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segunda-feira, 23 de maio de 2016

Saiba Mais: Filosofia e Sociologia (Aulas 1)

Aula 1 - Filosofia - 
Da Mitologia à Filosofia: Rupturas e Continuidades


TEXTO COMPLEMENTAR

Mito e Filosofia
O homem pode ser identificado e caracterizado como um ser que pensa e cria explicações. Criando explicações, cria pensamentos. Na criação do pensamento, estão presentes tanto o mito como a racionalidade, ou seja, a base mitológica, enquanto pensamento por figuras, e a base racional, enquanto pensamento por conceitos. Esses elementos são constituintes do processo de formação do conhecimento filosófico. Este fato não pode deixar de ser considerado, pois é a partir dele que o homem desenvolve suas ideias, cria sistemas, elabora leis, códigos, práticas.

Compreender que o surgimento do pensamento racional, conceitual, entre os gregos, foi decisivo no desenvolvimento da cultura da civilização ocidental é condição para que se entenda a conquista da autonomia da razão (lógos) diante do mito. Isso marca o advento de uma etapa fundamental na história do pensamento e do desenvolvimento de todas as concepções científicas produzidas ao longo da história humana.

O conhecimento de como isso se deu e quais foram as condições que permitiram a passagem do mito à filosofia elucidam uma das questões fundamentais para a compreensão das grandes linhas de pensamento que dominam todas as nossas tradições culturais. Deste modo, é de fundamental importância que o estudante do Ensino Médio conheça o contexto histórico e político do surgimento da filosofia e o que ela significou para a cultura. Esta passagem do pensamento mítico ao pensamento racional no contexto grego é importante para que o estudante perceba que os mesmos conflitos entre mito e razão, vividos pelos gregos, são problemas presentes, ainda hoje, em nossa sociedade, na qual a própria ciência depara-se com o elemento da crença mitológica ao apresentar-se como neutra, escondendo interesses políticos ou econômicos em sua roupagem sistemática, por exemplo.

Ao escrever sobre o conteúdo estruturante Mito e Filosofia, os autores preocupam-se em desenvolver textos que permitam aos estudantes de filosofia fazerem a experiência filosófica a partir de três recortes, que são: Mito e Filosofia; O Deserto do Real; Ironia e Filosofia. Além destes, muitos outros recortes são possíveis dentro deste Conteú­do Estruturante.
  • Mito e Filosofia: trata do problema da ordem e da desordem no mundo. O homem, ao procurar a ordem do mundo, cria tanto o mito como a filosofia. Muitos povos da antiguidade experimentaram o mito, que é um pensamento por imagens. Os gregos também fizeram a experiência de ordenar o mundo por meio do Mito. Estes perceberam que o Mito era um jeito de ordenar o mundo. A experiência política grega, ao longo dos anos, trouxe a possibilidade do pensamento como logos (razão), pois a vida na pólis impôs exigências que o mito já não satisfazia. Mas será que com a filosofia o mito desaparece? Será que em nossa sociedade ainda nos orientamos pelo pensamento mítico? Além dessas e outras questões, esse conteúdo procurará as conexões sociológicas e históricas para entender o mito e o nascimento da filosofia na Grécia. 
  • Deserto do Real: trata do problema da distinção entre pensamento crítico e não crítico. O que é real, o que parece ser real? É proposto que se pense na realidade virtual, tão presente em nosso cotidiano. Quais as consequências disso para a constituição do nosso pensamento? Além disso, trata-se da condição histórica do surgimento da Filosofia, o que nos permite perceber a importância da Filosofia para a constituição da democracia e do pensamento político. O texto propõe interdisciplinaridade com a Sociologia e a História.
  • Ironia e Filosofia: propõe a ironia como experiência do método filosófico. Basta olhar para nosso dia-a-dia para perceber a ironia. O mundo é irônico, enquanto alguns se fecham em suas casas outros estão presos em sua condição social. É neste contexto que a ironia torna-se uma possibilidade de exercício do pensamento filosófico. Sócrates é apresentado como o primeiro filósofo a utilizar a ironia para levar seus discípulos rumo à aporia para que melhor se apropriassem do pensamento, a maiêutica. Além de Sócrates, Marx é um filósofo que mostra a sociedade capitalista como sendo uma grande ironia, com seus ideais de liberdade e democracia, mas que de fato não dá a todos esse direito. A música e a literatura são possibilidades de se desenvolver a ironia, seja para lutar contra o poder político autoritário, seja para questionar e criticar a sociedade burguesa falso moralista e conservadora.
 Os autores apresentam propostas de atividades que podem possibilitar o exercício do pensamento, do estudo e da criação de conceitos. Essas atividades levam estudantes e professores a filosofar por meio dos conteúdos da História da Filosofia.

Esse exercício do filosofar ocorrerá por meio da leitura, do debate, da argumentação, da exposição e análise do pensamento. A escrita constitui-se como elemento importante de registro e sistematização, sem a qual o discurso pode perder-se no vazio. É importante lembrar que o processo do filosofar se dá por meio da investigação na qual estudantes e professores descobrem problemas, mobilizam-se na obten- ção de soluções filosóficas, estudam a História da Filosofia buscando no trabalho com os conceitos o caminho do filosofar e recriar conceitos.


