mais excluído na escola de ensino regular, por não acompanhar os demais colegas na aprendizagem e por isto deveria ser preservado e frequentar a escola especial, onde estaria com crianças "iguais" e, assim, não precisaria lidar com este desafio. Outros educadores acreditam que o aluno com necessidades especiais deve frequentar a escola de ensino regular, justamente pela riqueza que surge através da diversidade (DA ROSA, 2008, p.215).    

Segundo Breta e Viana (2014), atualmente a comunidade escolar olha a inclusão de crianças/alunos com NEE, de forma diferente, pois, muita coisa positiva pode vir com ela. É importante perceber que através da inclusão aprende-se a entender e conhecer o outro, e assim tem-se o privilégio de conviver com pessoas diferentes.

A nível governamental foi criada a Lei nº 10.098/94, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências.[2] Essa Lei, no seu Art. 1o, estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, mediante a supressão de barreiras e de obstáculos nas vias e espaços públicos, no mobiliário urbano, na construção e reforma de edifícios e nos meios de transporte e de comunicação.

Enfim, a Educação Especial mudou o rumo das atitudes dos pais, dos familiares e da camada docente, e, o processo de inclusão não pode mais ser ignorado, portanto, cabe a nós transformarmos o ambiente escolar em um ambiente que reconheça, respeite e ensine com e a partir das diferenças. Assim, no próximo tem da nossa pesquisa refletiremos sobre o conceito de inclusão escolar em suas múltiplas acepções.

Bibliografia

BRASIL. Resolução nº 2, de 11 de setembro de 2001. Institui Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. Brasília: CNE/CEB, 2001
.
BRENNAN (1988) in: CORREIA, L.M. Alunos com necessidades educativas especiais nas classes regulares. Porto. Porto Editora, LDA. 1999.
CAMPOS, Luciana. Resiliência & habilidades Sociais: reflexões acerca de suas articulações e deus desdobramentos na escola e na vida. Luciana Campos (Org.). – 1ª edição: Curitiba: Appris, 2014.
DA ROSA, Rejane Souza. A inclusão escolar de alunos com necessidades educativas especiais em escola de ensino regular. Contemporânea - Psicanálise e Transdisciplinaridade, Porto Alegre, n.06, Abr/Mai/Jun 2008, p. 214 -221.
LIBÓRIO, Renata Maria Coimbra; SILVA, Divino José da. Valores, preconceitos e práticas educativas. Renata Maria Coimbra Libório; Divino José da Silva (Org.). – São Paulo: Casa do Psicólogo, 2005.
NOGUEIRA, Mário Lúcio de Lima; OLIVEIRA, Eloisa da Silva Gomes de; SÁ, Márcia Souto Maior Mourão. Legislação e políticas públicas em Educação Inclusiva. - 2ª edição. – Curitiba: IESDE, Brasil, 2009.      
PESSOTTI, Isaias. Deficiência Mental: da superstição à ciência. São Paulo: T.A. Queiroz.  Ed. da Universidade de São Paulo, 1994. 
MRECH (1998). In: Ministério da Educação Secretária de Educação Especial a Inclusão escolar de alunos com Necessidades Educacionais Especiais e deficiência física. Brasília – DF. 2006.
BERETA, Mônica Silveira; Patrícia Beatriz de Macedo Viana. Os benefícios da inclusão de alunos com deficiência em escolas regulares. Revista pós-graduação: desafios contemporâneos v.1, n. 1, jun/2014.
BRASIL. Presidência da república: Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Lei n10.098, de 19/12/2000. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L10098.htm>. Acesso em: 22/09/2017. 




[1] Por Educação Especial, modalidade da educação escolar entende-se um processo educacional definido por uma proposta pedagógica que assegure recursos e serviços educacionais e especiais, organizados institucionalmente para apoiar, complementar, suplementar e, em alguns casos, substituir os serviços educacionais comuns, de modo a garantir a educação escolar e promover o desenvolvimento das potencialidades dos educandos que apresentem necessidades educacionais especiais, em todas as etapas e modalidades da educação básica (BRASIL - MEC/SEESP, 2001, p. 1).
[2] BRASIL. Presidência da república: Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Lei n10.098, de 19/12/2000. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L10098.htm>. Acesso em: 22/09/2017.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

O Luizinho da segunda fila


 
 
Marcelo é um excelente professor de Geografia.

