EDUCAÇÃO, CULTURA & CIDADANIA
"O homem não é um ser-substância de quem poderíamos descrever e coisificar as atitudes comportamentais. Não é um ser estático e acabado, cujo comportamento teria o privilégio de assemelhar-se à sua essência, isto é, a uma definição de seu ser inscrita na "natureza humana". Porque antes de constituir um ente como outro qualquer, o homem é um existente que se constrói constantemente por sua presença no mundo: é um ser histórico, em devir, que sempre se coloca em questão". JAPIASSU, Hilton.
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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025
Filosofar
quinta-feira, 23 de janeiro de 2025
Publicação de Manual de Filosofia Para o 11º do Ensino Secundário em Cabo Verde
OBS.: O livro estaré dinsponível no site da Editora Autografia e em várias Plataformas difitais em formato Ebook (digita) e impresso.
quarta-feira, 9 de outubro de 2024
O que o Mito de Sísifo nos ensina sobre o absurdo da existência?
No coração da filosofia existencialista encontra-se uma imagem poderosa e desanimadora:
a do Rei Sísifo, condenado a empurrar uma imensa rocha acima, só para vê-la rolar de novo para baixo, repetindo esta tarefa inútil por toda a eternidade.
Este mito,
extraído da mitologia grega e revitalizado pelo filósofo francês Albert Camus
no seu ensaio "O Mito de Sísifo", tornou-se um símbolo duradouro da
luta humana contra a futilidade e o absurdo da existência.
Na mitologia
grega, Sísifo era um rei astuto e desafiador que enganou os deuses em diversas
ocasiões. Sua astúcia e arrogância finalmente lhe valeram um castigo eterno
imposto por Zeus:
tinha que empurrar uma rocha gigante para o topo de uma colina, só para que a rocha rodasse de novo para baixo, forçando-o a recomeçar, num ciclo interminável de esforço e fracasso.
Albert Camus
retoma este mito no seu ensaio para explorar a condição humana num mundo sem
sentido inerente. Para Camus, a luta de Sísifo representa a vida humana:
uma série interminável de tarefas repetitivas e aparentemente sem propósito, num universo indiferente. No entanto, em vez de sucumbir ao niilismo, Camus encontra nesta imagem uma oportunidade de rebelião e afirmação da vida.
Segundo Camus,
a própria vida é absurda, marcada por uma desconexão fundamental entre nossas
expectativas de significado e a indiferença do cosmos. Mas em vez de ficar
desesperado perante este absurdo, Camus sugere que devemos abraçá-lo e
encontrar nossa própria maneira de dar sentido às nossas vidas. Aqui reside a
verdadeira força de Sísifo:
embora sua tarefa seja inútil, Sísifo continua empurrando a rocha. Neste ato de resistência, Camus vê um modelo para a existência humana.
"É
preciso imaginar Sísifo feliz", conclui Camus. Esta afirmação, embora
paradoxal, encapsula a essência do pensamento do filósofo.
A felicidade
de Sísifo não vem da esperança de sucesso em sua tarefa, mas da plena aceitação
do seu destino e da dedicação ao seu esforço apesar da futilidade. É nessa
rebelião consciente contra o absurdo que Sísifo encontra sua liberdade e seu
significado.
O mito de
Sísifo nos desafia a refletir sobre nossas próprias vidas. Como encaramos a
repetição e a aparente falta de propósito em nossos estoques? Camus nos convida
a não procurar respostas definitivas, mas a encontrar valor e alegria no ato de
viver, no esforço contínuo e na aceitação da nossa condição humana.
Assim, o mito
se torna uma alegoria moderna para a luta diária de cada indivíduo. Lembra-nos
que, embora a vida possa parecer uma série interminável de subidas e descidas,
nossa atitude em relação a essa luta pode transformar nossa percepção da
realidade. Assim como Sísifo, podemos encontrar no próprio esforço uma fonte de
significado e satisfação.
Em última
análise, a história de Sísifo e a interpretação de Camus nos oferecem uma
perspectiva profundamente humana sobre a existência:
aceitar o absurdo, resistir ao desespero e encontrar na nossa própria luta a essência do que significa viver.
quinta-feira, 26 de setembro de 2024
A história de Argos que esperou 20 anos pelo retorno de Ulisses para poder morrer
sexta-feira, 16 de agosto de 2024
Publicação da versão digital do Manual de Filosofia para o 10º Ano em Cabo Verde
A ausência de manuais nacionais em diversas disciplinas tem sido um desafio persistente no sistema educativo cabo-verdiano, impactando alunos e professores. A falta de recursos didáticos que reflitam as necessidades pedagógicas e culturais do país força os professores a recorrerem a materiais estrangeiros, frequentemente desajustados às necessidades e a realidade dos alunos, comprometendo a eficácia do ensino e a compreensão dos conteúdos.