FONTES: 
Filosofia / vários autores. – Curitiba: SEED-PR, 2006. – 336 p
ASSISTIR MAIS EM: 
https://www.youtube.com/playlist?list=PLGEYBxymOsE523yp54yrjvaJmv3PsEjF6





sexta-feira, 20 de maio de 2016

A REFLEXÃO PEDAGÓGICA

Qualquer atividade educacional que se queira intencional e eficaz tem claros os pressupostos teóricos que orientam a ação. Ao elaborar leis, fundar uma escola, preparar o planejamento escolar ou enfrentar dificuldades específicas em sala de aula, é preciso ter clareza a respeito da teoria que permeia as decisões. No entanto, é comum observarmos o "espontaneismo", resultado da devida dicotomia entre teoria e prática, porque o professor não foi adequadamente informado a respeito da teoria ou porque não sabe como integrá´lo à prática efetiva. 

Vejamos alguns exemplos: uma escola de ensino médio que oferece, a cada semana, dez aulas de química, uma de história e nenhuma de filosofia; uma sala de aula para crianças em que as carteiras estão fixadas no chão; um professor que prefere estimular pesquisas em grupo e outro que privilegia a exposição oral; alguém que lamenta o fato de não se ensinar mais em latim no colégio; um professor que exige leitura extra-classe, uma que faz a chamada oral com frequência e outro que dá pouca ênfase às avaliações.

Todos esses aspetos resultam de concepções -tematizadas ou não- que colocam primeiramente, as seguintes questões: Que tipo de pessoa se quer formar? Para qual sociedade? A partir da da elucidação da base antropológica, passamos para a seleção de conteúdos a serem transmitidos: O que ensinar? Só então se colocam questões metodológicas: como ensinar? Podemos concluir que a escolha e - quer o professor saiba, quer não, depende de determinada concepção de ser humano e de sociedade, concepção esta que não é neutra, por estar impregnada da visão política que a anima. 

Desse modo, os procedimentos específicos usados em sala de aula adquirem sentido a partir do esclarecimento dos pressupostos antropológicos e axiológicos bem como da sua coerência ou incoerência com o método e com o conteúdo escolhidos. 

Dependendo das respostas dadas a essas questões teóricas, podemos compreender as diversas propostas pedagógicas e as consequências delas para a práxis educativa, sejam da escola tradicional, sejam da escola renovada, da tecnicista, da libertária, e assim por diante. 

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia da Educação. 3 ed. rev. e ampl. - São Paulo; Moderna 2006.  

sábado, 14 de maio de 2016

FORMAÇÃO CONTINUADA DO PROFESSOR


“A educação está em constante movimento e não combina com repouso”. A observação é do filósofo, mestre e doutor em Educação, Mario Sergio Cortella, que defende que “as pessoas não são resistentes à mudança, mas não têm a formação necessária para chegar a esse processo”. Ele diz acreditar que, “para se aproximar do êxito, é preciso estar mais atento às oportunidades e aproveitá-las. Essa busca exige a capacidade de ser audacioso, sem cair na postura do aventureiro”.

Os pontos que cada professor deve buscar refletir em sua formação são:

Comprometimento: estar atento às mudanças políticas e sociais, bem como às mudanças que acontecem dentro do seu ambiente de trabalho;
Competência: ser um profissional que se interesse pelo novo e que busque sempre outras metodologias visando à melhoria na aprendizagem;
Crítica: ter valores bem resolvidos, fazendo com que seus alunos obtenham direção para transformar-se em pessoas melhores e, consequentemente, formar uma sociedade pensante;
Abertura a mudanças: em se tratando de inserir novas tecnologias dentro de sala de aula, é necessário que o docente esteja apto a aceitar tais novidades.
Exigência: que busque de seus alunos sempre mais, instigando e incentivando a aquisição contínua de conhecimento.
Interatividade: que consiga trocar informações e experiências com todo o corpo docente, os alunos e até mesmo os pais, resultando em uma educação em que todos têm voz ativa para expor suas ideias.


In: Formação Continuada de Professores e Especialistas em Educação: UNESCO.
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Nos vídeos que seguem, fiz uma seleção de vídeos curtos onde Mário Sérgio Cortella reflete sobre vários assuntos ligada à educação, disciplina, formação de professores, relação professores/pais, convivência e ética...
confirem:   
COMO SER UM BOM PROFESSOR?


SER UM BOM PROFESSOR 


DISCIPLINA NA EDUCAÇÃO DOS FILHOS 

O PAPEL DOS PAIS E DOS PROFESSORES NA EDUCAÇÃO DOS FILHOS

EDUCAÇÃO, CONVIVÊNCIA E ÉTICA 

MODERNIZAR A EDUCAÇÃO 

QUAL A POSTURA IDEAL DO PROFESSOR? 

segunda-feira, 2 de maio de 2016

FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO

O mundo, hoje, precisa de ideias! Está envolvido com dilemas éticos gravíssimos, no campo político, econômico e moral, e para solucionar seus problemas precisa da reflexão filosófica.  Reflexões sobre o mistério da natureza humana e do universo o destino da humanidade, a maturidade e  a plenitude do ser estão por trás desses dilemas,  e ainda é, e sempre foi,  a essência da filosofia, o pensar e discutir idéias e conceitos sobre os quais a ciência pode apenas especular.  É importante lembrar que a própria Ciência foi criação dos filósofos empiristas, que propuseram os métodos que todos nós ainda usamos hoje para separar a verdade das teorias sem fundamento, que é o assim chamado método científico [...] [http://www.cobra.pages.nom.br/ecp-filoeduc.html]

A Univesp TV, apresenta nos vídeos seguintes, uma síntese da contribuição e a influência de alguns filósofos na educação atual.    