Na aula sobre o Pantanal até excedeu-se. Falou com entusiasmo, relatou com detalhes, descreveu com precisão. Preencheu a lousa com critério, soube fazer com que os alunos descobrissem na interpretação do texto do livro a magia dessa região quase selvagem. Exibiu um vídeo, congelou cenas e enriqueceu-as com detalhes, com fatos experimentados, acontecimentos do dia-a-dia de cada um.

Em sua prova, é evidente, não deu outra: uma redação sobre o tema e questões operatórias que envolviam o Pantanal. Seus rios, suas aves, sua vegetação... a planície imensa. Os alunos acharam fácil. Apanharam suas folhas e começaram a trazer, palavra por palavra, suas imagens para o papel. As canetas corriam soltas e as linhas transformavam-se em parágrafos. Marcelo sabia o quanto teria que corrigir, mas vibrava... Sentia que os alunos aprendiam. Descobria o interesse que sua ciência despertava. Não pôde conter uma emoção diferente quando Heleninha, sua aluna predileta, foi até sua mesa e arfante solicitou:

- Posso pegar mais uma folha em branco?

O único ponto de discórdia, o único sentimento opaco que aborrecia Marcelo, era o Luizinho, aquele da segunda fila. - Puxa vida! - pensava - Luizinho assistira todas as suas aulas, arregalara os olhos com as explicações e agora, na prova, silêncio absoluto, imobilidade total... nem sequer uma linha. Sentiu ímpetos de esganar Luizinho. Mas, tudo bem, não queria se irritar. Luizinho pagaria seu preço, iria certamente para a recuperação. Se duvidassem poderia, até mesmo, levá-lo à retenção. Seria até possível arrancar um ano inteirinho de sua vida...

Minutos depois, avisou que o tempo estava terminando. Que entregassem sua folha. Viu então que, rapidamente, Luizinho desenhou, na primeira página das folhas de prova, o Pantanal. Rico, minucioso, preciso. Marcelo emocionou-se, ao ver aquele quadro, de irretocável perfeição, nas mãos de Luizinho que coloria as últimas sobras. Entusiasmado indagou:

- E aí, Luís? Você já esteve no Pantanal?

Não. Luizinho jamais saíra de sua cidade. Construiu sua imagem a partir das aulas ouvidas. Marcelo sentiu-se um gigante e, de repente, descobriu-se o próprio Piaget. havia com suas próprias palavras construído uma imagem completa, correta e absoluta na mente do seu aluno. 

Mas, deu zero pela redação. É claro. Naquela escola não era permitido que se rabiscassem as folhas de prova. A história de Luizinho repete-se em muitas escolas. Sua inteligência pictórica é imensa, colossal, lúcida, clara e contrasta visivelmente com as limitações de sua competência verbal. Expressou o que sabia, da maneira como conseguia.

Mas, não são todos os professores que se encontram treinados para ouvir linguagens diferentes das que a escola instituiu como única e universal.

FONTE:
ANTUNES, Celso. Marinheiros e professores. - 6a ed. - Petrópolis: Editora Vozes, 2000, p. 71-73.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Educação e autoconhecimento


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“Se a sociedade nos abandona, a solidão é tratável, mas se nós mesmos nos abandonamos, ela é quase incurável.” A.Cury.





É comum as pessoas interrogarem sobre a responsabilidade da educação dos filhos(as). Pais ausentes, muitas vezes responsabilizam a escola pela boa ou má educação dos filhos, e, por sua vez, as escolas se defendem com certa razão de que a educação começa em casa. Mas, eis a grande questão: é tarefa dos pais e da família, educar os filhos, cabendo a escola unicamente a tarefa de transmitir conhecimentos?Pessoalmente, acho que a responsabilidade da educação é de todos, família, escola e sociedade. A educação começa na família e continua tanto na escola bem como a sociedade, mediante o estabelecimento de relações interpessoais significativos. A escola deve ser vista como um complemento da educação familiar.