Desta forma, a iniciativa de elaboração e publicação do Manual de Filosofia para o 10º ano de escolaridade é uma conquista importante para o país. Este recurso pedagógico, mais do que uma simples instrumento pedagógico, simboliza um avanço importante na consolidação do ensino e da aprendizagem da filosofia
Este manual
oferece aos alunos conteúdos importantes e em conformidade com o programa
elaborado pelo Ministério da Educação de Cabo Verde, facilitando a compreensão
e a aplicação dos conceitos filosóficos. Além disso, fornece aos professores um
recurso didático de apoio que facilita a construção do conhecimento filosófico.
Seguramente, a
utilização deste manual preenche uma lacuna importante, como também sublinha a
necessidade urgente de produzir outros materiais semelhantes em outras áreas do
conhecimento.
O presente Manual
oferece, portanto, uma estrutura organizada que auxilia na formação de um
pensamento crítico, capacitando os alunos a questionar, a analisar e a compreender
o mundo. Ao promover o debate e a reflexão, este contribui para a
formação de cidadãos conscientes, preparados para participar ativamente na
sociedade e enfrentar os desafios complexos do mundo moderno.
A publicação
de uma versão digital do manual representa uma solução para que este seja acessível
a todos tendo em conta o elevado custo das impressões e a difícil logística
de enviar os exemplares para Cabo Verde. Além disso, a versão digital pode ser
atualizada de forma rápida e eficiente, garantindo que os conteúdos sejam aprimorados em conformidade com as necessidades pedagógicas dos
alunos.
Neste
contexto, é fundamental que o Ministério da Educação de Cabo Verde reconheça a
importância de investir na produção de mais manuais nacionais, não apenas para
filosofia, mas para todas as disciplinas. Estes recursos são essenciais para
assegurar que os alunos recebam uma educação de qualidade, adaptada às suas
realidades e necessidades.
Aos pais, é
crucial que incentivem os seus filhos a utilizarem este manual,
reconhecendo o seu valor na formação académica e pessoal. Aos professores, cabe
explorar o manual em toda a sua extensão, contribuindo para uma educação mais
rica e significativa.
Que este seja
apenas o primeiro de muitos recursos que venham a enriquecer o ensino e a
aprendizagem no país.
O manual pode ser adquirido no site da Editora Autografia, na Amazon.com.br, ou diretamento com o autor.
quarta-feira, 14 de agosto de 2024
Manual de Filosofia para o 10º ano de escolaridade em Cabo Verde
O Manual
de Filosofia para o 10º ano de escolaridade, escrito por Arlindo Rocha e
publicado pela Autografia Editora em 2024, é uma obra significativa para a
educação em Cabo Verde. Este manual foi desenvolvido com o objetivo de fornecer
uma base sólida em filosofia, abordando temas essenciais que promovem o
pensamento crítico e a reflexão entre os estudantes.
Conteúdo e estrutura do manual
O manual é
estruturado de forma a facilitar a compreensão dos conceitos filosóficos, sendo
dividido em várias seções que cobrem desde a introdução à filosofia até
questões contemporâneas. Cada capítulo apresenta uma combinação de teoria e
prática, incluindo exercícios e questões de reflexão que incentivam os alunos a
aplicar o que aprenderam. A obra também inclui referências a filósofos
clássicos e contemporâneos, permitindo que os estudantes se familiarizem com
diferentes correntes de pensamento.
Importância educacional
A criação
deste manual é um marco importante na educação cabo-verdiana, especialmente
porque a filosofia não era amplamente abordada no currículo escolar anterior.
Arlindo Rocha, que é professor e pesquisador, destaca a importância da
filosofia na formação do cidadão crítico e consciente. Ele argumenta que o
ensino da filosofia é fundamental para o desenvolvimento do pensamento
analítico e da capacidade de argumentação dos jovens, habilidades essenciais em
uma sociedade democrática.
Desafios e reconhecimento
Apesar de sua
relevância, Rocha expressou preocupação com a falta de apoio do Ministério da
Educação em relação à implementação do manual nas escolas. Ele acredita que a
adoção deste material poderia enriquecer o currículo e oferecer aos alunos uma
nova perspectiva sobre questões éticas, políticas e sociais. O manual é,
portanto, um recurso didático e um convite à reflexão sobre o papel da
filosofia na educação e na sociedade cabo-verdiana.