ARISTÓTELES 
Aluno da Academia de Platão e crítico da "Teoria das Ideias", Aristóteles foi um grande sistematizador. Fundou sua própria escola baseada nas ciências naturais e acreditava que todos os seres do mundo tem semelhanças entre si (vivo ou não-vivo). O programa mostra a vida e as idéias desse importante filósofo.
Ver mais em: http://docenteinovador.blogspot.com.br/p/aristoteles.html


PLATÃO 
O significado do mito da caverna, a teoria política e a teoria das idéias. A vida de Platão e seu impacto na filosofia.
Ver mais em: http://docenteinovador.blogspot.com.br/p/platao.html


SÓCRATES 
Programa sobre as ideias de Sócrates, um dos mais importantes filósofos da história da humanidade.
ver mais em: http://docenteinovador.blogspot.com.br/p/socrates.html


DESCARTES 
Como o filósofo francês René Descartes desenvolveu o método investigativo e como ele revolucionou o pensamento filosófico e cientifico. Foi considerado o Pai da Filosofia Moderna.

ROUSSEAU 
Vídeo sobre as ideias de Rousseau, o primeiro filósofo a entender a infância como um momento importante da vida. 


PRAGMATISMO 
O programa explica o que é pragmatismo -- considerado uma corrente filosófica original - e como os filósofos William James e Charles Peirce desenvolveram este método.

JOHN DEWEY 
As idéias mais importantes do pragmatista norte-americano John Dewey, que teve grande influência sobre a filosofia da educação no século XX.
Ver mais em: http://docenteinovador.blogspot.com.br/p/john-dewey.html


LEV VIGOTSKY 
O programa conta quem foi Lev Vigotski e quais são as idéias que influenciaram o pensamento sobre educação, principalmente sobre o desenvolvimento da linguagem.


POR QUE E PARA QUE ESTUDAR FILOSOFIA NOS DIAS DE HOJE? “Uma reflexão inquietante em torno de um assunto pelo qual se fala e se escreve muito, mas pouco lê”. Leia mais em: http://www.webartigos.com/artigos/por-que-e-para-que-estudar-filosofia-nos-dias-de-hoje-uma-reflexao-inquietante-em-torno-de-um-assunto-pelo-qual-se-fala-e-se-escreve-muito-mas-pouco-le/119349/#ixzz47VeCbBll


FONTE: TV UNIVESP: 




quarta-feira, 6 de abril de 2016

Desafios da Gestão Democrática na Escola Pública

Emergência de um novo paradigma para responder os desafios da educação atual


Monografia do Curso de Pós-Graduação Lato-Senso - Especialização em Administração, Supervisão, e Orientação Educacional da Universidade Católica de Petrópolis, Para obtenção do grau de Pós-Graduado


Resumo

A presente monografia, cujo título “Desafios da Gestão Democrática na Escola Pública: emergência de um novo paradigma para responder os desafios da educação atual”, é o resultado de um longo período de estudo e aprendizagem que se materializa agora nesse estudo em particular, mais aprofundado do tema, cujo objetivo é entender os paradoxos inerentes a implementação da gestão democrática nas escolas públicas, na tentativa de desvendar as melhores soluções para os desafios que a educação impõe atualmente. O objeto central do trabalho é a gestão democrática, que se efetiva através de uma liderança também democrática, como facilitadora da participação na construção de uma educação plural e emancipatória, garantindo assim, a igualdade e a equidade nos estabelecimentos de ensino públicos. O trabalho foi realizado por meio de pesquisa bibliográfica, na qual foram utilizadas como fontes de estudo obras de importância capital sobre o tema: livros, artigos acadêmicos, dissertações e revistas pedagógicas, além de sites que abordam o tema. Nosso objetivo principal é analisar o conceito e os fundamentos da efetiva operacionalização da gestão escolar e da liderança democrática, por meio da exploração da natureza e dos limites das ações dos intervenientes no processo da gestão, ou seja, a comunidade escolar, sem esquecer a comunidade extraescolar, representada pelos pais, a família, instituições afins, e todos que se interessam pela gestão escolar de uma perspectiva democrática e participativa. 

Palavras-chave: Gestão democrática; liderança democrática; escola pública; emancipatória; igualdade e equidade; comunidade. 

Para ter acesso ao trabalho na íntegra, clique no seguinte link: 

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

A ESTIMULAÇÃO E A ANTECIPAÇÃO DA ESCRITA COM LETRA CURSIVA NA EDUCAÇÃO INFANTIL


Luciana Martins Maia[1]

Vemos atualmente em várias escolas a antecipação da escrita com letra cursiva em crianças muito pequenas. Com a desculpa de estarem apenas estimulando os pequenos, sem cobrança, os professores vão mostrando as letras e seus traçados. Acontece que crianças na faixa de três, quatro anos ainda não possuem maturidade intelectual para assimilarem tais conceitos. Porém, estão ávidos por aprender, copiam tudo o que os professores fazem, repetem seus gestos e tentam escrever "do seu jeitinho".