Não podemos continuar loteando nossos filhos, por isso, pais, educadores e a sociedade têm responsabilidades sobre o futuro emocional, social e intelectual dos mesmos, excluindo assim, a pretensão de alguns pais em terceirizar a educação dos filhos, atribuindo à escola uma responsabilidade que também é deles.

Muitos pais perderam o respeito e a capacidade de educar porque não entendem os comportamentos espontâneos dos seus filhos. Muitos querem ensinar seus filhos a serem pacientes, mas eles mesmos são impulsivos, ou ensiná-los a ser flexíveis quando eles mesmos são engessados e rígidos. O exemplo não é só uma boa forma de educar, é a mais poderosa e eficiente. O exemplo grita muito mais que as palavras… Devemos plantar janelas light, objetivando contribuir para a formação de mentes livres e emocionalmente saudáveis.

Porém, como é sabido, a educação clássica ensina aos alunos, desde a pré-escola à pós-graduação, milhões de informações sobre o mundo e que vivemos, mas, não ensina quase nada sobre os fenômenos que nos tornam seres pensantes. Com as devidas exceções, homens e mulheres com diplomas nas mãos, sem proteção emocional, sem a capacidade reflexiva e questionadora, passivos, sem habilidades para lidar com perdas e frustrações, sem capacidade mínima de filtrar estímulos estressantes e de ser líderes de si mesmos.

Um dos grandes desafios da educação do sec. XXI deveria estar embasada em práticas que levassem a descoberta e ao entendimento do próprio “eu”, e dos seus papeis fundamentais. Porém, cotidianamente, usamos a palavra “eu” sem ter a compreensão a sua verdadeira dimensão, suas habilidades e funções vitais.
Segundo Cury (2014), existem pelo menos vinte e cinco papéis vitais que ajudam a desenvolver e a honrar a condição de homo sapiens, ou seja, um ser pensante. Porém, na impossibilidade de fazer uma listagem exaustiva desses vinte e cinco papéis, elucidarei alguns, não por serem os mais importantes, mas, pela sua pertinência. Assim destaco:
  • capacidade de criar pontes, ou, seja, saber que toda a mente é um cofre, que não há mentes impenetráveis, mas chaves erradas; 
  • aprender a dialogar e a transferir o capital das experiências, e não apenas comentar o trivial;
  • reciclar a influência do sistema social que nos torna meros números no tecido social, e não seres humanos complexos, desenvolver o altruísmo, solidariedade e tolerância inclusive conseguem mesmo; 
  • gerenciar a lei do menos e do maior esforço e educar-se com todas as vinte e quatro funções mais complexas da inteligência, para desenvolver a mais notável delas: ser o autor da sua própria história ou gestor da sua mente. 
Para o desenvolvimento dessas habilidades, a mediação do professor torna-se indispensável, que segundo Cury (2014), são os profissionais mais importantes e ao mesmo tempo desvalorizados, o que tem levado o sistema educativo mundial a um estado agonizante, formando alunos imaturos e despreparados para serem líderes de si mesmos numa sociedade digital.

Ainda estamos presos a uma educação clássica em que o “eu” não é organizado, treinado e preparado para ser gestor psíquico, torna-se um mero realizador de tarefas: “eu fiz, eu faço, eu farei” ou “eu desejei, eu desejo, eu desejarei”, esse tipo de “eu” é imaturo e serviçal, sujeito a obedecer ordens, sem consciência de seus papéis essenciais, contrariamente ao “eu” saudável inteligente, autônomo, autoconsciente e autocrítico.