Em resumo,
o Manual de Filosofia para o 10º ano de escolaridade é uma
contribuição valiosa para o ensino em Cabo Verde, promovendo uma educação que
valoriza o pensamento crítico e a reflexão filosófica.
O Manual pode
ser adquirido no site da Editora Autografia AQUI ou diretamente com o autor.
Leia mais CLIQUE AQUI / CLIQUE AQUI
Entrevista CLIQUE AQUI
sexta-feira, 14 de junho de 2024
Manual de Filosofia para o 10º Ano de Escolaridade em Cabo Verde
segunda-feira, 15 de abril de 2024
União filosófica: transformando sonhos em realidade
"Sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só. Mas sonho que se sonha em conjunto é realidade”
(Prelúdio - Raul Seixas).
A frase de Raul Seixas ressalta a importância da colaboração na realização dos sonhos. Quando sonhamos sozinhos, nossas aspirações podem parecer distantes e efêmeras. No entanto, ao compartilharmos nossos sonhos e trabalharmos juntos para alcançá-los, estes são facilmente transformados em realidade. Portanto, a frase nos lembra que a união, a solidariedade, a empatia e o trabalho em equipe são fundamentais para o sucesso individual e coletivo.
A publicação deste Manual de Filosofia é um
sonho que vem me acompanhando desde 2016, e que agora se materializa graças aos
amigos, colegas e professores que, juntos tornaram este sonho uma
realidade tangível.
Entre os
entusiastas deste projeto, destaco a valiosa contribuição do Doutor Alcides
João Ramos, professor da Universidade de Cabo Verde (UniCV), polo II do Mindelo
(São Vicente), carinhosamente tratado como “professor Tchida” pelos seus alunos
e ex-alunos.
A despeito das
suas obrigações acadêmicas, o professor Alcides dedicou seu tempo e experiência
para redigir o Prefácio deste Manual. Sua contribuição foi de suma importância,
não apenas validando a relevância deste, mas também fornecendo uma orientação
fundamental para compreendermos o valor acadêmico do projeto.
A jornada
acadêmica é árdua, solitária e, por vezes, silenciosa. Contudo, afirmo e
reafirmo que é gratificante lutar para fazer a diferença. Não é por vaidade,
mas com o ideal e o sentido de dever em contribuir com o sistema educativo
cabo-verdiano, especialmente com a aprendizagem dos alunos e o trabalho dos
professores, que há décadas aguardam por um Manual que os auxilie em suas
atividades letivas.
Nesta jornada
não estive sozinho, fui motivado e estimulado a continuar quando havia razões
para desistir do projeto. Continuei por mim, pelos meus colegas e pelos alunos.
Por isso,
resolvi compartilhar integralmente o Prefácio elaborado pelo professor Alcides,
demonstrando assim a importância de reconhecer e valorizar o Manual que, em
breve estará disponível tanto no Brasil, assim como em Cabo Verde.
“Há 17 anos tive o prazer de
conhecer a autor deste livro, ou seja, era o seu professor no curso de
filosofia, na altura a instituição tinha a designação de ISE (Instituto
Superior de Educação). Posteriormente foi incorporada em 21 de novembro de
2006, na estrutura de uma nova universidade que estava a emergir: a UniCV
(Universidade Pública de Cabo Verde).
Foi, sem dúvida, um encontro promissor que está a dar os seus frutos
porque, logo à primeira vista, se percebeu que se estava perante um estudante
com muita capacidade e talento, que se revelou desde a primeira hora, ou seja,
durante a sua formação e pós graduação, que se tem prolongado durante esses anos,
como também no que concerne à parte investigativa, na qual resultou na
elaboração de diversa obras e artigos científicos, bem como atividades de
âmbito social que o mesmo tem tomado parte e, por último, ele nos patenteia com
este magnífico Manual de Filosofia para o 10º ano de escolaridade, em
conformidade com o programa da disciplina vigente em Cabo Verde.
Não obstante estar neste momento a residir no Brasil, num gesto de grande
patriotismo e com noção do dever à Pátria que o viu nascer, produz este manual
revelando, uma vez mais, o seu talento e a sua criatividade.
No primeiro contacto que tive com o mesmo, gostei, fiquei maravilhado,
“como amor à primeira vista”. Uma obra muito bem estruturada, com uma linguagem
simples, leve e de fácil leitura e compreensão; acessível aos jovens que estão
dando os primeiros passos nos estudos filosóficos, obedecendo a todos os
critérios pedagógicos, didáticos e científicos atuais.