É fato que as crianças de hoje estão bem mais espertas, mais ligadas e "antenadas" com o mundo, mas ainda são crianças e agem como tal. Ao ver o traçado de uma vogal cursiva, por exemplo, vão tentar copiá-la. Vão fazê-lo como copiam um desenho. Através da sua sensibilidade, do seu olhar para a figura. Acontece que as letras tem um traçado preestabelecido, um lugar para começar e terminar. Uma sequencia que a maioria das crianças nessa idade ainda não é capaz de perceber. Os professores podem até dizer que ensinam o movimento correto, ou até que não ensinam porque essa etapa é apenas de visualização, de identificação, mas as crianças vão tentar escrever. Algumas vão se sentir fascinadas por escrever com a letra cursiva, mas podem acabar fazendo o movimento errado das letras.
O traçado realizado de modo incorreto pode ser levado adiante para os anos seguintes e todo o trabalho da professora do primeiro ano, que é quem é realmente responsável por ensinar o movimento das letras cusivas, pode ser tornar mais complicado, pois a criança já vai estar escrevendo com o traçado errado há muito tempo, o que torna bastante difícil a sua correção.

Enquanto professora do primeiro ano eu já havia percebido isso, mas ainda continuo escutando de outras colegas que lecionam nessa fase, de que já fizeram de tudo para que a criança fizesse o traçado das letras a, q, f, entre outras cursivas, corretamente, mas que não tiveram sucesso e, com isso, o aluno seguiu para a série posterior com o traçado errado, agravando a situação nas séries seguintes.Ocorre que o traçado das letras cursivas realizado de maneira incorreta torna a escrita cada vez mais cansativa, difícil e, em alguns casos, até ilegível.

Além de professora alfabetizadora há mais de vinte anos, sou mãe de três filhos. O mais velho, na época da educação infantil fazia uma confusão enorme com as letras "do seu jeitinho". A escola utilizava a letra script (bastão minúscula) e ele, ao identificá-las quando escrevia, confundia muitas delas, pois tinham o traçado parecido (n/h – a/d – d/q...). Isso fez com que ele desistisse de tentar. Dizia que não sabia. Não queria escrever, nem tentava ler. Ainda bem que não o fizeram escrever o nome completo na educação infantil, pois tratava-se de um nome composto, grande, cheio de fonemas complexos para ele (br, h, qu, l e n invertidos). Na alfabetização, em outra escola, utilizaram a letra bastão maiúscula (caixa alta) e foi ótimo. As letras de fácil identificação o estimularam a escrever e, paralelo a isso, foram trabalhados os diversos traçados, ou seja, os movimentos necessários para a escrita das letras cursivas. Ele foi mudando aos poucos, no seu ritmo e, na metado de ano letivo já escrevia corretamente todo o alfabeto cursivo, maiúsculo e minúsculo, bem como conseguia se expressar com autonomia utilizando essas letras.

Minha filha do meio aprendeu a ler aos quatro anos, observando as atividades do irmão mais velho que se alfabetizava. Sempre foi muito esperta e copiava tudo o que via. Mas era uma criança de quatro anos que, como todas as outras, gostava de brincar, de desenhar... A escola utilizava a letra bastão maiúscula e ela nessa época já escrevia muito bem com essas letras. Porém, ainda não tinha domínio total do espaço gráfico quando este se tornava mais restrito (como a pauta de um caderno) nem fazia ainda os traçados curvos corretamente nesses espaços. Na fase anterior a alfabetização, aos cinco anos, como ela já lia fluentemente e escrevia de forma alfabética, a professora a estimulou a escrever com a letra cursiva, que ela aprendeu com rapidez, pois estava ávida por isso e queria saber cada vez mais. Porém, a professora não se preocupou em ensinar-lá os traçados independente das letras cursivas, um a um, movimento a movimento, volta por volta. Mostrou as letras, mostrou como são escritas, o como fazer, mas uma letra já emendada na outra. As noções matemáticas foram bem trabalhadas, bem como todas as outras habilidades necessárias para que minha filha se tornasse uma leitura competente.

Atualmente meu filho já está na segunda etapa do ensino fundamental. Ótimo, organizado, caprichoso. Sua letra é perfeitamente legível e seu traçado é rápido e correto. Não apresenta nenhum problema para registrar suas produções. Escreve e lê com muita facilidade. Minha filha do meio, que termina a primeira etapa do ensino fundamental, continua bastante esperta, suas notas são boas, mas sua escrita cursiva não é de todo correta. Algumas letras são escritas ainda com o movimento errado e provavelmente continuarão, pois não há mais tempo para a correção desses traçados.

Minha filha caçula está ainda na educação infantil. Também bastante esperta, já começa a se interessar pela leitura e pela escrita. Aos quatro anos, adora desenhar, pintar e "escrever". Usa a letra bastão maiúscula e tenta hipóteses para a escrita que segue ora silábica, ora silábico-alfabética. Minha preocupação com os traçados continua. Outro dia ela resolveu fazer as vogais e meu espanto foi enorme. Estavam corretas no sentido de que ela sabia associar o som a letra, bem como a figura correspondente, porém, o traçado estava totalmente errado, pois ela fez de maneira independente, só de olhar.

Fica aqui o meu alerta! Professoras, respeitem as etapas de desenvolvimento das crianças. A Educação Infantil é uma fase de desenvolvimento de HABILIDADES. Habilidades estas necessárias para a aquisição dos conteúdos a serem trabalhados no Ensino Fundamental. Não cobrem uma letra perfeita nem entupam as crianças com conteúdos na Educação Infantil! Informem-se, conheçam os Parâmetros Curriculares da Educação Infantil e vejam quais são as necessidades das crianças nessa fase!