No se livro Ansiedade: como enfrentar o mal do século, Cury (2014), explicita os seis tipos de eu:
1. o eu gerente - engloba as pessoas que aprenderam a gerenciar seus pensamentos e a exercer a arte de questionar, de duvidar dos pensamentos perturbadores, que critica as falsas crenças e determina ou decide estrategicamente onde quer chegar;
2. o eu viajante ou desconectado -  engloba as pessoas que perderam os parâmetros a realidade, vivendo assim, imersos em seu psiquismo, pensando, imaginando e fantasiando;  

3. o eu flutuante - pessoas que não tem ancora, segurança, estabilidade, clareza sobre onde está e onde quer chegar, não tendo a capacidade de exercer a capacidade de escolha autônoma e consciente, enfim, são pessoas que casam transtorno nas próprias relações, e perturbam a tranquilidade dos outros;  
4. o eu engessado - pessoas rígidas, fechadas, inflexíveis que vivem entediados e entediando seus íntimos. Defendem radicalmente suas convicções e não abre espaço para respeitar o diferente;  
5. o eu auto-sabotador - pessoas que vão contra a liberdade, conspira contra o seu prazer de viver, sua tranquilidade e seu êxito profissional e social. Um eu que sabota sua própria felicidade, pode ser ótimo para outros, mas péssimo para si próprio pode ser tolerante com os amigos, mas implacável consigo mesmo e raramente se dá uma nova chance; 
6. o eu acelerado -  estão incluídos um grande número de pessoas em todo mundo, em todas as sociedade modernas, de crianças a idosos que se entulham de informações, atividades e preocupações, fato que levou ao aparecimento da Síndrome do Pensamento Acelerado, que se tornou o grande mal do século, gerando péssima qualidade de vida, insatisfação crônica, retração da criatividade, doenças psicossomáticas, transtorno nas reações interpessoais, e consequentemente transtornos na relação consigo mesmo
Apesar da postura do "eu" revelar níveis de criatividade, maturidade, racionalidade, resiliência, capacidade de se adaptar as mudanças, de proteger a psique e de superar conflitos, não podemos esquecer de que, tanto na psiquiatra, bem como na psicóloga e na pedagogia, aliás, como em qualquer outra ciência que tenha como objeto de estudo o homem e o seu comportamento, nada é imutável.

Por isso, jamais podemos esquecer de que não existem soluções mágicas, então é necessária uma nova agenda para formar núcleos de habitação d eu. São necessários exercícios de educação diários para nos fortalecer mentalmente e preparar para novos desafios e novas conquistas.


Pais Brilhantes,Professores Fascinantes

Dr. Augusto Cury




Referência:
CURY, Augusto. Ansiedade, Como Enfrentar o Mal do Século: A síndrome do pensamento Acelerado: como e porque a humanidade, adoeceu coletivamente, das crianças aos adultos.1a. ed - Editora Saraiva, São Paulo 2014

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Os dois paradigmas da Modernidade: Capitalismo vs Socialismo


Em sua obra Nova era: a nova civilização planetária; desafios à sociedade e ao cristianismo, Leonardo Boff faz uma comparação entre os dois paradigmas da modernidade, ou seja, o capitalismo e o socialismo, demonstrando assim, que ambos fracassaram...


Segundo ele, o paradigma da modernidade se expressou em dois sistemas sociais antagônicos: o capitalismo e o socialismo. 

o capitalismo privatizou os bens e socializou os sonhos. O socialismo socializou os bens e privatizou os sonhos. ou seja, o capitalismo privatizou os bens (as fábricas, terras, bancos são propriedades privadas), mas deixou que os sonhos pudessem se exprimir por todos os meios de comunicação social, especialmente pela propaganda e pela televisão. Quer dizer, permite a socialização dos sonhos. Apenas cuida para que os sonhos se realizem dentro dos limites impostos pelos interesses do capital. Numa favela pode faltar pão, mas não o aparelho da televisão. Esta alimenta os sonhos pelas propagandas, pelas novelas, e pelas imagens falantes. 

O socialismo socializou os bens, as terras, as fábricas, a educação. Mas privatizou os sonhos. Somente eram aceites os sonhos sonhados pelo partido único ou que estivesse em concordância com o único sonho socialista. Todos os demais sonhos eram reprimidos e perseguidos. 