No início de cada capítulo apresenta a descrição dos conteúdos e os
objetivos a desenvolver e os resultados esperados. O desenvolvimento dos temas
é feito com muita precisão didática, com muitas ilustrações e gravuras,
juntando a um glossário; igualmente tem textos de apoio com perguntas para
estimular o espírito crítico e reflexivo dos alunos. Os conteúdos são sempre
enquadrados com a realidade cabo-verdiana e com ilustrações.
No final de cada tema, é apresentado um questionário para a aferição da
compreensão, entendimento dos alunos e perceber se os objetivos propostos foram
alcançados. Um aspeto relevante que deve ser salientado, a nosso ver, no qual
traz mais brilho especial a este Manual de Filosofia, é o seu enquadramento com
o continente africano, com ilustrações.
O autor pretende, com a publicação deste trabalho, apresentar aos alunos
a história do pensamento filosófico a partir do seu surgimento e evolução,
estimulando os mesmos a buscar respostas por meio da reflexão e do debate
crítico e, por conseguinte, tem como objetivo despertar o interesse e a
curiosidade para o estudo da filosofia, bem como para questões existenciais da
atualidade.
Neste sentido, este manual tem todas as condições para enriquecer a
personalidade e a vida intelectual dos alunos, ajudando-os a ser autónomos e
livres na tomada de decisões, emponderando-os a enfrentar os desafios que o mundo
global nos apresenta, contribuindo positivamente para um mundo melhor, no
geral, e, em particular, a sociedade cabo-verdiana.
Consideramos que o autor, ao produzir este Manual, prestou um elevado
serviço público à sociedade cabo-verdiana, país carente de manuais didáticos
nacionais que possam servir de instrumento de trabalho, estudo e pesquisa na
aquisição de novos conhecimentos, ajudando os alunos, por um lado, e
professores, por outro, na honrosa missão de ensinar sempre com mais qualidade,
mestria e idoneidade.
Parabéns ao autor pela brilhante iniciativa, e aos jovens que aproveitem
para desenvolverem a capacidade de aperfeiçoar as suas competências básicas,
como a análise crítica, a argumentação sólida e a capacidade para tomadas de
decisões, sempre de forma reflexiva.
Termino com uma frase do autor, Arlindo Rocha, extraído nas “Palavras
finais” do Manual: “estudar filosofia é uma tarefa para a vida e, como tal,
deve ser estudado e aprimorado continuamente”.
Doutor Alcides João Ramos
Docente da Universidade de Cabo Verde (UNICV) – Mindelo - São Vicente - 30/10/2023.
Mais uma vez,
expresso minha profunda gratidão ao professor Alcides, cujo apoio foi fundamental
para a concretização deste sonho, pois, sua generosidade e compromisso refletem
sua excelência como professor e amante da filosofia.
Que este
Manual possa inspirar e enriquecer a vida intelectual dos alunos, mas também
inspirar futuras gerações a explorar os caminhos da reflexão filosófica.
Obrigado, Professor Alcides, por sua incrível generosidade e apoio inestimável.
Doutor Arlindo Nascimento Rocha Niterói, Rio de Janeiro - 05/04/2024.
Artigo Publicado no Mindel Insite (10/04/2024) CLIQUE AQUI
quarta-feira, 17 de agosto de 2022
AMANHÃ É TARDE [SENECA]
quinta-feira, 12 de maio de 2022
Formação Continuada de Professores
1. Comprometimento: estar atento às mudanças políticas e sociais, bem como às mudanças que acontecem dentro do seu ambiente de trabalho;
2. Competência: ser um profissional que se interesse pelo novo e que busque sempre outras metodologias visando à melhoria na aprendizagem;
3. Crítica: ter valores bem resolvidos, fazendo com que seus alunos obtenham direção para transformar-se em pessoas melhores e, consequentemente, formar uma sociedade pensante;
4. Abertura a mudanças: em se tratando de inserir novas tecnologias dentro de sala de aula, é necessário que o docente esteja apto a aceitar tais novidades.5. Exigência: que busque de seus alunos sempre mais, instigando e incentivando a aquisição contínua de conhecimento.6. Interatividade: que consiga trocar informações e experiências com todo o corpo docente, os alunos e até mesmo os pais, resultando em uma educação em que todos têm voz ativa para expor suas ideias.
In: Formação Continuada de Professores e Especialistas em Educação: UNESCO.