Não acredito que a coordenação motora fina deva ser desenvolvida através do treino de escrita com letra cursiva. Existem muitas atividades mais divertidas que estimulam a coordenação: brincar com massinha, cortar e recortar papel, desenhar e colorir. Utilizar o mouse no computador, fazer atividades utilizando o paint, tudo isso trabalha a coordenação motora fina, pois o cérebro se adapta às necessidades do corpo!
Não sou contra o ensino da letra cursiva, muito pelo contrário, só não acho que ele deva ser antecipado ou cobrado antes da criança estar realmente alfabetizada. Primeiro temos que formar leitores e escritores, para depois formarmos bons calígrafos.
Alguns alunos são capazes de escrever o próprio nome com letra cursiva desde bem pequenos, mas não são regra. Não devemos impedir a aprendizagem desses alunos, mas tudo deve se dar de maneira bem natural, ensinado de forma correta, aceitando cada tentativa de aprendizagem, sem cobranças.

A educação Infantil é momento de cortar, colar, rasgar, pintar, pular, correr, trabalhar o movimento de pinça, a coordenação motora fina e ampla, a percepção visual e auditiva, a observação, a consciência fonológica, a oralidade, o domínio do esquema corporal, a memorização, a concentração, a atenção e tantas outras habilidades que lhe serão muito úteis e necessárias na continuidade da sua escolarização. Queimar etapas é privar a criança de experiências realmente necessárias e prazerozas que só trarão benefícios para essa mesma criança mais tarde.
IDCP - Instituto de desenvolvimento e Capacitação Profissional
Transformando nossos sonhos de educação em realidade




[1] Luciana Martins Maia - Professora, jornalista, pedagoga, especialista em Alfabetização, pós graduada em Avaliação Educacional e Gestão Integrada da Educação (Gestão / Supervisão / Orientação Educacional), MBA em Gestão Estratégica da Educação. Palestrante nas áreas de Alfabetização, Avaliação Educacional e Gestão da Qualidade na Educação. Possui mais de 20 anos de experiência como professora alfabetizadora, coordenadora pedagógica, além de atuação na formação de docentes. Atualmente está a frente do IDCP (Instituto de Desenvolvimento e Capacitação Profissional), dirigindo e ministrando cursos. Também realiza consultoria para diversas instituições educacionais. contato:luciana@idcpro.com.br / site: www.idcpro.com.br)

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS DE HAWARD GARDNER



MÚLTIPLAS INTELIGÊNCIAS E SUAS IMPLICAÇÕES PARA O PROCESSO DE ENSINO/APRENDIZAGEM 

Quem foi Haward Gardner? 


Formado em psicologia e neurologia, professor na universidade de Harvard. Em 1980 começa um estudo aprofundado da inteligência que ficou conhecido com Inteligências Múltiplas. Howard Gardner é o cientista das Inteligências Múltiplas...



De acordo com Gardner, a Teoria da I M, é uma alternativa ao conceito de inteligência como uma capacidade inata, geral e única, que permite aos indivíduos uma performance, maior ou menor em qualquer área de atuação.






INTELIGÊNCIA

“É um potencial biopsicológico para processar informações que pode ser ativado para solucionar problemas ou criar produtos que sejam valorizados numa cultura” (Gardner, 2000)

“As inteligências vêm da combinação da herança genética do indivíduo com as condições de vida numa cultura e numa era dada.” (Gardner, 2000)

INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS

Apoia em novas descobertas neurológicas procedidas em Harvard e outras universidades dos EUA, mudando as linhas de conhecimento neurológico sobre a mente humana. Não é o primeiro modelo a sugerir que existem formas diferentes de ser inteligente. Nos últimos 200 anos surgiram várias teorias classificando de 1 a 150 tipos de inteligências.

PREMISSA PARA OS ESTUDOS

O comportamento inteligente pode ser mais bem visualizado observando as mais altas conquistas da civilização.
Todas as pessoas possuem as várias inteligências; ü A maioria das pessoas pode desenvolver cada inteligência num nível mais adequado de competência; ü As inteligências funcionam juntas de maneira complexa; ü Existem muitas maneiras de ser inteligente em cada categoria.

POR QUÊ O MODELO DE GARDNER É IMPORTANTE?

Baseia em pesquisas realizadas numa ampla variedade de campos (antropologia, psicologia cognitiva, psicologia de desenvolvimento...).
Para que cada inteligência possa fazer parte da teoria é necessário que ela satisfaça a quatro requisitos básicos: 

  • 1. Habilidade em simbolizar ou descrever ideias e experiências através de representações. 
  • 2. Inteligência não é uma característica absoluta fixada no nascimento que permanece estável. 
  • 3. Para ser viável, qualquer teoria de inteligência precisa ser enraizada na psicologia da estrutura cerebral. 
  • 4. O comportamento inteligente pode ser mais bem visualizado observando as mais altas conquistas da civilização.

OS DIFERENTES TIPOS DE INTELIGÊNCIAS
  • Inteligência linguística • Inteligência lógico-matemática • Inteligência espacial • Inteligência sonora ou musical • Inteligência cinestésico-corporal • Inteligência naturalista • Inteligências pessoais: intrapessoal e interpessoal • Inteligência existencial

INTELIGÊNCIA LINGUÍSTICA
  •  Inclui a capacidade de manipular a sintaxe ou a estrutura da linguagem, a semântica ou os significados da linguagem, suas dimensões pragmáticas e seus usos práticos Políticos, jornalistas, poetas, escritores exibem com mais destaque essa inteligência. Vocabulário Linguagem.

INTELIGÊNCIA LÓGICO-MATEMÁTICA
  • Inclui sensibilidade a padrões e relacionamentos lógicos, afirmações e proposições, funções e outras abstrações relacionadas É a inteligência característica de engenheiros, matemáticos e cientistas. Lógico-Matemática Musical.