Hoje, podemos fazer um balanço. O socialismo fracassou. Impedindo os sonhos, impediu a liberdade, a criatividade e assim destruiu o senso humanitário. Implodiu. 

O capitalismo permite os sonhos. Os sonhos mesmo falaciosos, sustentam a esperança e prolongam a vida. por isso, ele continua. Mas, os sonhos ficaram só no imaginário...

Por isso, também ele não resolveu nenhum problema que o socialismo propunha a se resolver. Antes pelo contrário: os problemas se agravaram a nível mundial. Há hoje mais problemas e mais pobreza e mais violência generalizada do que há cinco anos, tanto nos países ricos quanto nos países empobrecidos.

Qual a suprema ironia? depois de quinhentos anos, o sonho de desenvolvimento provocou subdesenvolvimento da maioria dos países do mundo. A dominação da natureza provocou sua rebelião ameaçando, pela poluição, pelo buraco do azônio e por outros desequilíbrios ecológicos, a vida das pessoas e outras espécies vivas. 

O capitalismo criou uma cultura do eu sem nós. O socialismo criou uma cultura donós sem eu. Agora precisamos da síntese que permite a convivência do eu com o nós. Nem individualismos nem coletivismos, mas democracia social e participativa. Precisamos fazer uma autocorreção com referência a concepção de ser humano, à integração do feminino e à aliança com a natureza. Daí, pode nascer a nova espiritualidade e o fio que tudo re-liga. 

Fonte: BOFF, Leonardo. Nova era: a nova civilização planetária; desafios à sociedade e ao cristianismo. São Paulo: Ática, 1994.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Só existe ensino se alguém aprende




De acordo com Lídia Maria Rodrigo, autora da obra Filosofia em sala de aula: teoria e prática para o ensino médio, o desafio imposto pelo ensino de massa tornaram necessário não apenas romper com certas práticas pedagógicas tradicionais, mas também, aderir a uma nova concepção de ensino, uma vez que ela perdeu autonomia e centralidade que gozava anteriormente. 

O professor tradicional, preocupava-se, sobretudo, com os conteúdos e a competência para ministrar sua aula, esperando que a aprendizagem fosse uma decorrência natural. Entretanto, quando os problemas da aprendizagem começaram a multiplicar, a possibilidade de haver contradição entre a lógica de ensino e a lógica de aprendizagem tornou-se flagrante. 

A pretensa autonomia da noção de ensino teve de ser revista, uma vez que, se o aluno não aprende, o professor mão pode dizer que ensina, apesar da competência de seu discurso. Portanto, ensino e aprendizagem passaram a ser conhecidos como noções correlatas, tendo em conta que só existe ensino se alguém aprende. A educação escolar, deixou de girar em torno da sabedoria do professor, tendo deslocado seu foco principal para o aluno. 

Referência:

RODRIGO, Lima Maria. Filosofia em sala de aula: teoria e prática para o ensino médio. - Campinas, SP: Autores associados, 2009. - (Coleção formação de professores). 

sexta-feira, 9 de junho de 2017

"ENTRETEXTOS" - CARTA AO LEITOR



Não resisti, e estou partilhando com os futuros leitores do "ENTRETEXTOS" a carta ao leitor escrita por alguém muito especial, e que acredita muito no meu potencial, como homem, pesquisador e escritor. Espero que todos possam se sentir tocados por essa mensagem, como eu me sinto todas as vezes que algo inexplicável me compele a relê-la, pois, o que é dito, feito e escrito com amor contagia.






Ao escrever esta carta, veio-me a pergunta primordial: por que ler ENTRETEXTOS? No mesmo átimo, respondo: para mesclar, confundir, juntar, prender, romper, entrelaçar-se a conhecimentos de contextos variados e de profunda reflexão filosófica. 

Os artigos desde livro são textos leves na escrita, exatos em seus objetivos, consistentes na argumentação, múltiplos em suas bibliografias, rápidos e concisos em seus liames, e intensos em sua compreensão. Ambos nos convidam a viajar através de uma leitura fácil, porém agradável e enriquecedora através de temas ligadas a filosofia, religião, política e ética que se entrelaçam em vários momentos, formando assim o ENTRETEXTOS.  
     
A perfectibilidade é um neologismo criado pelo filósofo, teórico da política e escritor Suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), para exprimir a capacidade que o homem possui de aperfeiçoar-se, e assim é Arlindo Rocha, um promissor intelectual nascido em um remoto vilarejo, encravado entre altas montanhas, chamado Ribeira Alta na Ilha de Santo Antão, num país arquipelágico chamado Cabo Verde, situada na costa ocidental africana que dia-a-dia aperfeiçoa-se educacional, cultural, social, e espiritualmente, reconhecendo a sua posição no mundo e aprimorando cada vez mais sua relação com os outros através da produção cultural e literária.

 ENTRETEXTOS deve ser lido, Arlindo Rocha, conhecido, pois este autor reconhece suas misérias existenciais, e ao olhar e perguntar: O que é o homem? Com certeza ele responderá que é a construção, é o aperfeiçoar-se, é o mesclar-se, é o transcender-se, é a benção, a maldição, o nada, o meio é a compreensão, é a ambivalência, o buscar de suas raízes, da perfectibilidade e da melhoria de suas virtudes, grandezas, até a morte.


É ter Fé! É Amor fati!
Boa Leitura. 



OBS: O LIVRO ENCONTRA-SE DISPONÍVEL NA LIVRARIA BOLÍVAR EM COPACABANA.
ENDEREÇO: RUA BOLÍVAR 42A - COPACABANA. TEL: 21 - 32083600






[1] Mestre em Filosofia do Direito pelo Centro Universitário Euripedes de Marília com período sanduíche em Freie Universität Berlin (2006); graduada em Abi-Filosofia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2004), graduada em Direito pelo Centro Universitário Euripedes de Marília (2003). E-mail: priscillarochacontatos@gmail.com

domingo, 26 de fevereiro de 2017

INTENÇÃO DE PUBLICAÇÃO DA MINHA PRIMEIRA OBRA



Caros (as) amigos (as)

Estou muito empenhado na publicação da minha primeira obra sob o título "ENTRETEXTOS", que é uma coletânea de artigos acadêmicos elaborados desde 2012 , onde abordo temas ligados a: Ciência Política, Filosofia Política, Filosofia Antiga, Filosofia da Cultura, Religião e Ética.

Alguns dos artigos que fazem parte desta coletânea foram publicados em Revistas Acadêmicas, e, os outros em sites eletrônicos .

Os artigos resultam da minha passagem por três Instituições de Ensino no Brasil:
Ø PUC-Rio – aluno especial;
Ø Universidade Católica de Petrópolis – Pós-Graduação lato senso e
Ø PUC-SP, aonde terminei o Mestrado em dezembro de 2016.

Meu objetivo com este livro é dialogar com outras áreas do conhecimento, como educação, sociologia, antropologia, história, religião, entre outras, atendendo ao aspecto multidisciplinar que muitas vezes permeia o debate filosófico e que, também, auxilia a tarefa docente interdisciplinar.

Além de difundir o conhecimento além mar, ou seja levar ao meu continente, ao meu país um livro em língua portuguesa que possa contribuir para pesquisas sobre a filosofia, assim como instigar outros que como eu batalham no caminho acadêmico, que não é fácil.

Espero que este livro possa servir como estímulo a outros estudantes africanos que saem de seu país em diásporas para buscar aprimoramento em diversas áreas e muitas vezes encontram lugares ainda marcados pelas feridas coloniais e que por vezes esses lugares/ países ainda nos reduzam ao imaginário inferiorizante tão comum em nosso cotidiano, quiça essa realidade possa mudar, e este livro é um caminhar por mudanças, é uma ação, e em especial para mim, um sonho, prestes a realizar.