INTELIGÊNCIA ESPACIAL
  • Inclui a capacidade de visualizar, de representar graficamente ideias visuais ou espaciais e de orientar-se apropriadamente em uma matriz espacial. É a inteligência de artistas plásticos, navegadores, pilotos, arquitetos.
INTELIGÊNCIA CORPORAL-CINESTÉSICA
  • Perícia no uso do corpo todo para expressar ideias e sentimentos e facilidade no uso das partes do corpo para produzir ou transformar coisas. “A persistência é o caminho do êxito” Charles Spencer Chaplin.
INTELIGÊNCIA SONORA OU MUSICAL
  • Capacidade de perceber, discriminar, transformar e expressar formas musicais. -Inteligência percebida em crianças; -Estudo com pessoas surdas.

INTELIGÊNCIA NATURALISTA
  • Perícia no reconhecimento e classificação das numerosas espécies do meio ambiente do indivíduo. É a inteligência dos envolvidos em causas ecológicas, como os ambientalistas, espiritualistas, artistas.

INTELIGÊNCIA INTERPESSOAL
  • Capacidade de perceber e fazer distinções no humor, intenções, motivações e sentimentos das outras pessoas. É a inteligência comum em líderes, terapeutas, políticos, religiosos, professores, vendedores, que sabem identificar expectativas, desejos e motivações de outras pessoas.
INTELIGÊNCIA INTRAPESSOAL
  •  Autoconhecimento e a capacidade de agir adaptativamente com base neste conhecimento. Também é capacidade de superar os impulsos instintivos (auto-controle). Intra e Interpessoal.
 INTELIGÊNCIA EXISTENCIAL
  • Capacidade de situar-se ao alcance do compreensão integral do cosmos, do infinito, assim como a capacidade de compreender a existência humana.

INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL
  • A mais nova inteligência adicionada à lista está sendo estudada por Gardner. Refere-se à preocupação e formulação de perguntas sobre a vida, a morte, o universo. É a inteligência de religiosos, líderes espirituais, devotos etc.
COMO RECONHECER AS INTELIGÊNCIAS EM NOSSOS ALUNOS

 Para Gardner, os alunos apresentam traços integrados de diferentes inteligências e, dessa forma, não é possível enquadra-los em apenas uma ou duas. Observando os alunos, podemos notar: 


ALUNOS COM ACENTUADA INTELIGÊNCIA LINGUÍSTICA ALUNOS COM DESTACADA INTELIGÊNCIA INTRAPESSOAL; ALUNOS COM FORTE INTELIGÊNCIA LÓGICO-MATEMÁTICA; ALUNOS COM FORTE SENSIBILIDADE INTERPESSOAL; ALUNOS COM AGUDA SENSIBILIDADE VÍSUO-ESPACIAL; ALUNOS COM BOA INTELIGÊNCIA NATURALISTA; ALUNOS COM FORTE TENDÊNCIA SONORA OU MUSICAL ALUNOS COM DESTACADA INTELIGÊNCIA CINESTÉSICA.


DESCREVENDO AS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS NOS ALUNOS

 • Observações e listas de verificações; • Reunir documentos; • Examinar os registros escolares; • Conversar com outros professores; • Conversar com os pais; • Perguntar aos alunos; • Preparar atividades especiais. 


PROFESSOR DE IM X PROFESSOR TRADICIONAL

Tradicional: faz uma apresentação expositiva para a turma, escreve na lousa, faz perguntas aos alunos e espera enquanto os alunos terminam seu trabalho escrito. Inteligência Múltiplas: o professor muda continuamente seu método de apresentação, de linguístico para espacial e para musical, e assim por diante, combinando as inteligências de maneira criativa. A teoria das IM inclui essencialmente aquilo que os bons professores sempre fizeram em seu ensino: ir além do texto e do quadro negro para despertar a mente dos alunos.


O QUE A TEORIA OFERECE AOS PROFESSORES?

Oferece uma maneira para todos os professores refletirem sobre seus métodos de ensino e compreenderem por que esses métodos funcionam ou porque funcionam bem para alguns alunos e para outros não. Ajuda os professores a expandirem seu atual repertório de ensino, de modo a incluir uma variedade mais ampla de métodos, materiais e técnicas e atingir uma gama cada vez maior e mais diversa de aprendizes.

FOLHA DE PLANEJAMENTO DE IM Lógico-matemática 
INTELIGÊNCIAS Espacial Musical Corporal - Cinestésica Interpessoal Intrapessoal Naturalista Lingüística.

PERGUNTAS DE PLANEJAMENTO DE IM

Como posso introduzir números, cálculos, lógica, classificações ou habilidades de pensamento crítico? OBJETIVO Como posso usar recursos visuais, visualização, cor, arte ou metáfora? Como posso introduzir a música ou os sons ambientais? Como posso envolver todo o corpo ou usar experiências práticas? Como posso usar a palavra falada ou escrita? Como posso incluir a natureza? Como posso evocar memórias pessoais ou deixar os alunos escolherem? Como posso fazer com que os alunos compartilhem coisas com os colegas?

MATERIAIS E MÉTODOS BÁSICOS DE ENSINO QUE PRIVILEGIAM TODAS AS DIFERENTES INTELIGÊNCIAS DOS ALUNOS. 

INTELIGÊNCIA LINGUÍSTICA
 Palestras; • Discussões em grupos; • Livros; • Folhas de respostas; • Manuais; • Atividades escritas; • Jogos de palavras; • Debates; • Trabalho com a leitura; • Criação de textos escritos; • Participação oral espontânea; • Apresentação expositiva dos alunos.