Tenho a intenção de presentar amigos, colegas, familiares e professores que me apoiaram de forma direta ou indiretamente ao longo desses cinco anos, por isso, estou lançando uma CAMPANHA DE ARRECADAÇÃO PARA O PUBLICAÇÃO DO LIVRO, para essa primeira edição que não terá fins lucrativos, e sim, presentear a todos que me apoiaram, apoiam.

Conto mais uma vez com o vosso apoio!


Quem quiser colaborar é só CLICAR AQUI: 

Obrigado!

Arlindo Nascimento Rocha
E-mail: arlindonascimentorocha@gmail.com
(005521) 983857396 – (005521) 25493541

Mestre em Ciência da Religião;
Pós-Graduado em Administração, Supervisão e Orientação Educacional e Pedagógico;
Licenciado em Filosofia.

http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do…
http://estudocientificodareligiao.blogspot.com.br/
https://blaisepascalogenio.blogspot.com.br/
http://docenteinovador.blogspot.com.br/

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

PONDÉ EM NITERÓI




Pondé em Niterói

"Nesta quinta-feira (16) o filósofo Luiz Felipe Pondé se apresenta, às 18h30, no Teatro Popular. Com entrada franca, o pernambucano ministrará palestra com o tema “Cidadania, Trânsito e Meio Ambiente no mundo globalizado: quais os ganhos e as perdas?”. As vagas são limitadas e os interessados devem chegar uma hora antes para retirada da entrada".     
[In: Jornal O Fluminense do dia 14/03/2017]


"A NITTRANS através do Departamento de Educação para o Trânsito, Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia, a Secretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade, a Coordenadoria de Políticas Públicas para a Juventude, o Programa Niterói de Bicicleta, a Biblioteca Pública de Niterói, a Porto Seguro, TIO SAM-MOVIMENTO do OTIMISMO e a ECOPONTE mais uma vez se uniram para realizar um evento para a cidade de Niterói: a CAMPANHA VOLTA ÀS AULAS e para finalizar nossas ações teremos a Palestra para Professores, Pais, Universitários e população em geral com Luiz Felipe Pondé, no dia 16 de fevereiro às 18:30h no Teatro Popular, com entrada gratuita, mediante retirada da entrada uma hora antes no próprio teatro. São 450 lugares"!!!


"Possui graduação em FIlosofia Pura pela Universidade de São Paulo (1990), mestrado em História da Filosofia Contemporânea pela Universidade de São Paulo (1993), DEA em Filosofia Contemporânea - Universite de Paris VIII (1995), doutorado em Filosofia Moderna pela Universidade de São Paulo (1997) e pós-doutorado (2000) em Epistemologia pela University of Tel Aviv. Atualmente é professor assistente da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, professor titular da Fundação Armando Álvares Penteado. Outros vínculos significativos em pós-graduação: Escola Paulista de Medicina, Unifesp, professor e pesquisador convidado (2007) , University of Warsaw, professor convidado (2007), Universität Marburg, professor e pesquisador convidado (2002 e 2003) - University Of Tel Aviv, pesquisador (1999 a 2000) - Universite de Paris VIII, pesquisador (1994 a 1996) - Universidad de Sevilla, professor convidado (2005) - Universite Catholique de Louvain (2002 até o presente) e colunista exclusivo do Jornal Folha de S. Paulo. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Ciências da Religião e Filosofia da Religião, atuando principalmente nos seguintes temas: religião, mística, santidade, angústia, modernidade/Pós-modernidade e epistemologia" [ In: Currículo Lattes - 15/03/2017]

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Conceito e pressupostos da Orientação Educacional



O Orientador Educacional, antes era visto como o responsável por encaminhar os estudantes considerados "problemáticos" aos psicólogos. Entretanto, com o passar dos anos ganhou uma nova função, perdeu o antigo e pejorativo rótulo de delegado e hoje trabalha para intermediar os conflitos escolares e ajudar os professores a lidar com alunos que apresentam dificuldade de aprendizagem e comportamento.