INTELIGÊNCIA LÓGICO-MATEMÁTICA
Problemas matemáticos no quadro; • Demonstrações científicas; • Exercícios de resolução de problemas; • Criação de códigos; • Apresentação sequencial de um assunto; • Enigmas e jogos lógicos.

INTELIGÊNCIA ESPACIAL
Gráficos, diagramas e mapas; • Fotografias; • Vídeos, slides e filmes; • Narração imaginativa de histórias; • Pintura, colagem e outras artes visuais; • Apreciação artística; • Labirintos e quebra-cabeças visuais.

INTELIGÊNCIA CORPORAL CINESTÉSICA
Mímica; • Jogos competitivos e cooperativos; • Atividades de educação física; • Exercícios de relaxamento físico; • Uso da linguagem corporal; • Uso da linguagem de sinais para se comunicar.

INTELIGÊNCIA MUSICAL
Tocar música gravada; • Cantar ou assoviar; • Tocar algum instrumento musical; • Cantar em grupo; • Usar música de fundo; • Criação de melodias; • Vincular melodias antigas e conceitos; • Apreciação musical.

INTELIGÊNCIA INTERPESSOAL
Interação; • Programas interativos; • Festas e reuniões sociais como um contexto de aprendizagem; • Envolvimento na comunidade; • Ensinar os colegas; • Mediação de conflitos; • Clubes acadêmicos.

INTELIGÊNCIA INTRAPESSOAL
Estudo independente; • Projetos e jogos individualizados; • Espaços privados para estudo; • Instrução programada de auto-estudo; • Manutenção de um diário; • Atividades de auto-estima; • Exposição a currículos inspirativos e motivadores.

 INTELIGÊNCIA NATURALISTA
Aquários e outros ecossistemas portáteis; • Jardinagem; • Animal de estimação na sala de aula; • Instrumentos para estudar a natureza; • Plantas como acessórios; • Caminhadas ao ar livre; • Estação meteorológica na sala de aula.

 ALERTA
Não existe um conjunto de estratégias de ensino que funciona melhor para todos os alunos. Cada criança tem inclinações e diferentes inteligências, de modo que qualquer estratégia será muito bem-sucedida com um grupo de alunos e nem tão bem-sucedida com outros... 


                                          

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REFERÊNCIAS

ANTUNES, Celso. Como identificar em você e em seus alunos as inteligências múltiplas. Petrópolis: Vozes, 2001.
ARMSTRONG, Thomas. Inteligências Múltiplas na sala de aula. Porto Alegre: Artmed, 2001. 
GARDNER, Howard. Inteligências Múltiplas: a teoria na prática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.

sábado, 1 de novembro de 2014

CONCEITOS CENTRAIS DAS TEORIAS DE PIAGET, VYGOTSKY E WALLON

Um estudo comparativo entre: Piaget, Vygotsky e Wallon.

Autor: Arlindo Nascimento Rocha[1]

RESUMO: Este trabalho tem como objetivo fazer um estudo comparativo entre três grandes teóricos da Educação: Piaget, Vigotsky e Wallom. 

OBJETIVOS:
Identificar os conceitos básicos da teoria de cada pensador;
Estabelecer as semelhanças e diferenças entre ambos pensadores. 



INTRODUÇÃO
Falar de Piaget, Vygotsky e Wallon é nos remeter a teorias que até hoje ajudam a professores e pesquisadores sobre o processamento da inteligência, do aprendizado e de desenvolvimento. A contribuição de cada um é muito relevante, uma vez que, nos ajuda a ter uma visão mais abrangente de como se processa o desenvolvimento do ensino e aprendizagem, embora, ambos nos mostram aspeto distintos, e, outras vezes semelhanças. Isso nos leva a confirmar mais uma vez que não existem teorias últimas, mas sim teorias, e por isso, é preciso conhecê-las para poder usá-las sempre que necessário.


APRESENTAÇÃO RESUMIDA DAS TEORIAS DE PIAGET, VIGOTSKY E WALLON


JEAN PIAGET

Formado em Biologia, Piaget especializou-se nos estudos do conhecimento humano, concluindo tendo desenvolvido a teoria conhecida por Epistemologia Genética. Sua principal questão é: Como o ser humano constrói o conhecimento? Ele elabora sua teoria através de observação empírica e elabora os seguintes conceitos básicos: 

ASSIMILAÇÃO - incorporação as experiências ou objetos às estratégias ou conceitos já existentes;
ACOMODAÇÃO - modificação e ajustamento dos esquemas em função de novas experiências ou informações;
EQUILIBRAÇÃO - fator essencial e determinante no desenvolvimento do sujeito ao processo de adaptação ao meio em que vive.


ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO:
SENSÓRIO-MOTOR - do nascimento a cerca de 18-24 meses;

PRÉ-OPERATÓRIO - aproximadamente entre 2 e 6/7 anos;
OPERATÓRIO CONCRETO - aproximadamente 7/8 até os 11/12 anos;
OPERATÓRIO FORMAL - a partir de 11/12 anos em diante.

IMPLICAÇÕES PEDAGÓGICAS: A aprendizagem depende do processo de desenvolvimento cognitivo; O papel da escola é dar à criança oportunidade de agir sobre os objetos de conhecimento; O papel do professor um agente facilitador e desafiador de seus processos de elaboração; A criança é quem constrói seu próprio conhecimento.

LEV VYGOTSKY




Vygotsky levantou a questão da relação entre ensino e a aprendizagem escolar e desenvolvimento cognitivo. Ele fala muito da escola, dos professores e da interação pedagógica. Para Vygotsky, a criança nasce inserida num meio social, que é a família, e é nela que estabelece as primeiras relações com a linguagem na interação com os outros.

CONCEITOS CENTRAIS: 
Abordagem Histórico/Social; Forma de produção de trabalho humano e cultura; Mundo Histórico/Sujeito Histórico.
DO BIOLÓGICO PARA O HISTÓRICO SOCIAL

OS INSTRUMENTOS: tudo que se interpõe entre o homem e o ambiente, ampliando e modificando suas formas de ação; 

OS SIGNOS: tudo que é utilizado pelo homem para representar, evocar ou tomar presente o que está ausente constitui um signo: a palavra, o desenho e os símbolos. INTERNALIZAÇÃO processo interno de reconstrução de uma operação externa; 

INTERPSICOLÓGICO - relação entre indivíduos; INTRAPSICOLÓGICO - conexões com o que já temos de construção de conceitos.
PROCESSO DE APROPRIAÇÃO DO MUNDO CULTURAL: LINGUAGEM - a linguagem socializada; Linguagem egocêntrica; fala interna; 
O OUTRO SOCIAL - a interação social é a base do processo de aprendizagem humana; 
A METACOGNIÇÃO – a fala interna.


DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM 
O aprendizado impulsiona o desenvolvimento: 

Nível (Zona) de desenvolvimento real: capacidade de realizar tarefas de forma independente;
Zona de desenvolvimento proximal: é o que está em processo de amadurecimento, o que ainda não construí e não construo sozinho.
INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA  
O conhecimento na sala de aula é um processo social e compartilhado; 
O professor serve como guia no processo da aprendizagem; o aluno é o sujeito da aprendizagem, aquele que aprende junto ao outro.

HENRI WALLON


Segundo Wallon, a gênese da inteligência é biológica e social, ou seja, o ser humano é organicamente social e sua estrutura orgânica supõe a intervenção da cultura. Seu projeto teórico foi estudar a gênese dos processos que constituem o psiquismo humano. Considerava que a escola deveria perceber a criança como um ser total, concreto e ativo e de manter-se em contato com o meio social.


CONCEITOS CENTRAIS:
Estágios do Desenvolvimento Mental: 
1º Estágio -  impulsivo-emocional, ocorre no 1° ano de vida.; 2º Estágio - sensório-motor e projetivo: vai até os 3 anos; 
3º Estágio - personalismo: dos 3 aos 6 anos; 
4º Estágio - categorial: (6-11/12 anos); 
5º Estágio - predominância funcional; emoção: afetividade precede nitidamente o aparecimento das condutas; 
O Movimento: as necessidades cinéticas, de movimento, e as necessidades posturais são imprescindíveis ao desenvolvimento infantil.

CONTRIBUIÇÕES

O papel do outro na construção do conhecimento é indiscutível. O professor deixa de ser o agente exclusivo na formação das crianças. A interação com as outras crianças assume um papel fundamental no desenvolvimento e aprendizagem de cada uma delas. O movimento é imprescindível ao desenvolvimento da criança. A brincadeira assume um lugar essencial no desenvolvimento da criança. A emoção ocupa um lugar privilegiado no desenvolvimento do sujeito, em especial da criança; os conflitos, crises e contradições são pontos fecundos para a compreensão da pessoa humana. 


SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS
Em relação a construção do conhecimento, para Piaget o conhecimento se dá a partir da relação do sujeito com o objeto dependendo do grau de desenvolvimento das suas estruturas cognitivas. Para Vygotsky que focou sua teoria na escola deixando claro os seguintes aspetos: Primeiro que o ser humano era um ser Filogenético, fazia parte de uma espécie; segundo que esse ser humano também era Ontogenético, nascia, crescia e morria; e que esse também era Microgenético, que por mais que sejam parecidos em alguns aspectos existem fatores genéticos individuais desse individuo. Para Wallon o desenvolvimento se dá também em estágios mas que são diferentes da Teoria Piagetiana. Wallon além de dar importância ao corpo da criança e a maturação biológica, considera importantíssima a emoção sendo a mesma fator principal em sua teoria, a observação é o método primordial, é a tentativa de entender o processo de desenvolvimento da criança.


Relativamente aos estágios de desenvolvimento, tanto Piaget como Wallon discorreram sobre o assunto. Na teoria de Piaget os estágios se dividem em quatro, enquanto para Wallon o desenvolvimento se dá em estágios, só que na sua teoria o individuo pode continuar em dois estágios, ou seja, um estágio encontra-se dentro do outro. Já Vygotsky nos dá o suporte teórico enfatizando a importância do meio cultural e das relações entre os sujeitos imersos num contexto histórico e a ênfase em seus processos de transformação.


O desenvolvimento humano, no modelo piagetiano, é explicado segundo o pressuposto de que existe uma conjuntura de relações interdependentes entre o sujeito conhecedor e o objeto a conhecer; Vygotsky irá nos trazer o que chamamos mediação simbólica que é feita através dos signos que são construídos culturalmente e que são compartilhados por todos, Wallon por mais que reconheça o fator orgânico, biológico como Piaget relata que o mesmo é a primeira condição no desenvolvimento do pensamento, sendo o primeiro, mas não o único.

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[1] Pós-Graduando na Universidade Católica de Petrópolis-RJ