Literalmente, a orientação é um ato ou um processo de orientar. A semântica do termo orientar nos diz que ele significa “guiar, dirigir, indicar o rumo”, mas que pode ser empregado no sentido de “reconhecer a situação do lugar que se acha para ser guiado no caminho” ou mesmo no de “examinar cuidadosamente os diferentes aspectos de uma questão” (SILVEIRA, 1955, p. 809). Enquanto no primeiro caso, o ato de orientar parece permanecer exterior ao sujeito, traduzindo uma certa conotação de heteronomia, nos demais significados, a ênfase parece repousar muito mais na atividade de um sujeito que, em vez de sofrer o processo e se declarar orientado, assume seu papel de agente e, por isso, se diz orientando.
Segundo Goldberg, a orientação educacional é uma prática humana tão velha quanto a própria humanidade. Em verdade, ela tornou-se uma empresa florescente, logo após o nascimento do primeiro rebento de Adão, assim pais, chefes de tribos, e seus agentes educativos tem assumido a responsabilidade pela direção dos jovens, dos fracos e dos aflitos e, áreas como desenvolvimento moral, escolha vocacional e treinamento, desde o começo do mundo. Placco (1994, p. 30),   

Conceitua a orientação educacional como um processo social desencadeado dentro da escola, mobilizando todos os educadores que nela atuam – especialmente os professores – para que, na formação desse homem coletivo, auxiliem cada aluno a se construir, a identificar o processo de escolha por que passam, os fatores socioeconômico-político-ideológicos e éticos que o permeiam e os mecanismos por meio dos quais ele possa superar a alienação proveniente de nossa organização social, tornando-se, assim, um elemento consciente e atuante dentro da organização social, contribuindo para sua transformação. 

Todos eles têm a responsabilidade em grau maior ou menor para uma orientação do tipo conselheira: seus agentes em nome de prestigio e de sua autoridade de que são investidos socialmente buscam através de “conselhos” encaminharem os leigos, os inexperientes, os ingênuos, para determinados fins considerados valiosos pelos “orientadores”.

Mas, só na primeira década do século XXI é que sob a pressão de necessidades sociais, se destaca, do fundo indiviso da orientação, uma nova prática de orientação, como atividade profissional específica. Esta se define agora, assistência técnica proporcionada pelo orientador ao orientando, com o objetivo de desenvolver, neste último, de forma racional e responsável.

Tanto uma como outra sempre buscaram controlar e modificar o comportamento humano, a diferença entre ambas residindo, sobretudo, nas estratégias e nos objetivos da ação. Enquanto a orientação “conselheira” busca dirigir o orientando para certas decisões que o orientador definiu a priori como valiosas, a orientação busca assistir o orientando no processo decisório, não para que ele chegue necessariamente às mesmas decisões, que o orientador considera valiosas, mas para que ele desenvolva uma metodologia da escolha racional e responsável. A orientação interessa produzir indivíduos que sejam capazes de decidir tendo em vista o máximo de conhecimento possível dos fatores e alternativas em jogo (racionalidade) e assumindo todas as consequências de sua decisão (responsabilidade).

Em outras palavras: o modelo de homem que a Orientação privilegia é o daquele que sabe tomar decisões de forma crítica e não o daquele que as toma ingenuamente. Para usar da clássica distinção da orientação integrada a “educação de processo” enquanto a orientação integra a “educação de produto”.  Daí, partimos do princípio que, a orientação educacional tem como pressuposto básico o da liberdade de escolha e de pensamento criativo, reflexivo e consciente.

Referências

GOLDBERG, Maria Amélia Azevêdo. A profissão de orientador educacional. Cadernos de Pesquisa 10 (1974): 38-40.  

PLACCO, V. M. N. S. Formação e prática do educador e do orientador. 1ª Edição. Campinas, SP: Papirus, 1994.

SILVEIRA, Bueno. Orientador [ definição]. In ______ Dicionário escolar de língua portuguesa. - Rio de Janeiro, Ministério da educação e cultura, 1955.